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Questão 89, caderno azul do ENEM 2023 – DIA 1

PIVETTA, M. O clima no Antropoceno. Revista Pesquisa Fapesp, n. 307, set. 2021.

Qual medida é capaz de minimizar as mudanças apresentadas nas simulações?

a) Expandir o transporte marítimo.

b) Incentivar os fluxos migratórios.

c) Monitorar as atividades vulcânicas.

d) Controlar as emissões de carbono.

e) Priorizar a utilização de termoelétricas.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

Interpretação de Gráficos e Mapas Temáticos
Geografia Física (Climatologia, Aquecimento Global)
Atualidades (Questões Ambientais)

Tema/Objetivo Geral: Analisar simulações de impacto do aquecimento global para identificar a medida de mitigação mais eficaz entre as opções.

Nível da Questão: Fácil.

Justificativa: A questão é considerada fácil porque apresenta uma relação de causa e efeito muito direta e amplamente discutida no debate público. Os mapas ilustram os efeitos do aquecimento global, e a pergunta pede pela causa principal que deve ser combatida. A alternativa correta aponta para o fator causal mais conhecido, enquanto as outras são visivelmente ineficazes ou contraproducentes.

Gabarito: D) Controlar as emissões de carbono.

Explicação Resumida: Esta é a única medida que ataca a raiz do problema (o excesso de gases de efeito estufa na atmosfera) que causa o aquecimento global e, consequentemente, as mudanças de temperatura e pluviosidade mostradas nos mapas.


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Em bom português, a missão é a seguinte: olhar para esses mapas, que são como “fotos do futuro” do nosso planeta, entender o problema que eles mostram e, em seguida, escolher a única ação da lista que funciona como um “remédio” para evitar que esses futuros se concretizem.

Pense nisso como um diagnóstico médico. O paciente (planeta Terra) está com febre (mapas de temperatura) e desidratação em algumas partes e inchaço em outras (mapas de chuva). A questão não pergunta como lidar com os sintomas, mas sim qual é a receita para curar a doença.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Para resolver este enigma, nosso plano será metódico e preciso:

  • 1. Análise Forense da Evidência: Primeiro, vamos examinar detalhadamente os mapas, decodificando o que as cores e os diferentes cenários de aquecimento nos revelam sobre a “saúde” do planeta.
  • 2. Identificação do Agente Causal: Com os “sintomas” claros, vamos deduzir qual é o principal “agente infeccioso” por trás do aquecimento global, a causa raiz do problema.
  • 3. Avaliação das Medidas Propostas: Por fim, analisaremos cada alternativa como um “tratamento” em potencial, determinando qual delas ataca o agente causal que identificamos, em vez de apenas remediar os sintomas.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Uma imagem poderosa pode transformar um conceito abstrato em uma memória inesquecível. A ilustração a seguir foi criada para visualizar a essência da nossa análise, tornando a ideia central clara e impactante:

Título da Imagem: (Os Futuros Possíveis do Clima Global)

Esta evidência visual é a peça central da nossa investigação. Ela nos apresenta dois conjuntos de simulações, cada um com três cenários progressivamente mais graves (1,5°C, 2°C e 4°C de aquecimento).

  • Os Mapas de Cima (A Febre da Terra): Mostram a variação da temperatura. Quanto mais vermelho e intenso, maior o aumento da temperatura. Note como a “febre” se espalha e se intensifica drasticamente no cenário de 4°C, especialmente nos continentes e perto dos polos.
  • Os Mapas de Baixo (O Desequilíbrio Hídrico): Exibem a mudança na pluviosidade (chuva). As áreas em marrom se tornarão mais secas (risco de desertificação e escassez de água), enquanto as áreas em verde/azul ficarão mais úmidas (risco de enchentes e tempestades extremas).

A ferramenta aqui é a observação comparativa. Ao comparar os mapas da esquerda para a direita, a lógica se torna inegável: quanto maior o aquecimento global, mais radicais e perigosas se tornam as alterações no clima em todo o planeta.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Executando nosso plano, a análise forense da evidência visual nos leva a uma conclusão direta: os mapas são um alerta sobre as consequências de diferentes níveis de aquecimento global. A causa fundamental desse aquecimento, amplamente consolidada pela ciência, é a intensificação do efeito estufa, provocada pela emissão de gases como o dióxido de carbono (CO₂), principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

A questão nos pede uma “medida capaz de minimizar” essas mudanças. Logo, estamos procurando por uma ação que reduza a causa: a concentração de gases de efeito estufa.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais sedutora aqui é confundir uma consequência do problema com uma solução. Por exemplo, “incentivar os fluxos migratórios”. As mudanças climáticas severas, de fato, forçarão milhões de pessoas a migrar (os chamados refugiados climáticos). Portanto, a migração é um resultado do problema que os mapas mostram, e não uma medida para minimizá-lo. É como sugerir que a melhor forma de apagar um incêndio é incentivar as pessoas a correrem para fora do prédio. Ajuda as pessoas, mas não combate o fogo.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A investigação demonstra que as mudanças climáticas severas mostradas nos mapas são um efeito direto do aquecimento global, que por sua vez é causado principalmente pelas emissões de carbono de atividades humanas.
    • Expectativa: A alternativa correta deve ser uma medida que ataque diretamente essa causa, ou seja, uma ação que vise reduzir, limitar ou controlar a quantidade de carbono lançada na atmosfera.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Com nosso “retrato falado” da solução em mãos, vamos confrontá-lo com os suspeitos.

a) Expandir o transporte marítimo.
O erro aqui é Agravamento do Problema. Embora o transporte marítimo seja mais eficiente por tonelada do que o aéreo ou rodoviário, uma expansão geral da atividade, sem uma transição para combustíveis limpos, resultaria em um aumento absoluto das emissões globais, piorando o cenário.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

b) Incentivar os fluxos migratórios.
Como vimos na nossa análise de armadilha, o erro é Confundir Consequência com Solução. A migração é um sintoma grave da crise climática, uma forma de adaptação, e não uma medida para mitigar (minimizar) as causas do problema.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

c) Monitorar as atividades vulcânicas.
O erro aqui é uma Fuga ao Tema (Causa Natural vs. Causa Antrópica). Embora vulcões liberem gases, a escala e a velocidade do aquecimento atual são atribuídas às atividades humanas. Monitorar vulcões é importante para a segurança local, mas não é uma medida que minimiza o aquecimento global causado pelo homem.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

d) Controlar as emissões de carbono.
Análise de Correspondência: Esta alternativa se encaixa perfeitamente na nossa “Expectativa”. Controlar as emissões de carbono ataca diretamente a causa primária do aquecimento global, sendo a única medida listada que pode, de fato, minimizar a progressão dos cenários catastróficos ilustrados nos mapas.
Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

e) Priorizar a utilização de termoelétricas.
Esta alternativa é o oposto do que se busca. O erro é uma Contradição Direta. Termoelétricas, especialmente as movidas a carvão e gás, são algumas das maiores fontes de emissão de carbono. Priorizá-las seria como jogar gasolina no fogo.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.


5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Confirmamos que a alternativa D é a solução correta. A investigação das evidências visuais nos mostrou claramente que, para evitar os futuros onde a Terra sofre com febre e desequilíbrio hídrico, a única medida eficaz é atacar a causa da doença: as emissões descontroladas de carbono.

  • Resumo-flash (A Imagem Mental): Os mapas são a febre do planeta; controlar o carbono não é apenas um remédio, é a única vacina que temos.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de atacar a causa raiz em vez dos sintomas é um pilar fundamental da Engenharia de Confiabilidade. Quando uma máquina crítica em uma fábrica começa a superaquecer (sintoma), um engenheiro júnior pode sugerir instalar mais ventiladores (lidar com o sintoma). Um engenheiro sênior, no entanto, investigará a causa raiz (Root Cause Analysis): pode ser um problema de lubrificação, atrito excessivo ou um componente defeituoso (a causa). Resolver a causa raiz é a única forma de garantir que o sistema não falhe catastroficamente. Da mesma forma, a climatologia nos mostra que “ventilar” o planeta com soluções paliativas não funcionará; precisamos consertar a “máquina” da nossa civilização industrial, controlando suas emissões.

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