15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 70, caderno azul ENEM 2020

Com efeito, até a destruição de Cartago, o povo e o Senado romano governavam a República em harmonia e sem paixão, e não havia entre os cidadãos luta por glória ou dominação; o medo do inimigo mantinha a cidade no cumprimento do dever. Mas, assim que o medo desapareceu dos espíritos, introduziram-se os males pelos quais a prosperidade tem predileção, isto é, a libertinagem e o orgulho.

SALÚSTIO. A conjuração de Catilina/A guerra de Jugurta. Petrópolis: Vozes, 1990 (adaptado).

 O acontecimento histórico mencionado no texto de Salústio, datado de I a.C., manteve correspondência com o processo de

A) demarcação de terras públicas.

B) imposição da escravidão por dívidas.

C) restrição da cidadania por parentesco.

D) restauração de instituições ancestrais.

E) expansão das fronteiras extrapeninsulares.

✍ Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • História Antiga (República Romana, Guerras Púnicas)
    • Interpretação de Texto Histórico-Filosófico
  • Tema/Objetivo Geral: Analisar um texto do historiador Salústio para conectar um evento específico (a destruição de Cartago) ao processo histórico mais amplo do qual ele faz parte (a expansão imperial de Roma).
  • Nível da Questão: Médio.
    • A questão exige um conhecimento prévio de História: saber que Cartago era uma potência rival de Roma, localizada fora da Península Itálica (no norte da África), e que sua destruição foi o clímax das Guerras Púnicas, um conflito pela hegemonia no Mediterrâneo.
  • Gabarito: E
    • A alternativa está correta porque a “destruição de Cartago” foi o evento que concluiu as Guerras Púnicas, um longo conflito entre Roma e a cidade-estado de Cartago (na atual Tunísia). A vitória romana nesse conflito marcou a consolidação de seu poder fora da Península Itálica, ou seja, foi um momento decisivo na expansão das fronteiras extrapeninsulares de Roma, que se tornou a potência dominante do Mediterrâneo.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “O texto usa o evento ‘destruição de Cartago’ como um ponto de virada na história de Roma. A qual grande processo histórico esse evento pertence?”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine a história da Guerra Fria. A “queda do Muro de Berlim” foi um evento específico e marcante. Mas a qual processo histórico maior ela corresponde? Corresponde ao processo de colapso da União Soviética e ao fim da bipolaridade mundial. O evento (queda do muro) é um sintoma e um marco do processo (fim da Guerra Fria). A questão nos pede para fazer a mesma conexão: a “destruição de Cartago” foi o evento; qual foi o processo?

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Identificar o Evento-Chave: Qual é o acontecimento histórico que o texto usa como marco temporal?
  • Acionar o Banco de Dados Histórico: Quem era Cartago? Onde ficava? Por que Roma a destruiu?
  • Conectar o Evento ao Processo: O que a vitória sobre Cartago significou para Roma em termos geográficos e políticos?
  • Realizar a Autópsia: Vamos analisar cada alternativa para ver qual delas descreve corretamente esse processo maior.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a melhor ferramenta é uma Análise da Tese Histórica de Salústio. Vamos decompor o argumento do autor.

A TESE DE SALÚSTIO: O “MEDO DO INIMIGO”

  • FASE 1: ANTES da Destruição de Cartago
    • Condição: Havia um grande inimigo externo, poderoso e ameaçador (Cartago).
    • Consequência Interna: O “medo do inimigo” mantinha a união. O povo e o Senado governavam “em harmonia”, sem corrupção (“luta por glória ou dominação”). A ameaça externa forçava a coesão interna.
  • O PONTO DE VIRADA: A Destruição de Cartago (146 a.C.)
    • Análise Histórica: Este evento marca o fim das Guerras Púnicas e a vitória total de Roma sobre sua maior rival. Roma se torna a única superpotência do Mediterrâneo, controlando territórios fora da Itália (extrapeninsulares) como a Sicília, a Hispânia e o Norte da África.
  • FASE 2: DEPOIS da Destruição de Cartago
    • Condição: “o medo desapareceu dos espíritos”. Não havia mais um inimigo externo à altura.
    • Consequência Interna: A prosperidade e a falta de ameaças levaram à decadência moral. Surgiram a “libertinagem e o orgulho”, ou seja, a corrupção e as lutas internas pelo poder.

Conclusão Forense: A tese de Salústio usa a destruição de Cartago como o marco que inicia a crise da República Romana. Mas, para o nosso caso, o fato mais importante é o que esse evento representa objetivamente na história: o clímax da expansão de Roma para fora da Península Itálica.


PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Nossa análise já revelou a conexão.

  • O evento: Destruição de Cartago.
  • O contexto: Fim das Guerras Púnicas, um conflito pela dominação do Mediterrâneo.
  • A consequência geopolítica: Roma anexa os territórios cartagineses no Norte da África e consolida seu controle sobre outras províncias fora da Itália.
  • O nome do processo: Expansão das fronteiras extrapeninsulares (extra = fora; peninsulares = da Península Itálica).

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨

CUIDADO! A armadilha aqui é se concentrar apenas na consequência moral descrita por Salústio (a “libertinagem e o orgulho”) e procurar uma alternativa que fale sobre crise de valores. O erro é não perceber que a questão pergunta sobre o processo histórico ao qual o evento corresponde, e não sobre os efeitos internos que Salústio descreve. O evento é um fato geopolítico, e a resposta deve ser geopolítica.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A investigação histórica mostra que a destruição de Cartago foi o ponto culminante das Guerras Púnicas.
  • Expectativa: A alternativa correta deve ser o processo histórico que descreve o resultado dessas guerras para Roma.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora interrogar cada um dos suspeitos.

  • A) demarcação de terras públicas.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa em outra questão importante da República Romana, a questão agrária.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. Embora a distribuição de terras fosse um grande problema interno em Roma, ela não é o processo histórico diretamente associado à guerra contra Cartago.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • B) imposição da escravidão por dívidas.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa em outra característica social de Roma.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. A escravidão por dívidas foi uma questão social importante, mas ligada aos conflitos entre patrícios e plebeus, e não diretamente à guerra externa contra Cartago.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • C) restrição da cidadania por parentesco.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa nas complexas leis de cidadania romana.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. As regras de cidadania não são o processo histórico correspondente às Guerras Púnicas.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • D) restauração de instituições ancestrais.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode interpretar a nostalgia de Salústio por uma Roma “pura” como um desejo de restauração.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O texto descreve uma transformação e o surgimento de novos problemas (“libertinagem e orgulho”), o oposto de uma “restauração” de costumes antigos.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • E) expansão das fronteiras extrapeninsulares.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. Ela descreve perfeitamente o significado geopolítico da vitória sobre Cartago: a consolidação do poder de Roma para além de suas fronteiras originais na Península Itálica e o início de seu grande império mediterrâneo.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa E é a correta. Este caso ilustra como um único evento histórico pode ser analisado por diferentes ângulos: para o historiador militar, é uma vitória; para o historiador moral como Salústio, é o início da decadência; e para o geógrafo histórico, é um marco na expansão territorial.

Resumo-flash (A Imagem Mental): Ao destruir Cartago, Roma apagou seu maior rival do mapa e começou a redesenhar o mapa do mundo com suas próprias fronteiras.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): A tese de Salústio, de que o “medo de um inimigo externo” promove a união interna, é um conceito central na Ciência Política e nas Relações Internacionais. Durante a Guerra Fria, o “medo do inimigo” comunista uniu os países ocidentais sob a liderança dos EUA (formando a OTAN), e o “medo do inimigo” capitalista uniu os países do leste sob a liderança da URSS (formando o Pacto de Varsóvia). Muitos analistas argumentam que, após o fim da União Soviética (a “destruição de Cartago”), os EUA e a Europa, sem um inimigo claro, passaram a enfrentar mais divisões internas e crises de identidade, um eco da mesma dinâmica que Salústio descreveu há mais de dois mil anos.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.