15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 54, caderno azul do ENEM 2021 – DIA 1

O uso de novas tecnologias envolve a assimilação de uma cultura empresarial na qual haja a integração entre as propostas de modernização tecnológica e a racionalização. Nem sempre o uso de novas tecnologias é apenas um processo técnico na medida em que pressupõe uma nova orientação no controle do capital, no processo produtivo e na qualificação da mão de obra. Dos diversos efeitos que derivaram dessa orientação, a terceirização, a precarização e a flexibilização aparecem com constância como características do paradigma flexível, em substituição a modelo taylorista-fordista.

HERÉDIA, V. Novas tecnologias nos processos de trabalho: efeitos da reestruturação produtiva. Scripta Nova, n. 170, ago. 2004 (adaptado).

O uso de novas tecnologias relacionado a controle empresarial é criticado no texto em razão da

A) operacionalização da tarefa laboral.

B) capacitação de profissionais liberais.

C) fragilização das relações de trabalho.

D) hierarquização dos cargos executivos.

E) aplicação dos conhecimentos da ciência.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto
  • Sociologia do Trabalho (Modelos de Produção: Fordismo, Toyotismo/Flexível)
  • Análise Crítica das Relações de Trabalho Contemporâneas

Tema/Objetivo Geral: Analisar a crítica sociológica aos impactos da reestruturação produtiva (paradigma flexível) nas relações de trabalho.

Nível da Questão: Médio.

  • Por quê? A questão exige a compreensão de um vocabulário técnico da sociologia do trabalho (“terceirização, precarização, flexibilização”, “taylorista-fordista”). O leitor precisa traduzir essa “tríade” de consequências em um conceito mais geral, que é a “fragilização das relações de trabalho”.

Gabarito: C) fragilização das relações de trabalho.

  • Resumo da Justificativa: O gabarito está correto porque o texto lista explicitamente a “terceirização, a precarização e a flexibilização” como os principais efeitos do novo modelo. Esses três fenômenos são, por definição, os pilares da fragilização das relações de trabalho, implicando menos estabilidade, menos direitos e mais insegurança para o trabalhador.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: A missão é clara: segundo o texto, qual é o principal “efeito colateral” negativo que o uso de novas tecnologias, sob uma nova lógica empresarial, tem causado aos trabalhadores?
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que o mundo do trabalho era um prédio de apartamentos com contratos de aluguel longos e cheios de direitos para os inquilinos (o modelo fordista). As “novas tecnologias” e a “nova orientação no controle do capital” foram a desculpa para o síndico (o controle empresarial) demolir esse prédio e construir um hotel moderno no lugar (o paradigma flexível). Agora, os moradores não são mais inquilinos com direitos; são hóspedes que podem ser despejados a qualquer momento (flexibilização), ou nem mesmo moram no hotel, apenas prestam serviços quando chamados (terceirização). A vida deles ficou muito mais instável e insegura (precarização). O verdadeiro desafio aqui é entender que a principal crítica não é à arquitetura do novo hotel, mas ao fato de que ele destruiu a segurança e a estabilidade dos moradores.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:
    1. Identificar a Mudança de Paradigma: O que foi substituído pelo quê?
    2. Analisar as Consequências: Quais são os três principais efeitos listados pelo texto como resultado dessa mudança?
    3. Sintetizar a Crítica: Vamos traduzir esses três efeitos em um único conceito que resuma o impacto sobre o trabalhador.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a ferramenta ideal é um Dossiê da Reestruturação Produtiva, que nos ajudará a decodificar os termos técnicos e entender a crítica.

🕵️‍♂️ DOSSIÊ: O CASO DO “PARADIGMA FLEXÍVEL”

  • Modelo Antigo (A Vítima):Taylorista-Fordista
    • Características: Produção em massa, rigidez, estabilidade no emprego, contratos de longo prazo, direitos trabalhistas mais fortes.
  • Novo Modelo (O Suspeito):Paradigma Flexível
    • Facilitado por: “Novas tecnologias”.
    • Objetivo: “nova orientação no controle do capital”, “racionalização”.
  • As Armas do Crime (Os Efeitos Diretos):
    1. Terceirização: A empresa contrata outra empresa para fazer parte do serviço. Resultado: o vínculo do trabalhador com a empresa principal enfraquece, salários e benefícios tendem a diminuir.
    2. Precarização: Perda de qualidade, direitos e segurança no trabalho. Contratos temporários, informalidade, baixos salários.
    3. Flexibilização: As regras do trabalho (jornada, contrato, etc.) se tornam mais “flexíveis” para atender às necessidades da empresa, geralmente resultando em menos garantias para o trabalhador.
  • Síntese dos Efeitos (O Diagnóstico): O que esses três fenômenos têm em comum? Todos eles tornam a relação entre o empregador e o empregado mais instável, insegura e desigual. Eles enfraquecem o lado do trabalhador. O nome disso é FRAGILIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

A investigação do texto mostra que a tecnologia não é a vilã por si só. A crítica é ao uso que o “controle empresarial” faz dela. O texto afirma que o uso de novas tecnologias “pressupõe uma nova orientação no controle do capital”.

E qual é o resultado dessa “nova orientação”? O texto nos entrega a resposta de bandeja: “a terceirização, a precarização e a flexibilização aparecem com constância”.

Essas três palavras são a chave do caso. Elas não são positivas.

  • Terceirizar significa afastar o trabalhador do centro da empresa.
  • Precarizar significa piorar as condições.
  • Flexibilizar significa retirar as seguranças.

O conjunto da obra é a destruição da estabilidade e dos direitos que caracterizavam o modelo anterior. É a criação de um mundo do trabalho mais frágil e inseguro para o empregado.

🚨 ARMADilha CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais comum aqui é focar na tecnologia em si e não no seu uso social. Um leitor pode pensar que a crítica é à “operacionalização da tarefa” (A) ou à “aplicação dos conhecimentos da ciência” (E). Mas o texto é claro ao dizer que o problema não é “apenas um processo técnico”. A crítica não é ao computador ou ao robô, mas à reorganização social que é feita em nome deles.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: O texto argumenta que a implementação de novas tecnologias sob a lógica do “paradigma flexível” teve como principal consequência a deterioração das condições e da segurança do trabalhador.
    • Expectativa: A alternativa correta deve, portanto, capturar essa ideia de deterioração, enfraquecimento, instabilidade ou insegurança nas relações de trabalho.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos confrontar nossa Expectativa com os suspeitos.

A) operacionalização da tarefa laboral.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor pensa que a crítica é sobre como o trabalho é executado.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto critica a relação contratual, não a execução técnica da tarefa.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) capacitação de profissionais liberais.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor associa “novas tecnologias” com “qualificação”.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto não discute a capacitação ou os profissionais liberais.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) fragilização das relações de trabalho.

  • Análise de Correspondência: Encaixe perfeito. “Fragilização das relações de trabalho” é a síntese conceitual exata para o trio “terceirização, precarização e flexibilização”.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

D) hierarquização dos cargos executivos.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor pensa na estrutura da empresa.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto não discute a hierarquia interna ou os cargos executivos.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) aplicação dos conhecimentos da ciência.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor cai na “Armadilha Clássica”.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. A crítica não é à ciência, mas às consequências sociais de sua aplicação sob uma determinada lógica econômica.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa (C) é a correta, pois o texto denuncia como, sob o pretexto da modernização tecnológica, foi implementada uma nova ordem que fragiliza os laços e as garantias que protegiam o trabalhador.

Resumo-flash (A Imagem Mental): A tecnologia prometeu um futuro mais eficiente, mas para muitos trabalhadores, ela entregou um presente mais instável.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O fenômeno descrito no texto é o que o sociólogo Zygmunt Bauman chamou de “Modernidade Líquida” aplicada ao mundo do trabalho. No “mundo sólido” do fordismo, as carreiras, os empregos e os contratos eram feitos para durar, como prédios de concreto. No “mundo líquido” do paradigma flexível, tudo se torna fluido, volátil e incerto. Os contratos são “líquidos”, as carreiras são “líquidas”, a própria ideia de emprego fixo se dissolve. A “terceirização, precarização e flexibilização” são as características dessa liquefação das relações de trabalho, que gera uma enorme ansiedade e insegurança existencial no indivíduo, forçado a “surfar” em um mercado de trabalho que não oferece mais nenhuma terra firme.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.