Questão 49 do Enem 2017 Libras: capoeira no Império – resolução comentada (caderno verde)

A questão 49 do Enem 2017 Libras (caderno verde, Dia 1) é de Ciências Humanas (História) e cobra a capoeira no Rio de Janeiro do século XIX. O gabarito é a alternativa E. Abaixo você confere o enunciado, a resolução passo a passo e por que cada alternativa errada engana tantos candidatos.

Enunciado da questão 49 do Enem 2017 Libras

Na segunda metade do século XIX, a capoeira era uma marca da tradição rebelde da população trabalhadora urbana na maior cidade do Império do Brasil, que reunia escravos e livres, brasileiros e imigrantes, jovens e adultos, negros e brancos. O que mais os unia era pertencer aos porões da sociedade, e na última escala do piso social estavam os escravos africanos

SOARES, C. E. L. Capoeira mata um. In: FIGUEIREDO, L. História do Brasil para ocupados. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.


De acordo com o texto, um fator que contribuiu para a construção da tradição mencionada foi a


A) elitização de ritos católicos.
B) desorganização da vida rural.
C) redução da desigualdade racial.
D) mercantilização da cultura popular.
E) diversificação dos grupos participantes

Resolução da questão 49 do Enem 2017 Libras

Resolução comentada da questão 49

Matérias necessárias para resolver a questão

  • Interpretação de Texto e Fontes Históricas
  • História do Brasil (Segundo Império)
  • Cultura Afro-Brasileira e Formação Social Urbana

Tema e objetivo geral

Tema/Objetivo Geral: Identificar, a partir de um texto-base, o fator social que caracterizava a prática da capoeira no século XIX.

Nível da questão

Nível da Questão: Fácil.

  • Detalhe: A questão é essencialmente de interpretação direta. A resposta é uma paráfrase de uma passagem explícita do texto. As alternativas incorretas são facilmente descartadas por contradizerem o texto ou fugirem completamente ao tema.

Gabarito da questão 49: alternativa E

Gabarito:E) diversificação dos grupos participantes.

  • Justificativa Resumida: A alternativa é a única que sintetiza a lista detalhada que o próprio texto fornece (“escravos e livres, brasileiros e imigrantes…”), que é o ponto central da descrição do autor.

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Passo 1: o que a questão pede (o mapa da mina)

Decodificação do Objetivo: A missão é clara e direta: “Leia a descrição da capoeira no século XIX e aponte qual dos fatores nas alternativas o autor usa para definir essa tradição.” A chave é se ater exclusivamente às pistas fornecidas no texto.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que o texto é a foto de uma festa de aniversário. A questão pergunta: “Olhando para esta foto, o que fez desta festa um evento marcante?”. A resposta está na imagem: não é o bolo, nem a música, mas o fato de que a foto mostra pessoas de todos os tipos e tribos se divertindo juntas. Estamos procurando a característica mais óbvia do grupo retratado.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  • Isolar a “Lista de Convidados”: Vamos destacar no texto a passagem exata que descreve quem praticava a capoeira.
  • Encontrar o Padrão: Analisaremos essa lista para entender qual é a sua característica principal.
  • Criar o “Retrato Falado”: Descreveremos em uma frase o que a alternativa correta precisa afirmar para ser compatível com nossa análise.

Passo 2: capoeira no Império

Para visualizar a essência do texto de forma rápida e clara, vamos usar um Mapa Mental em texto. Ele vai nos ajudar a enxergar o “DNA” do grupo de capoeiristas descrito pelo autor, de maneira direta e intuitiva.

🧠 MAPA MENTAL: O GRUPO DE CAPOEIRISTAS

  • CONCEITO CENTRAL:A Tradição Rebelde da Capoeira (Séc. XIX)
    • QUEM FAZIA PARTE? (Evidências do Texto)
      • → Escravos & Livres (Diferença de Status Legal)
      • → Brasileiros & Imigrantes (Diferença de Nacionalidade)
      • → Jovens & Adultos (Diferença de Geração)
      • → Negros & Brancos (Diferença de Etnia)
  • 💡 SÍNTESE VISUAL: O que esse mapa nos mostra instantaneamente? Não um grupo homogêneo, mas uma imensa MISTURA de pessoas. A característica que salta aos olhos é a DIVERSIDADE dos seus membros.

Passo 3: resolução passo a passo (mão na massa)

Agora, vamos executar nosso plano, focando na cena do crime: o texto.

  1. Execução do Plano (Análise das Pistas): O coração do texto está na frase: “…reunia escravos e livres, brasileiros e imigrantes, jovens e adultos, negros e brancos“. O verbo “reunir” e a longa lista de opostos são as pistas decisivas. O autor gasta a maior parte do seu tempo descrevendo essa mistura, essa variedade de gente.

ARMADILHA CLÁSSICA!
CUIDADO! A armadilha mais sedutora aqui é a alternativa (C). O raciocínio falho é automático: “Capoeira é uma expressão da cultura negra de resistência, logo, ela combate a desigualdade racial”. Embora a capoeira seja um símbolo fundamental da resistência negra, o texto está dizendo algo mais sutil: naquele contexto, ela unia também brancos e imigrantes marginalizados. Portanto, focar apenas na questão racial é uma simplificação que ignora a principal evidência do texto: a diversidade do grupo.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: O texto caracteriza a tradição da capoeira não por um único grupo, mas pela mistura de muitos grupos diferentes. O fator que a construiu, segundo essa fonte, foi sua capacidade de agregar uma grande variedade de pessoas.
    • Expectativa: A alternativa correta precisa usar uma palavra ou ideia que signifique mistura, variedade, pluralidade ou diversidade.

Passo 4: alternativas comentadas (a autópsia)

Vamos confrontar nossa Expectativa com os suspeitos.

  • A) elitização de ritos católicos.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode fazer uma associação genérica e confusa entre cultura popular e religião.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto não menciona religião ou ritos católicos. Além disso, fala dos “porões da sociedade”, o oposto de “elitização”.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) desorganização da vida rural.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode pensar que os praticantes vieram do campo.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O texto afirma claramente que era uma tradição da “população trabalhadora urbana“.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) redução da desigualdade racial.
    • A “Narrativa do Erro”: É a armadilha clássica. O aluno foca na origem afro-brasileira da capoeira e conclui que seu propósito era diminuir a desigualdade.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Causa com Consequência. O texto sugere que a existência da desigualdade (“porões da sociedade”) foi o que uniu o grupo. Ele descreve a capoeira como um espaço de convivência dentro de uma sociedade desigual, não como um fator que reduziu essa desigualdade em escala maior.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) mercantilização da cultura popular.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa na capoeira hoje, com shows para turistas e academias pagas.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Anacronismo. O texto descreve a capoeira no século XIX como uma “tradição rebelde”, uma manifestação social e de resistência, não como um produto a ser vendido.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) diversificação dos grupos participantes.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é um sinônimo perfeito para a nossa Expectativa. A palavra “diversificação” captura com precisão a essência da lista “escravos e livres, brasileiros e imigrantes, jovens e adultos, negros e brancos”.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

Passo 5: resumo e aprendizagem expandida

  • Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa (E) é a correta, pois o texto enfatiza que a força da capoeira como tradição rebelde vinha justamente de sua capacidade de unir uma imensa diversidade de pessoas marginalizadas pela sociedade.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): A capoeira do século XIX não era um clube fechado, mas uma praça pública dos excluídos, onde a única identidade que importava era a de ser um rebelde.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo fenômeno de unificação de grupos diversos e marginalizados em uma expressão cultural pode ser visto no nascimento do Hip-Hop no Bronx, em Nova York, nos anos 1970. Jovens negros, porto-riquenhos e de outras origens, vivendo em um contexto de exclusão e violência urbana, criaram uma cultura (com o rap, o grafite, o breakdance) que se tornou uma identidade unificadora e uma poderosa voz para os sem-voz, exatamente como a capoeira descrita no texto.

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