Fazer 70 anos
Fazer 70 anos não é simples.
A vida exige, para o conseguirmos,
perdas e perdas no íntimo do ser,
como, em volta do ser, mil outras perdas.
[…]
Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião!
Nós o conseguimos…
E sorrimos
de uma vitória comprada por que preço?
Quem jamais o saberá?
ANDRADE, C. D. Amar se aprende amando. São Paulo: Círculo do Livro, 1992 (fragmento)
O pronome oblíquo “o”, nos versos “A vida exige, para o conseguirmos” e “Nós o conseguimos”, garante a progressão temática e o encadeamento textual, recuperando o segmento:
A) “Ó José Carlos”.
B) “perdas e perdas”.
C) “A vida exige”.
D) “Fazer 70 anos”.
E) “irmão-em-Escorpião”.

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão: Interpretação de texto, Coesão referencial, Pronomes oblíquos.
📝 Tema/Objetivo Geral: Identificar o elemento do texto retomado por um pronome oblíquo e compreender sua função na progressão temática.
📊 Nível da Questão: Fácil
🎯 Gabarito: D
Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
A questão pede para identificar a que termo o pronome “o” se refere nos versos “para o conseguirmos” e “Nós o conseguimos”. O objetivo é perceber como o texto mantém a coesão e a progressão temática por meio do uso de um pronome oblíquo que retoma uma ideia anterior.
Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
- Pronomes oblíquos átonos como “o”, “a”, “os”, “as” podem funcionar como elementos de coesão referencial, retomando termos ou ideias já mencionadas no texto.
Esse processo é fundamental para evitar repetições e garantir fluidez na leitura, mantendo a progressão temática e o encadeamento lógico. No caso do pronome “o”, ele está atuando como objeto direto e substitui um termo anteriormente citado — algo que foi “conseguido” pelos sujeitos.
Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
O poema começa com “Fazer 70 anos não é simples”, estabelecendo desde o início o foco temático: a conquista de chegar aos 70 anos de idade. Nos versos “para o conseguirmos” e “Nós o conseguimos”, esse “o” só pode estar retomando a ideia principal já expressa: “fazer 70 anos”. Trata-se, portanto, de uma retomada coesiva que dá continuidade ao raciocínio iniciado no primeiro verso do poema.
Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
O uso do pronome “o” faz parte de uma estrutura que reforça o feito celebrado no poema. Ao dizer “nós o conseguimos”, o eu lírico e o interlocutor estão reafirmando a conquista de ter vivido até os 70 anos — e essa conquista foi mencionada lá no início.
Assim, o pronome “o” substitui a expressão inteira “fazer 70 anos”, funcionando como elo entre o início do poema e os versos posteriores, mantendo a unidade temática e a coesão.
Passo 5: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução
A) “Ó José Carlos”.
❌ Não faz sentido, pois “o” refere-se a uma ação, não a uma pessoa.
B) “perdas e perdas”.
❌ Esse termo está relacionado ao custo da ação, não ao que foi conseguido.
C) “A vida exige”.
❌ Essa é uma oração, não um objeto direto que possa ser retomado por “o”.
D) “Fazer 70 anos”.
✅ Correto. O pronome “o” retoma essa expressão, funcionando como objeto direto da forma verbal “conseguirmos” e “conseguimos”.
E) “irmão-em-Escorpião”.
❌ Refere-se ao interlocutor do poema, não a uma ação ou conquista.
Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
📌 O pronome oblíquo “o” garante a coesão e a continuidade do texto ao retomar o conteúdo do primeiro verso — “fazer 70 anos”. Esse recurso estilístico ajuda a reforçar a conquista celebrada no poema. Portanto, a alternativa correta é a D.
🔍 Resumo Final: A questão trata do uso do pronome “o” como elemento de coesão. Ele retoma “fazer 70 anos”, ideia central do poema, reforçando o tema da superação e da passagem do tempo. Gabarito: D.