
A fotografia exibe a fachada do um supermercado em Foz do Iguaçu, cuja localização transfronteiriça é marcada tanto pelo limite com Argentina o Paraguai quanto pela presença de outros povos. Essa fachada revela o(a)
a) apagamento da identidade linguística.
b) O planejamento linguístico no espaço urbano.
c) presença marcante da tradição oral na cidade.
d) disputa de comunidades linguísticas diferentes.
e) O poluição visual promovida pelo multilinguismo.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Sociolinguística (Paisagem Linguística e Multilinguismo).
- Geografia Humana (Fronteiras e Migrações).
- Interpretação de Texto Não-Verbal (Leitura de Imagem).
Tema/Objetivo Geral:
Compreender como o espaço urbano reflete a diversidade cultural e linguística de uma região, analisando o conceito de Planejamento Linguístico em zonas de fronteira.
Nível da Questão:
Médio.
Justificativa: Requer que o aluno saia do senso comum (que poderia julgar a imagem como “bagunça” ou “poluição”) e aplique um olhar técnico sociológico para identificar uma estratégia de comunicação.
Gabarito:
Letra B – O planejamento linguístico no espaço urbano.
Resumo: A fachada do supermercado não é aleatória; ela foi desenhada intencionalmente com várias línguas para atrair e comunicar-se com os diversos grupos (turistas, vizinhos fronteiriços e imigrantes) que circulam em Foz do Iguaçu.
Resolução Passo a Passo
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
A Missão:
A questão nos mostra uma foto de um supermercado em Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai, Argentina). Na parede, a palavra “Supermercado” está traduzida para várias línguas (Português, Inglês, Alemão, Espanhol, Chinês, Árabe).
A missão é identificar o que essa escolha visual revela sobre a organização da cidade. Por que o dono do mercado gastou tinta com 6 idiomas diferentes?
A Analogia Central (A Torre de Babel Organizada):
Imagine que você vai dar uma festa e sabe que virão convidados de cinco países diferentes. Para que todos se sintam bem-vindos e saibam onde está o banheiro, você coloca placas em todas as línguas deles.
O supermercado fez exatamente isso. A fachada é um “convite universal”. A questão quer o nome técnico dessa estratégia de “convidar todo mundo na sua própria língua”.
Nosso Plano de Ataque:
- Analisar o contexto geográfico (Foz do Iguaçu = Fronteira + Turismo + Imigração Árabe e Asiática).
- Interpretar a imagem como uma ferramenta de comunicação, não como arte.
- Associar essa estratégia ao conceito de “Planejamento Linguístico”.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos usar a ferramenta da Sociolinguística Urbana:
| O Fenômeno | A Explicação Técnica |
| Onde estamos? | Zona de contato intercultural (Fronteira). |
| O que vemos? | Várias línguas ocupando o mesmo espaço público (Paisagem Linguística). |
| Por que foi feito? | Para garantir a inteligibilidade e o acolhimento comercial. Isso exige uma decisão consciente, ou seja, um Planejamento. |
Conceito-Chave: Planejamento Linguístico.
Geralmente pensamos nisso como “leis do governo”, mas também ocorre no setor privado (microplanejamento). Quando uma empresa decide usar certas línguas na sua fachada para atingir seu público-alvo, ela está executando um planejamento linguístico do espaço urbano.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Olhe atentamente para a imagem.
De cima para baixo, vemos variações da palavra “Supermercado”:
- Supermercado (Português – Língua oficial).
- Supermarket (Inglês – Língua franca do turismo).
- Supermarkt (Alemão – Turistas ou imigrantes).
- Tienda (Espanhol – Vizinhos argentinos e paraguaios).
- Ideogramas (Chinês – Comunidade imigrante comercial).
- Escrita Árabe (Foz tem uma das maiores comunidades árabes do Brasil).
Isso não é um acidente. O dono do mercado não “tropeçou” e escreveu em árabe. Ele planejou isso para sinalizar: “Eu vendo para todos vocês”.
A fachada revela que a cidade é um espaço de convivência multicultural e que a língua é usada como ferramenta estratégica de inclusão comercial.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com o preconceito estético!
Muitos alunos olham a imagem e pensam: “Nossa, que feio, quanta informação misturada!”. Aí correm para marcar a alternativa que fala em “poluição visual” ou “apagamento”.
Lembre-se: A prova do ENEM/Vestibulares busca uma análise sociológica, não uma crítica de design gráfico. O fenômeno é de inclusão e estratégia, não de sujeira ou bagunça.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A imagem prova que diferentes línguas coexistem no espaço público de forma organizada para fins comerciais.
- Expectativa: Devemos buscar alternativas que falem sobre “organização”, “planejamento”, “estratégia” ou “convivência”.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
a) apagamento da identidade linguística.
- Diagnóstico do Erro: Contradição Visual.
- Análise: O português (“Supermercado”) está lá, no topo, bem grande. Ele não foi apagado. O que houve foi o acréscimo de outras identidades. Apagamento seria se proibissem o uso de línguas estrangeiras ou se o português sumisse.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
b) O planejamento linguístico no espaço urbano.
- Análise: Perfeita. O uso de múltiplas línguas em uma fachada comercial em uma zona de fronteira não é aleatório; é uma decisão deliberada (planejada) para interagir com a demografia local e os turistas. A fachada reflete a organização linguística daquela cidade específica.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
c) presença marcante da tradição oral na cidade.
- Diagnóstico do Erro: Incoerência de Modalidade.
- Análise: A imagem mostra escrita (placas, letreiros). Tradição oral refere-se à fala, contação de histórias, sotaques. Uma placa não prova tradição oral; prova tradição letrada/escrita.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
d) disputa de comunidades linguísticas diferentes.
- Diagnóstico do Erro: Interpretação de Conflito Inexistente.
- Análise: As línguas estão uma embaixo da outra, coexistindo na mesma parede. Não há pichações riscando o espanhol ou cobrindo o inglês. Não há disputa visual, há convivência e soma.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
e) O poluição visual promovida pelo multilinguismo.
- Análise: 🟡 PARCIALMENTE CORRETA / O DISTRATOR DO SENSO COMUM.
- Por que atrai: Alguém mais exigente com design ou leis de “Cidade Limpa” poderia considerar isso poluição visual (excesso de elementos).
- Por que falha: O termo “poluição visual” carrega um juízo de valor negativo e subjetivo. Sociolinguisticamente, o multilinguismo é visto como riqueza cultural e adaptação, não como sujeira. A questão pede o que a fachada revela sobre a fronteira, e o fato sociológico mais forte é o planejamento para a diversidade, não a estética da placa.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
A língua não serve apenas para falar; ela serve para marcar território e acolher. Numa fronteira, ser poliglota é a melhor forma de fazer negócios.
Resumo-flash: ⚡
“Se o cliente fala árabe, a parede também fala: isso não é bagunça, é estratégia.”
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Pesquise sobre o conceito de Paisagem Linguística (Linguistic Landscape). Estudiosos andam pelas cidades fotografando placas para entender quem detém o poder, quem são os imigrantes e como a cidade “fala”. Em Tóquio, por exemplo, o inglês cresceu nas placas para as Olimpíadas (Planejamento). Em Quebec (Canadá), leis obrigam o francês a ser maior que o inglês (Planejamento/Política).
