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Questão 173, caderno azul do ENEM 2018

Os guindastes são fundamentais em canteiros de obras, no manejo de materiais pesados como vigas de aço.
A figura ilustra uma sequência de estágios em que um guindaste iça uma viga de aço que se encontra inicialmente no solo.

Na figura, o ponto O representa a projeção ortogonal do cabo de aço sobre o plano do chão e este se mantém
na vertical durante todo o movimento de içamento da viga, que se inicia no tempo t = 0 (estágio 1) e finaliza no
tempo tf (estágio 3). Uma das extremidades da viga é içada verticalmente a partir do ponto O, enquanto que a outra extremidade desliza sobre o solo em direção ao ponto O. Considere que o cabo de aço utilizado pelo guindaste para içar a viga fique sempre na posição vertical. Na figura, o ponto M representa o ponto médio do segmento que representa a viga.

O gráfico que descreve a distância do ponto M ao ponto O, em função do tempo, entre t = 0 e tf é

 Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Geometria Plana (Triângulos Retângulos e Propriedades da Mediana), Geometria Analítica (Distância entre pontos), Análise de Gráficos.

Tema/Objetivo Geral
Análise geométrica de um sistema em movimento (Cinemática Geométrica).

Nível da Questão: Difícil.

  • A dificuldade reside na contra-intuição. A viga se move e muda de posição, o que leva o cérebro a acreditar, erroneamente, que a distância do ponto médio também deve mudar. Provar que algo em movimento permanece com uma distância fixa exige um domínio sólido de propriedades geométricas que raramente são testadas de forma tão isolada.

Gabarito: Alternativa A.

  • A distância permanece constante durante todo o trajeto.

 PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
Temos uma viga de aço rígida sendo levantada. Ela forma, junto com o chão e o cabo vertical, um triângulo retângulo que muda de formato a cada segundo. O problema exige que monitoremos a distância entre o vértice do ângulo reto (ponto O, no chão) e o ponto médio da viga (ponto M). Precisamos traduzir esse comportamento físico em um gráfico de Distância x Tempo.

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um relógio de ponteiros. O centro do relógio é o ponto M (meio da viga) e o ponteiro é a metade da viga que vai até o ponto O. Se girarmos esse “relógio” (a viga mudando de posição), o tamanho do ponteiro muda? Não. Vamos provar matematicamente que a viga funciona exatamente como o diâmetro de uma circunferência invisível.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  • Debate Conceitual: Usar um diálogo para desconstruir a ideia de que “se mexe, a distância muda”.
  • Prova Geométrica: Aplicar a propriedade da Mediana em Triângulos Retângulos para fixar o valor da distância.
  • Análise de Extremos: Verificar o início e o fim do movimento para confirmar a teoria.

 PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Formato: Diálogo Mentor-Aluno (Investigação Conceitual)

Mentor: Vamos analisar a estrutura. O que a viga, o cabo de aço e o chão formam juntos?

Aluno: Formam um triângulo. O cabo é vertical e o chão é horizontal, então é um triângulo retângulo. A viga seria a hipotenusa.

Mentor: Exato. Agora, a viga está subindo. O triângulo muda de formato, ficando mais “alto” e menos “largo”. O que sua intuição diz sobre a distância do ponto O (o canto de 90 graus) até o ponto M (o meio da hipotenusa)?

Aluno: Minha intuição diz que a distância diminui. A viga está sendo puxada para perto da parede, o pé da viga desliza em direção ao ponto O… parece óbvio que o ponto M vai chegar mais perto do ponto O.

Mentor: Essa é a armadilha visual. Vamos congelar a imagem. Em qualquer triângulo retângulo, se você traçar uma linha do ângulo reto até o meio da hipotenusa, essa linha tem um nome. Qual é?

Aluno: É a mediana relativa à hipotenusa.

Mentor: Perfeito. Existe uma propriedade fundamental, quase mágica, sobre essa mediana específica. Você se lembra dela?

Aluno: Não lembro exatamente. Acho que ela divide a área ao meio?

Mentor: Divide a área, sim, mas faz algo mais importante para nós. A mediana relativa à hipotenusa mede exatamente metade do valor da hipotenusa. Sempre. Imagine uma circunferência onde a viga é o diâmetro. Onde estaria o ponto M?

Aluno: Se a viga é o diâmetro, o ponto M é o centro da circunferência.

Mentor: E onde estaria o ponto O, o ângulo de 90 graus?

Aluno: Pelo Teorema do Arco Capaz, qualquer ponto que “enxerga” o diâmetro sob 90 graus está em cima da circunferência. Então o ponto O está na borda da circunferência.

Mentor: Brilhante. Agora, qual é a distância do centro da circunferência (M) até um ponto qualquer na borda (O)?

Aluno: É o raio.

Mentor: E o raio muda de tamanho enquanto a roda gira?

Aluno: Não… o raio é constante.

Mentor: Então, não importa como a viga se mova. Enquanto ela for a hipotenusa e o ponto O for o ângulo reto, a distância entre eles é o raio dessa circunferência imaginária. Ela é invariável.

Aluno: Nossa. Então mesmo que a viga se mova, a distância M até O é travada?

Mentor: Travada. Matematicamente constante.


 PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora que a intuição foi corrigida pelo diálogo, vamos provar isso com os dados do problema para ter certeza absoluta.

1. Definindo as Variáveis:
Vamos chamar o comprimento total da viga de L.
O problema diz que M é o ponto médio. Portanto, ele divide a viga em dois pedaços de tamanho L/2.

2. O Teste dos Extremos (O Filme do Movimento):

  • Cena 1: O Início (t = 0)
    A viga está totalmente deitada no chão.
    O ponto O é a extremidade do cabo. O ponto M está no meio da viga, deitada no solo.
    A distância de O até M é simplesmente a medida física no chão.
    Distância Inicial = L/2.
  • Cena 2: O Momento Intermediário (0 < t < final)
    A viga está inclinada. Temos um triângulo retângulo.
    Pela propriedade discutida no diálogo (Mediana relativa à Hipotenusa), a distância do vértice reto (O) ao ponto médio (M) é igual à metade da hipotenusa.
    Distância Intermediária = L/2.
  • Cena 3: O Final (t = final)
    A viga está totalmente vertical, colada ao cabo de aço.
    O ponto O está no pé do cabo. O ponto M está na altura média da viga vertical.
    A distância de O até M é a altura vertical.
    Distância Final = L/2.

3. Conclusão Matemática Irrefutável:
Em todos os instantes de tempo, do segundo zero ao segundo final, o valor da distância foi exatamente o mesmo: L/2.
Se uma grandeza não muda com o passar do tempo, dizemos que ela é CONSTANTE.

4. A Tradução para o Gráfico:
Devemos procurar um gráfico que mostre uma função constante.
Visualmente, uma função constante em um gráfico cartesiano (eixo Y = Distância, eixo X = Tempo) é representada por uma reta horizontal paralela ao eixo do tempo.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
O erro de “Reducionismo Visual” é fatal aqui. O aluno foca no movimento da base da viga (que realmente se aproxima de O, distância diminuindo) e projeta esse comportamento para o ponto médio. O erro é ignorar que o movimento vertical (subida) compensa exatamente a aproximação horizontal. É um sistema perfeitamente equilibrado geometricamente.

A Bússola (O Perfil do Culpado):
Síntese do raciocínio: Provamos via propriedade da mediana e análise de circunferência que a distância é fixa (raio).
Expectativa: Procuramos uma linha reta horizontal.


PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos analisar qual gráfico conta a história correta.

(A)
Análise de Correspondência: Este gráfico apresenta uma reta horizontal. Isso significa que, para qualquer valor de tempo (eixo x), a distância (eixo y) é a mesma. Isso reflete perfeitamente a nossa conclusão de que a distância é constante (L/2).
Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

(B)
O Diagnóstico do Erro: O gráfico mostra uma reta subindo (função crescente). Isso implicaria que o ponto M está se afastando cada vez mais de O, como se a viga estivesse inflando. Fisicamente impossível.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

(C)
O Diagnóstico do Erro: O gráfico mostra uma reta descendo (função decrescente). É a resposta favorita da “intuição ingênua”. O candidato acha que, porque a viga se aproxima da parede, a distância diminui linearmente.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

(D)
O Diagnóstico do Erro: Mostra uma parábola côncava (sobe e desce). Sugere que a distância aumenta no meio do processo e depois diminui. Sem base geométrica.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

(E)
O Diagnóstico do Erro: Mostra uma parábola convexa (desce e sobe). Sugere que o ponto M chega muito perto de O e depois se afasta. Isso ocorreria se o ponto O estivesse “fora” do eixo de rotação natural da viga, o que não é o caso.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.


 PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A mediana relativa à hipotenusa de um triângulo retângulo é um invariante geométrico: ela sempre mede metade da hipotenusa, transformando o movimento da viga em um arco de circunferência perfeito.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
“A viga girando é apenas o raio de uma bicicleta invisível; o centro nunca se aproxima nem se afasta do pneu.”

Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este conceito é vital na Robótica. Ao projetar braços robóticos ou guindastes articulados, engenheiros usam essa propriedade para calcular “pontos mortos” e garantir que o braço não colida consigo mesmo. Se o engenheiro não souber que a distância do cotovelo ao eixo é constante em certas rotações, o robô pode falhar catastroficamente.

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