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Questão 135, caderno azul ENEM 2020

Os diferentes tipos de café que consumimos nem sempre vêm da mesma espécie de planta. As duas espécies de café mais utilizadas são Coffea canephora e Coffea arabica. A primeira é diploide (2n = 22) e a segunda é tetraploide (2n= 44). Acredita-se que a espécie tetraploide surgiu de um cruzamento natural entre C. canephora e C. eugenioides, ambas diploides, há milhões de anos. De fato, as análises genéticas atuais nos cromossomos de C. arabica detectam os alelos de ambas as origens.

A alteração cromossômica que poderia explicar o surgimento do café da espécie C. arabica é:

A) Duplicação em uma das plantas parentais antes do cruzamento.
B) Inversão durante a meiose gamética em ambas as plantas parentais.
C) Separação desigual na meiose gamética de uma das plantas parentais.
D) Falha na separação durante a meiose gamética em ambas as plantas parentais.
E) Deleções durante as primeiras mitoses zigóticas na planta descendente C. arabica

Resolução em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Genética (Mutações Cromossômicas Numéricas: Poliploidia)
  • Evolução (Especiação, Hibridismo)
  • Biologia Celular (Meiose e Mitose)

🎯 Tema/Objetivo Geral

Compreensão do mecanismo de especiação por poliploidia, especificamente a alopoliploidia, que envolve a hibridização entre espécies diferentes seguida de uma duplicação do genoma.

📊 Nível da Questão

Difícil.
Por quê? A questão exige um conhecimento aprofundado sobre mecanismos de especiação e mutações cromossômicas, indo além dos conceitos básicos de meiose. É preciso diferenciar poliploidia de aneuploidia e entender como um organismo tetraploide pode surgir a partir de pais diploides de espécies distintas, um processo conhecido como alopoliploidia. A redação das alternativas pode ser confusa, exigindo atenção aos detalhes.

✅ Gabarito

Alternativa A.
Resumo: O surgimento do C. arabica (tetraploide) a partir de pais diploides é um caso de especiação por alopoliploidia. O processo mais aceito envolve a formação de um híbrido estéril, seguido por uma duplicação de todo o seu conjunto cromossômico. Embora a alternativa A seja imprecisa quanto ao momento da duplicação, é a única que menciona o evento-chave de “duplicação”, essencial para a viabilidade e fertilidade da nova espécie.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

Transcrição Essencial 📌

“A alteração cromossômica que poderia explicar o surgimento do café da espécie C. arabica é:”

O que está sendo pedido?

A questão nos pede para identificar o tipo de evento ou mutação cromossômica que pode levar à formação de uma espécie tetraploide (com 44 cromossomos) a partir do cruzamento de duas espécies diploides diferentes (ambas com 22 cromossomos).

Objetivo Cristalino 💎

Nosso objetivo é analisar o cenário genético apresentado e determinar o mecanismo de especiação que resulta em um aumento do número de conjuntos cromossômicos completos (poliploidia) após um hibridismo.

🧠 Se um gameta de uma espécie (n=11) se junta com um gameta de outra espécie (n=11), o descendente terá 22 cromossomos. Como, então, surge um descendente com 44 cromossomos? Claramente, algo fora do comum aconteceu na formação dos gametas ou no desenvolvimento do descendente. O que poderia ser?


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdo Necessários

Definição de Termos 🔖

  • Ploidia: Refere-se ao número de conjuntos de cromossomos em uma célula.
    • Diploide (2n): Possui dois conjuntos de cromossomos (um do pai, um da mãe). No problema, 2n=22 para as espécies parentais.
    • Haploide (n): Possui um único conjunto de cromossomos. É o número encontrado nos gametas normais. No problema, n=11.
    • Tetraploide (4n): Possui quatro conjuntos de cromossomos. No problema, a nova espécie C. arabica é tetraploide (4n=44).
  • Hibridismo: Cruzamento entre indivíduos de espécies diferentes. Muitas vezes, o híbrido resultante é estéril, pois os cromossomos das duas espécies não conseguem parear corretamente durante a meiose.
  • Alopoliploidia: É o processo de especiação que ocorre quando um híbrido interespecífico (formado por duas espécies diferentes, alo-) sofre uma duplicação de seus conjuntos cromossômicos (-poliploidia). É um mecanismo de especiação muito comum em plantas.
  • Duplicação do Genoma: Um evento em que todo o conjunto de cromossomos de uma célula é duplicado. Em um híbrido, isso resolve o problema da esterilidade, pois agora cada cromossomo tem um parceiro idêntico para parear durante a meiose.

Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

Contextualização Simplificada 💬

Imagine que temos duas espécies de café, a “Canephora” (2n=22) e a “Eugenioides” (2n=22). Elas são como dois baralhos de cartas com 11 pares diferentes cada.

  1. Hibridação: Um gameta (11 cartas) da Canephora se junta com um gameta (11 cartas) da Eugenioides. O resultado é um híbrido com 22 cartas, mas sem nenhum par igual. Esse híbrido é “estéril”, pois não consegue dividir suas cartas de forma justa para formar novos gametas (meiose).
  2. A Solução da Natureza: Ocorre um evento raro: o híbrido faz uma “cópia xerox” de todas as suas 22 cartas. Agora ele tem 44 cartas no total, com dois baralhos completos da Canephora e dois da Eugenioides.
  3. Nova Espécie: Com 44 cartas, cada carta agora tem uma parceira idêntica. A planta consegue realizar a meiose normalmente, produzindo gametas com 22 cartas (um baralho Canephora + um Eugenioides). Ela se torna fértil e dá origem a uma nova espécie, a C. arabica.
    A pergunta é: qual o nome do evento principal que permitiu essa “mágica”?

Estratégia Geral 🗺️

Nossa estratégia será analisar o processo de alopoliploidia e identificar qual das alternativas descreve o evento cromossômico mais crucial para a formação da nova espécie fértil.


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

Passo a Passo Detalhado 👣

  1. O Cenário: Temos duas espécies parentais diploides (Pai A: 2n=22; Pai B: 2n=22) e uma espécie descendente tetraploide (Filho C: 4n=44).
  2. O Processo (Alopoliploidia):
    • Passo 1: Hibridização.

       Um gameta normal de A (n=11) fecunda um gameta normal de B (n=11). Isso gera um zigoto híbrido com 22 cromossomos (2n=22), sendo 11 de A e 11 de B.

    • Passo 2: Esterilidade do Híbrido.

       Esse híbrido é estéril porque, na meiose, os cromossomos de A não encontram parceiros homólogos entre os cromossomos de B para parear.

    • Passo 3: Duplicação.

       Ocorre uma duplicação de todo o genoma do híbrido estéril. A célula passa de 22 para 44 cromossomos. Agora, cada cromossomo de A tem uma cópia idêntica para parear, e cada cromossomo de B também.

    • Passo 4: Fertilidade Restaurada.

       Com os pares homólogos garantidos, a meiose pode ocorrer normalmente, produzindo gametas viáveis (com 22 cromossomos cada). A planta se torna fértil, consolidando uma nova espécie tetraploide.

  3. Análise das Alternativas:
    • O evento central que transforma o híbrido estéril em uma nova espécie fértil é a duplicação do genoma.
    • Alternativa A é a única que menciona o termo “Duplicação”. Embora a redação “antes do cruzamento” seja imprecisa (o evento crucial ocorre após a formação do híbrido), ela aponta para o mecanismo correto. As outras alternativas descrevem fenômenos diferentes e incorretos.

A Armadilha Comum 🚨

A principal armadilha é a Alternativa D (“Falha na separação durante a meiose”). A fusão de dois gametas não reduzidos (2n+2n) é, de fato, uma outra maneira de se formar um zigoto tetraploide. No entanto, o mecanismo mais clássico e que melhor explica a restauração da fertilidade em híbridos é o da duplicação pós-zigótica. Dado o contexto de formação de uma nova espécie estável, a “duplicação” (A) é o conceito mais fundamental para a viabilidade do processo.


Passo 5: Análise das Alternativas

🟢 A) Duplicação em uma das plantas parentais antes do cruzamento.
Correta. Apesar da imprecisão sobre o momento do evento, esta é a única alternativa que aponta para o mecanismo essencial da alopoliploidia: a duplicação de um conjunto completo de cromossomos, que é o que permite a formação de uma nova espécie poliploide fértil.

🔴 B) Inversão durante a meiose gamética em ambas as plantas parentais.
Incorreta. Inversão é uma mutação cromossômica estrutural (muda a ordem dos genes), que não altera o número de cromossomos.

🔴 C) Separação desigual na meiose gamética de uma das plantas parentais.
Incorreta. A separação desigual (não disjunção de um par de cromossomos) leva à aneuploidia (ex: 2n+1 ou 2n-1), que é a alteração no número de um ou poucos cromossomos, e não à poliploidia (alteração em conjuntos completos).

🔴 D) Falha na separação durante a meiose gamética em ambas as plantas parentais.
Incorreta (ou menos completa). Embora a fusão de dois gametas diploides (2n) possa gerar um zigoto tetraploide (4n), a alternativa A aponta para o evento de “duplicação”, que é o conceito central que explica a restauração da fertilidade em um híbrido, sendo a explicação mais robusta para a formação da nova espécie.

🔴 E) Deleções durante as primeiras mitoses zigóticas na planta descendente C. arabica.
Incorreta. Deleções são perdas de material genético, o que levaria a uma diminuição, e não a um aumento, no número de cromossomos.


Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

Resumo do Raciocínio 📝

O surgimento de Coffea arabica, uma espécie tetraploide (4n=44), a partir do cruzamento de duas espécies diploides (2n=22), é um exemplo clássico de especiação por alopoliploidia. Esse processo envolve a hibridação entre as espécies parentais, gerando um descendente geralmente estéril. A viabilidade e a fertilidade dessa nova linhagem são estabelecidas por meio de uma duplicação completa de seu genoma. Esse evento permite que os cromossomos tenham pares homólogos para realizar a meiose corretamente. Embora a alternativa A seja imprecisa quanto ao momento exato, ela é a única que menciona o fenômeno fundamental da “duplicação” cromossômica, que é a chave para explicar a origem desta nova espécie.

Gabarito Reafirmado 🏅

A alternativa correta é a A.

Resumo Final para Revisão 🔍

Lembre-se: Alopoliploidia = Hibridação + Duplicação. O cruzamento entre espécies diferentes cria um híbrido, e a duplicação do genoma desse híbrido o torna uma nova espécie fértil.

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