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Questão 119, caderno azul do ENEM 2013

Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para o efeito de humor está indicado pelo(a)

A) emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra da expectativa ao final.

B) uso de conjunção aditiva, que cria uma relação de causa e efeito entre as ações.

C) retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos

D) utilização da forma pronominal “la”, que reflete um tratamento formal do filho em relação à “mãe”.

E) repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de adição existente entre as orações.

✍️ Resolução Em Texto

🎯 Tema/Objetivo Geral:
Analisar recursos morfossintáticos responsáveis pelo efeito de humor em uma charge, com foco nas relações estabelecidas entre orações (especialmente adversativas).

📚 Necessárias para a Solução da Questão:

  • Interpretação de texto
  • Reconhecimento de efeitos de humor
  • Período composto por coordenação
  • Conjunções adversativas
  • Relações de sentido entre orações

🎯 Nível da Questão:
Médio

Gabarito:
Alternativa A


📖 Resolução Passo a Passo

🔎 Passo 1: Análise do Comando e Objetivo

Comando da questão:
“Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para o efeito de humor está indicado pelo(a)…”

➡️ O que o comando quer?
Quer que o aluno identifique qual recurso da estrutura morfossintática (ou seja, da forma e da organização das palavras na frase) contribui diretamente para o humor da charge.

➡️ Objetivo Cristalino da questão:
Detectar qual elemento gramatical, dentro da organização das orações, provoca a quebra de expectativa — um dos principais mecanismos do humor em tirinhas e charges.

Possíveis Armadilhas:

  • Ignorar a função lógica entre as orações e focar apenas em palavras isoladas.
  • Interpretar “recurso morfossintático” como sendo apenas vocabulário, sem observar a estrutura da frase como um todo.
  • Confundir conjunção adversativa com aditiva ou explicativa.

📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e conteúdos Necessários

Conceito Explicação
Recurso morfossintático Qualquer elemento da estrutura da frase que envolva forma (morfologia) e relação entre termos (sintaxe).
Conjunção adversativa Conector que expressa oposição entre ideias, como “mas”, “porém”, “contudo”.
Quebra de expectativa (efeito de humor) Técnica que surpreende o leitor ao apresentar um desfecho inesperado em relação à construção anterior.
Humor por ironia O personagem age de forma contrária ao que se esperava, gerando um contraste cômico.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto

Contexto da charge:
Um personagem está refletindo sobre a preguiça, utilizando o famoso ditado: “A preguiça é a mãe de todos os vícios.” Isso dá a entender que ele fará uma crítica a esse comportamento. No entanto, a segunda parte da fala — introduzida por “mas” — rompe a expectativa: ao invés de manter o tom crítico, ele passa a justificar a própria preguiça, dizendo que, por respeito à mãe (a preguiça), ele não se levantará.

Frase-chave:

“A preguiça é a mãe de todos os vícios, mas como todo bom filho, eu respeito minha mãe… e não me levanto.”

➡️ Essa transição cria o humor: do tom sério, o leitor é levado a um raciocínio cômico, gerado pela oposição lógica entre os dois enunciados.


Passo 4: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução

🟢 A) Emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra da expectativa ao final.
✔ Correta! A conjunção “mas” introduz uma ideia contrária à anterior, e é justamente isso que constrói o humor: a primeira oração aponta a preguiça como vício; a segunda, em vez de condená-la, justifica o comportamento preguiçoso, usando um raciocínio irônico com base no provérbio.

🔴 B) Uso de conjunção aditiva, que cria uma relação de causa e efeito entre as ações.
✘ Errada. Não há conjunção aditiva (como “e”, “também”, “além disso”) nem uma relação de causa e consequência.
👉 Como estaria correta: Se a conjunção fosse algo como “e por isso”, indicando adição com explicação ou consequência.

🟡 C) Retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos.
✘ Parcialmente correta, mas não é o foco da construção morfossintática do humor. O substantivo “mãe” é, de fato, retomado, mas isso faz parte do conteúdo semântico e não da estrutura que quebra a expectativa.
👉 Como estaria correta: Se a pergunta pedisse uma análise semântica (de sentido) ou coesiva (de retomada lexical).

🔴 D) Utilização da forma pronominal “la”, que reflete um tratamento formal do filho em relação à “mãe”.
✘ Errada. A forma “la” não aparece na charge. Além disso, o tratamento formal não se encaixa no contexto da piada, que é informal e irônica.
👉 Como estaria correta: Se houvesse um uso explícito de pronome oblíquo átono como “la” e o foco fosse a formalidade ou estilo de tratamento.

🔴 E) Repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de adição existente entre as orações.
✘ Errada. O verbo “é” aparece apenas na primeira oração (“A preguiça é a mãe…”), não há repetição. Além disso, as orações não são aditivas, e sim opositivas, ligadas por “mas”.
👉 Como estaria correta: Se houvesse repetição do verbo e ela tivesse efeito de reforço ou insistência (por exemplo: “Ela é assim, é teimosa, é insistente…”).


🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final

O humor da charge surge da contradição proposital criada pelo uso da conjunção “mas”, que introduz uma ideia que rompe com a lógica esperada: ao invés de criticar a preguiça, o personagem acaba justificando-a por um raciocínio bem-humorado. Esse recurso de oposição, típico das orações coordenadas adversativas, é o que define o efeito cômico. Por isso, a alternativa A é a única que identifica corretamente o elemento morfossintático responsável pelo humor.

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