Questão 107 caderno verde ENEM 2017 Libras 2° Dia

 O dióxido de nitrogênio é um gás tóxico produzido por motores de combustão interna e, para a sua detecção, foram construídos alguns sensores elétricos. Os desempenhos dos sensores foram investigados por meio de medições de resistência elétrica do ar na presença e ausência dos poluentes NO2 e CO, cujos resultados estão organizados no quadro. Selecionou-se apenas um dos sensores, por ter apresentado o melhor desempenho na detecção do dióxido de nitrogênio.

Qual sensor foi selecionado?

A) I

B) II

C) III

D) IV

E) V

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Análise e Interpretação de Dados em Tabelas
  • Notação Científica
  • Raciocínio Proporcional (Cálculo de Variação)
  • Conceitos de Sensibilidade e Seletividade de Sensores

Tema/Objetivo Geral: Análise comparativa de dados experimentais para selecionar o dispositivo tecnológico com o melhor desempenho com base em múltiplos critérios.

Nível da Questão:Médio.

  • Detalhe: A questão não exige apenas a identificação do maior valor. Ela demanda um raciocínio em duas etapas: entender o que define um “bom desempenho” (alta sensibilidade ao alvo e baixa reatividade a interferentes) e, em seguida, analisar as proporções de variação para cada sensor, o que a torna mais complexa do que uma simples leitura de tabela.

Gabarito:D) IV

  • Explicação Resumida: O sensor IV é o escolhido porque apresenta a combinação ideal: uma variação de resistência extremamente alta na presença de NO₂ (sinal forte) e uma variação quase insignificante na presença de CO (ignora o “ruído”).

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A missão é atuar como um engenheiro de controle de qualidade. Precisamos analisar os dados da tabela para identificar qual dos cinco sensores é o “funcionário do mês” – o mais eficiente e confiável para detectar especificamente o gás NO₂.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense nisso como treinar um cão farejador. Queremos um cão que enlouqueça (late muito alto) ao sentir o cheiro de um explosivo (o NO₂), mas que não dê a mínima para um pedaço de pão que alguém deixou cair por perto (o CO). Um cão que late para tudo é inútil, pois gera alarmes falsos. O verdadeiro desafio aqui é encontrar o sensor mais “focado” na sua tarefa.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  • Definir “Melhor Desempenho”: Vamos estabelecer os dois critérios cruciais que nosso sensor “campeão” deve ter: alta sensibilidade e alta seletividade.
  • Investigar a Sensibilidade: Para cada sensor, vamos calcular o “volume do latido” para o NO₂ – ou seja, o quanto a resistência aumenta em relação ao ar puro.
  • Investigar a Seletividade: Faremos o mesmo para o CO, medindo o quanto cada sensor reage ao “alarme falso”.
  • Cruzar os Dados e Identificar o Culpado: Vamos comparar os resultados e encontrar o sensor que tem a maior reação ao NO₂ e, ao mesmo tempo, a menor reação ao CO.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para decifrar este caso, precisamos preencher a ficha técnica do nosso “Sensor Perfeito”. Ele precisa ter duas habilidades principais:

  • Dossiê: O Perfil do Sensor Ideal 🕵️‍♂️
    • Habilidade #1: Sensibilidade (O Grito de Alerta)
      • Definição: É a capacidade do sensor de reagir FORTEMENTE na presença do gás que ele deve detectar (o NO₂).
      • Na Prática: Buscamos a MAIOR VARIAÇÃO possível na resistência elétrica quando o sensor sai do “Ar puro” e entra em contato com o “Ar com NO₂”. Um grande aumento significa um sinal claro, um “grito” impossível de ignorar.
    • Habilidade #2: Seletividade (A Ignorância Seletiva)
      • Definição: É a capacidade do sensor de IGNORAR outros gases que não são o alvo (como o CO). Ele precisa ser “especialista”, não “generalista”.
      • Na Prática: Buscamos a MENOR VARIAÇÃO possível na resistência quando o sensor sai do “Ar puro” e entra em contato com o “Ar com CO”. Uma variação pequena significa que ele não se confunde e não gera alarmes falsos.
    • Conclusão do Dossiê: O melhor sensor terá a maior razão (Resistência com NO₂ / Resistência com ar) e, simultaneamente, a menor razão (Resistência com CO / Resistência com ar).

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos agora executar nosso plano e analisar os dados de cada “suspeito”, calculando a variação de sua resistência. Faremos isso calculando a razão entre a resistência na presença do gás e a resistência no ar puro.

  • Sensor I:
    • Sensibilidade (NO₂): (3,2 x 10³) / (4,0 x 10²) = 8. A resistência aumentou 8 vezes.
    • Seletividade (CO): (1,2 x 10³) / (4,0 x 10²) = 3. A resistência aumentou 3 vezes. (Reage bastante ao CO).
  • Sensor II:
    • Sensibilidade (NO₂): (3,8 x 10⁵) / (5,2 x 10²) ≈ 730. A resistência aumentou ~730 vezes. (Muito sensível!)
    • Seletividade (CO): (7,3 x 10⁴) / (5,2 x 10²) ≈ 140. A resistência aumentou ~140 vezes. (Reage demais ao CO!).
  • Sensor III:
    • Sensibilidade (NO₂): (5,6 x 10³) / (8,3 x 10²) ≈ 6,7. A resistência aumentou ~6,7 vezes. (Sensibilidade baixa).
    • Seletividade (CO): (2,5 x 10⁵) / (8,3 x 10²) ≈ 301. A resistência aumentou ~301 vezes. (Péssimo, reage mais ao CO do que ao NO₂!).
  • Sensor IV:
    • Sensibilidade (NO₂): (8,2 x 10⁵) / (1,5 x 10³) ≈ 547. A resistência aumentou ~547 vezes. (Sensibilidade excelente!).
    • Seletividade (CO): (1,7 x 10³) / (1,5 x 10³) ≈ 1,13. A resistência quase não mudou. (Seletividade Perfeita!).
  • Sensor V:
    • Sensibilidade (NO₂): (9,3 x 10⁵) / (7,8 x 10⁴) ≈ 11,9. A resistência aumentou ~11,9 vezes. (Sensibilidade muito baixa).
    • Seletividade (CO): (8,1 x 10⁴) / (7,8 x 10⁴) ≈ 1,04. A resistência quase não mudou. (Seletividade excelente).

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é olhar apenas para uma coluna. Um investigador apressado poderia ver que o Sensor II tem a maior variação para o NO₂ (~730x) e escolhê-lo. Outro poderia olhar apenas para o maior valor final de resistência (9,3×10⁵ no Sensor V). Ambas as abordagens ignoram a segunda condição: o sensor NÃO PODE reagir ao CO. O Sensor II é um péssimo “cão farejador”, pois late quase tão alto para o pão (140x) quanto para a bomba (730x). Ele não é confiável!

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A investigação mostra um vencedor claro. O Sensor IV combina uma altíssima sensibilidade ao NO₂ (aumento de ~547 vezes) com uma seletividade quase perfeita, praticamente ignorando o CO (aumento de apenas ~1,13 vezes). Ele dá um sinal altíssimo e claro para o alvo e permanece em silêncio para o distrator.
    • Expectativa: A alternativa correta DEVE ser aquela que aponta para o Sensor IV.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora confrontar nossa expectativa com as alternativas.

  • A) I
    • Análise de Correspondência: Este sensor tem baixa sensibilidade (aumento de 8x) e baixa seletividade (aumento de 3x). É um desempenho medíocre em todos os aspectos.
    • Diagnóstico do Erro: Desempenho Insuficiente. Não se destaca em nenhum dos critérios essenciais.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) II
    • Análise de Correspondência: Embora tenha a maior sensibilidade ao NO₂ (~730x), sua seletividade é terrível (~140x). Ele geraria muitos alarmes falsos.
    • Diagnóstico do Erro: Reducionismo (Focar apenas na sensibilidade e ignorar a seletividade, que é igualmente crucial).
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) III
    • Análise de Correspondência: Este é o pior dos candidatos. Tem uma sensibilidade muito baixa ao NO₂ (~6,7x) e, incrivelmente, reage muito mais ao CO (~301x).
    • Diagnóstico do Erro: Inversão de Critérios. Ele é um bom detector de CO, exatamente o oposto do que foi pedido.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) IV
    • Análise de Correspondência: Encaixe perfeito com a nossa Bússola. Apresenta uma combinação espetacular de altíssima sensibilidade (~547x para o NO₂) e altíssima seletividade (~1,13x para o CO). Ele faz exatamente o que se espera dele, com excelência.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • E) V
    • Análise de Correspondência: Este sensor tem uma seletividade excelente (~1,04x), mas sua sensibilidade ao NO₂ é muito baixa (~11,9x), especialmente quando comparada à do Sensor IV. O sinal de alerta seria muito fraco.
    • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema (Priorizar a seletividade de forma isolada, esquecendo que uma alta sensibilidade é o objetivo principal da detecção).
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Confirmamos que o Gabarito é D, pois o Sensor IV é o único que atua como um verdadeiro especialista, gritando na presença de NO₂ e sussurrando na presença de CO, garantindo uma detecção precisa e confiável.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): O melhor sensor tem um ótimo “ouvido” para o sinal (NO₂) e é “surdo” para o ruído (CO).
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Este exato princípio de sensibilidade vs. seletividade é a espinha dorsal dos diagnósticos médicos modernos. Um bom teste para uma doença (ex: um exame de sangue para um vírus) precisa ser:
    1. Sensível: Capaz de detectar o vírus mesmo em quantidades mínimas (para não dar um “falso negativo”).
    2. Seletivo (ou específico): Capaz de identificar aquele vírus específico e não reagir a outros vírus ou substâncias no sangue (para não dar um “falso positivo”).
      O raciocínio que você usou para escolher um sensor é o mesmo que um cientista usa para desenvolver um teste que pode salvar vidas. A lógica transcende a disciplina!

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