Morir muy vivos
No todo es perder, es cierto. Si te esfuerzas mucho y bien, porque no viene de fábrica, ganas conocimiento del mundo y de ti mismo, empatia, sosiego y, en suma, algo que podríamos denominar sabiduría. Pero creo que para ello hay que mantenerse alerta y no darse nunca por vencido. Pero también es un tiempo para saldar cuentas. No creo que haya que dejarse llevar por el peso de los dias como un leño podrido al que las olas arrojan finalmente a la playa. Uno siempre puede intentar sacarse alguna de las piedras que lleva a la espalda, decir las cosas que nunca se atrevió a decir, cumplir en la medida de lo posible los deseos arrumbados, rescatar algún sueño que quedó en la cuneta. No rendirse, esa es la clave. Y sobre todo decirse: ¿y por qué no? Porque la vejez no está reñida con la audacia. Debemos aspirar a morir muy vivos.
MONTERO, R. Disponível em: https://elpais.com. Acesso em: 4 dez. 2017.
Nesse texto, ao utilizar a expressão “morir muy vivos”, a escritora Rosa Montero evidencia a importância de se
A) acumular sabedoria com o passar do tempo.
B) observar o impacto dos anos sobre o corpo.
C) rever os erros e os acertos de sua trajetória.
D) desfrutar de todas as fases da vida.
E) libertar das amarras sociais.

✍ “Resolução Em Texto”
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Língua Espanhola (Interpretação de Texto e Figuras de Linguagem).
Filosofia de Vida (Existencialismo e Reflexão sobre a Velhice).
Vocabulário Específico (Reñida, Sosiego, Arrumbados).
Tema/Objetivo Geral:
Interpretar a tese central de um artigo de opinião que utiliza um paradoxo (“morrer vivo”) para propor uma nova postura diante do envelhecimento.
Nível da Questão
Médio.
O texto é filosófico e metafórico. O aluno precisa entender que “morir muy vivos” não é uma contradição literal, mas uma atitude de intensidade. Além disso, as alternativas distratoras (A e C) tocam em pontos citados no texto, exigindo que o aluno diferencie “meio” de “fim”.
Gabarito
Letra D.
A autora defende que a velhice não deve ser um período de estagnação, mas sim de audácia e realização, mantendo a intensidade da vida (o “estar vivo”) até o momento final.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão foca na expressão final do texto: “aspirar a morir muy vivos”. O que Rosa Montero quer dizer com esse paradoxo? Ela está falando sobre saúde física? Sobre memória? Ou sobre a atitude de aproveitar a existência?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine uma vela.
Há duas formas de ela acabar:
- A chama vai diminuindo, tremendo, soltando fumaça preta até apagar sozinha (velhice passiva/triste).
- A chama queima alta, forte e brilhante até que, puf, acaba a cera de repente (velhice ativa/”morrer vivo”).
A autora quer que sejamos a segunda vela. O objetivo é entender que a “chama alta” representa o desfrute da vida.
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Desmontar a Metáfora: Entender o contraste entre “leño podrido” (tronco podre) e “audacia”.
- Analisar a Proposta: O que a autora sugere que façamos para alcançar esse estado?
- Conectar com a Alternativa: Qual opção resume a ideia de manter a chama acesa?
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos usar o Dicionário de Sentimentos para decifrar o texto.
Vocabulário Essencial:
| Termo em Espanhol | Tradução / Sentido | O que representa no texto? |
| No rendirse | Não se render / Não desistir | A atitude de luta necessária. |
| Leño podrido | Tronco/lenha podre | A pessoa que se deixa levar, passiva, sem vida. |
| Saldar cuentas | Acertar as contas | Resolver pendências emocionais. |
| Arrumbados | Esquecidos, deixados de lado | Os desejos que abandonamos e devemos resgatar. |
| Reñida | Brigada / Incompatível | “A velhice não é incompatível com a audácia”. |
Conceito-Chave (Paradoxo):
A expressão “Morir muy vivos” é um paradoxo.
Biologicamente, ou você está vivo ou morto.
Filosoficamente, você pode estar “morto por dentro” (sem sonhos, sem vontade) muito antes de morrer fisicamente. A autora propõe o oposto: estar tão cheio de vida que a morte te encontra em pleno movimento.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos seguir a receita de vida da autora:
- O Diagnóstico: Envelhecer não é só perder. Ganha-se sabedoria e sossego.
- O Perigo: Deixar-se levar “como um tronco podre” pelas ondas. Ou seja, viver no piloto automático, esperando o fim.
- A Ação Necessária: Tirar as pedras da mochila (resolver mágoas), dizer o que nunca disse e resgatar sonhos esquecidos (deseos arrumbados).
- A Conclusão: Ter audácia. Perguntar “por que não?”.
Síntese:
Se você resgata sonhos, diz o que sente e tem audácia na velhice, o que você está fazendo? Você está vivendo intensamente. Você está desfrutando da vida, recusando-se a “aposentar” a sua alma.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com a alternativa A (“acumular sabedoria”). O texto diz explicitamente que “ganas conocimiento… y sabiduría”. O aluno lê isso e marca a A. ERRO! A sabedoria é uma ferramenta ou uma consequência natural, mas o objetivo final expresso na frase “morir muy vivos” é a atitude ativa (audácia/vida), não apenas o acúmulo intelectual. A sabedoria serve para viver bem, ela não é o fim em si mesma.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A expressão encerra o texto convocando o leitor a manter a vitalidade, a audácia e a busca por desejos até o último instante, opondo-se à passividade.
- Expectativa: A alternativa correta deve falar sobre aproveitar, viver, desfrutar ou manter-se ativo diante da vida.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) acumular sabedoria com o passar do tempo.
- Diagnóstico do Erro: Foco no Meio, não no Fim.
- Análise: O texto diz que se você se esforçar, ganha sabedoria. Mas a frase “morir muy vivos” refere-se à audácia e ao não se render. A sabedoria ajuda, mas a mensagem final é sobre intensidade de vida.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) observar o impacto dos anos sobre o corpo.
- Diagnóstico do Erro: Leitura Literal/Biológica.
- Análise: O texto usa metáforas (“pedras nas costas”, “leño podrido”), mas são sobre o peso emocional e existencial, não sobre rugas ou dores nas costas. Não é um texto médico.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
C) rever os erros e os acertos de sua trajetória.
- Diagnóstico do Erro: Reducionismo (Parte pelo Todo).
- Análise: “Saldar cuentas” e “sacarse piedras” (rever o passado) são etapas sugeridas no texto. Mas fazer isso serve para quê? Para ficar livre para viver o presente (cumprir desejos). A revisão é o método; “morir vivo” (desfrutar) é o resultado.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
D) desfrutar de todas as fases da vida.
- Análise de Correspondência: Perfeita.
- Ao dizer que a velhice não briga com a audácia e que devemos resgatar sonhos antigos, a autora está dizendo: “Aproveite agora, não importa a sua idade”. “Morir muy vivo” significa manter a capacidade de desfrutar da existência intacta até o fim.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
E) libertar das amarras sociais.
- Diagnóstico do Erro: Extrapolação.
- Análise: O texto fala de amarras internas (medo, falta de audácia, pedras que carregamos). Não há menção explícita a uma luta contra a sociedade ou regras sociais, mas sim uma luta contra a própria inércia do indivíduo.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
A alternativa D é a correta pois traduz a metáfora poética “morir muy vivos” em uma ação prática: continuar desfrutando, sonhando e realizando, independentemente da idade.
Resumo-flash:
Não seja um tronco boiando; seja o capitão do barco até o naufrágio final.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este texto dialoga com o conceito de Carpe Diem (Aproveite o dia), mas com uma maturação estoica (Sêneca). Sêneca dizia que “a vida é longa se soubermos usá-la”. A ideia de Rosa Montero de chegar ao fim “gasto” de tanto viver, e não “intacto” de tanto se preservar, é um tema recorrente na literatura existencialista. Na redação, é um ótimo argumento contra o etarismo (preconceito contra idosos), defendendo a velhice ativa.