Celerina Patricia Sánchez Santiago comentó que su acercamiento a la poesia fue por la escuela, con libros de texto en español. Descubrió el gusto por las letras pero notó que no había textos en la suya, asi que, contra muchos comentarios negativos que recibió en ese momento, decidió emprender el camino de la escritura pero en mixteco. “Fue un proceso de años para notar que en mi lengua podia escribir poesia, porque me decian que mi lengua era tan pobre que no podia tener conceptos abstractos, era un reto pero yo sabia que si era posible”.
Este proceso no sólo le ayudó a vivir la poesia en mixteco, sino a “ir descubriendo mi propia historia y la de mi pueblo”. Comentó que las lenguas habladas en el territorio nacional se encuentran en gran desventaja con el español. “El reconocimiento a la diversidad no se ha hecho y ha sido tratada de borrar. Este es un pais con 68 lenguas y somos monolingües del español. Antes habia nulo de reconocimiento de ser bilingüe, negabas que hablabas tu lengua, hasta le decían dialecto. Era parte del proceso fatal que nos llevó a no reconocernos en un país multilingüe. “¿Si tenemos varias lenguas por qué no aprender?”.
Disponível em: www.fapcom.edu.br. Acesso em: 20 nov. 2021.
Em sua escrita poética, a poetisa mexicana Celerina Patricia Sánchez Santiago assume o desafio de
A) destacar a importância da literatura na formação escolar.
B) discutir a hegemonia da literatura escrita em espanhol.
C) promover reflexões acerca de conceitos abstratos.
D) representar a pluralidade linguística de seu país.
E) narrar uma trajetória de autoconhecimento.

✍ “Resolução Em Texto”
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Língua Espanhola (Interpretação Textual e Vocabulário).
Sociolinguística (Diversidade Linguística e Preconceito).
Identidade Cultural e Resistência.
Tema/Objetivo Geral:
Compreender a motivação e o impacto social da obra de uma artista indígena em um contexto de dominação cultural de uma língua hegemônica (espanhol).
Nível da Questão
Médio.
O texto é denso e traz reflexões sociológicas. O desafio é não confundir as consequências pessoais da escrita da autora (autoconhecimento) com o seu propósito político e social mais amplo (pluralidade).
Gabarito
Letra D.
Ao escolher escrever em mixteco — contra a maré de preconceito que dizia que a língua era “pobre” — a autora assume a missão de tornar visível a diversidade de um país que tem 68 línguas, mas age como se só tivesse uma.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão busca a causa/missão da poetisa. Ela enfrentou críticas e barreiras (“diziam que minha língua era pobre”). Qual foi a resposta dela a isso? Qual bandeira ela levantou ao insistir em escrever na sua língua materna?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um jardim (o México) que tem 68 tipos de flores diferentes, mas o jardineiro (o Estado/Sociedade) só rega e reconhece as rosas brancas (Espanhol), tratando as outras como ervas daninhas.
Celerina decide cultivar a orquídea roxa (Mixteco) no meio do jardim.
O desafio dela não é apenas plantar a flor, é provar que o jardim é diverso e que aquela flor tem tanto direito de estar ali quanto a rosa.
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Identificar o Obstáculo: O que diziam para ela não fazer? (Escrever em mixteco, pois seria uma “língua pobre”).
- Identificar a Ação: O que ela fez? (Escreveu poesia em mixteco mesmo assim).
- Identificar o Significado: O que essa ação representa para o país? (O reconhecimento das 68 línguas).
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos analisar o vocabulário e os argumentos chave do texto.
Dossiê da Resistência Linguística:
| Trecho do Texto | Tradução / Significado | Análise |
| “Me decían que mi lengua era tan pobre…” | Diziam que minha língua era tão pobre… | O preconceito linguístico (obstáculo). |
| “Decidió emprender el camino de la escritura… en mixteco” | Decidiu empreender o caminho da escrita… em mixteco | A tomada de decisão (o desafio assumido). |
| “Este es un país con 68 lenguas y somos monolingües” | Este é um país com 68 línguas e somos monolíngues | O paradoxo do México (a realidade negada). |
| “Reconocernos en un país multilingüe” | Reconhecer-nos em um país multilíngue | O objetivo final: a pluralidade. |
Conceito-Chave:
Monolíngue vs. Multilíngue: O texto critica a ideia de que o México fala apenas espanhol (monolíngue), quando na verdade é um mosaico de culturas (multilíngue). A poesia dela é a prova viva dessa multiplicidade.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos reconstruir o raciocínio de Celerina:
- O Início: Ela aprendeu a amar letras em espanhol, mas notou um vazio: “Onde está a minha língua?”.
- O Confronto: Ao tentar escrever em mixteco, sofreu racismo intelectual (“sua língua não serve para conceitos abstratos/poesia”).
- A Resposta: Ela escreve poesia em mixteco para provar que a língua é capaz, rica e complexa.
- A Conclusão Política: Ela afirma que o México tentou “apagar” (borrar) essa diversidade. Ao escrever, ela luta contra esse apagamento.
Síntese:
O desafio dela é tornar visível o invisível. Em um país que nega suas raízes indígenas, escrever na língua materna é um ato político de afirmar: “Nós existimos, somos muitos e somos plurais”.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com a alternativa E (“autoconhecimento”). O texto diz: “ir descubriendo mi propia historia”. Isso aconteceu? Sim. Mas foi uma consequência pessoal. A questão pede o “desafio assumido”. O desafio foi contra os “comentários negativos” e contra o sistema que nega as 68 línguas. O desafio é social/coletivo (pluralidade), o bônus foi individual (autoconhecimento).
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A autora utiliza a literatura para combater a homogeneização cultural, provando que o México é um país de muitas vozes e línguas.
- Expectativa: A alternativa correta deve conter palavras como “diversidade”, “pluralidade”, “multiculturalismo” ou “representatividade”.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) destacar a importância da literatura na formação escolar.
- Diagnóstico do Erro: Foco no Detalhe Inicial.
- Análise: O texto começa falando da escola, mas apenas para dizer que lá não havia textos em mixteco. A escola foi o local da exclusão, não o foco da luta dela. O desafio dela vai muito além da sala de aula.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) discutir a hegemonia da literatura escrita em espanhol.
- Diagnóstico do Erro: Tangente ao Tema.
- Análise: Ela critica a hegemonia do espanhol, sim. Mas o “desafio assumido” na escrita poética dela não é ficar discutindo/debatendo (teoria), é fazer poesia em outra língua (prática). A alternativa D é mais completa pois foca na construção da pluralidade, que é a resposta à hegemonia.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
C) promover reflexões acerca de conceitos abstratos.
- Diagnóstico do Erro: Confusão de Meio e Fim.
- Análise: O texto diz que acusavam a língua dela de não ter conceitos abstratos. Ela provou que tinha. Mas o objetivo dela não era falar de abstrações (amor, tempo, alma) por falar, e sim usar isso para legitimar a língua.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
D) representar a pluralidade linguística de seu país.
- Análise de Correspondência: Perfeita.
- O texto culmina na frase: “Este é um país com 68 línguas”. Ao escrever em uma dessas línguas marginalizadas, ela está materializando essa estatística, dando corpo e voz a essa diversidade que o Estado tenta apagar. Ela representa a parte do México que o México ignora.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
E) narrar uma trajetória de autoconhecimento.
- Diagnóstico do Erro: Reducionismo Individualista.
- Análise: Como vimos na “Armadilha Clássica”, o autoconhecimento foi um efeito colateral positivo (“não só le ajudó a vivir la poesía… sino a ir descubriendo mi propia historia”). O desafio central era externo: provar o valor da língua contra o preconceito social.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
A alternativa D é a correta pois a atitude de escrever em mixteco em um país que impõe o espanhol é, por definição, um ato de defesa da pluralidade e da existência de múltiplas identidades nacionais.
Resumo-flash:
Escrever na língua mãe é dizer ao mundo: “Eu existo e minha cultura conta”.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este tema se conecta com o conceito de Epistemicídio (a morte do conhecimento de povos marginalizados). Quando uma língua morre ou é proibida, perde-se uma forma única de ver o mundo. No Brasil, isso também ocorre: temos mais de 270 línguas indígenas, mas a maioria da população age como se fôssemos monolíngues em Português. Questões sobre preservação linguística são fortíssimas para repertório sociocultural.