As reações à sétima temporada foram o ápice do último estágio em Game of Thrones. De forma alguma, este que vos fala seria capaz de argumentar que a série é perfeita, mas os defeitos que existem aqui sempre existiram, de uma forma ou de outra, durante os sete anos em que ela esteve no ar. Os dois roteiristas foram brilhantes em traduzir os personagens intrincados e conflituosos da obra de George R. R. Martin, mas nunca souberam exatamente como fazer jus a eles (e especialmente a elas, as mulheres da trama).
A verdade é que, com tudo isso e mais Ramin Djawadi evocando sentimentos e ambientes improváveis com sua trilha sonora magistral, a série não conseguiria ser ruim nem se tentasse, mas continua sendo uma pena que, ao buscar o seu final com tanta sede e tanta celeridade, Benioff e Weiss tenham tirado sua qualidade mais preciosa: o fôlego, a paciência e o detalhismo que faziam suas palavras se levantarem do papel e ganharem vida.
Disponível em: https://observatoriodocinema.uol.com.br. Acesso em: 29 nov. 2017 (adaptado).
Ainda que faça uma avaliação positiva da série, nessa resenha, o autor aponta aspectos negativos da obra ao utilizar
a) marcas de impessoalidade que disfarçam a opinião do especialista.
b) expressões adversativas para fazer ressalvas às afirmações elogiosas.
c) interlocução com o leitor para corroborar opiniões contrárias à adaptação.
d) eufemismos que minimizam as críticas feitas à construção das personagens.
e) antíteses que opõem a fragilidade do roteiro à beleza da trilha sonora da série.

✍ “Resolução Em Texto”
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Língua Portuguesa (Morfologia e Sintaxe: Conjunções).
Interpretação de Texto (Estratégias Argumentativas).
Gênero Textual (Resenha Crítica).
Tema/Objetivo Geral:
Identificar os recursos linguísticos (conectivos) utilizados por um autor para articular ideias opostas (elogios vs. críticas) dentro de um texto opinativo.
Nível da Questão
Fácil/Médio.
O aluno precisa identificar que o texto opera em um movimento de “vai e vem” (elogia e bate), e que a palavra-chave para essa manobra é a conjunção adversativa (“mas”).
Gabarito
Letra B.
O autor utiliza conectivos de oposição (como “mas”) para introduzir os defeitos da série logo após ter citado suas qualidades, criando um contraponto argumentativo.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão observa que o autor gosta da série (avaliação positiva), mas também aponta defeitos. O comando quer saber: qual ferramenta gramatical ele usa para inserir esses defeitos no meio dos elogios?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine o famoso “Feedback Sanduíche” ou o “Elogio com ‘Mas’”.
É quando alguém diz: “Você é muito gente boa, mas precisa tomar banho”.
A primeira parte é o elogio. A segunda é a crítica. A palavra que liga as duas e avisa que vem uma crítica por aí é o “MAS“.
A questão quer que você identifique esse “MAS” como uma expressão adversativa.
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Rastrear os Elogios: Sublinhar onde ele fala bem.
- Rastrear as Críticas: Sublinhar onde ele fala mal.
- Identificar a Ponte: Ver qual palavra une o elogio à crítica.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos usar a ferramenta da Coesão por Oposição (Adversidade).
Na língua portuguesa, quando queremos mudar a direção do discurso (de positivo para negativo, ou vice-versa), usamos Conjunções Adversativas.
Dossiê das Conjunções:
| Conjunção | Função | Efeito no Texto |
| Mas, Porém, Contudo, Todavia, Entretanto | Ligar orações com ideias opostas. | Cria uma ressalva. “Isso é bom, mas aquilo é ruim.” |
Análise do Texto (O Mecanismo em Ação):
- Fato 1 (Elogio): “Os dois roteiristas foram brilhantes…”
- Conector: “…mas…”
- Fato 2 (Crítica/Ressalva): “…nunca souberam exatamente como fazer jus a eles.”
- Fato 3 (Elogio): “…a série não conseguiria ser ruim nem se tentasse…”
- Conector: “…mas…”
- Fato 4 (Crítica/Ressalva): “…continua sendo uma pena que… tenham tirado sua qualidade mais preciosa.”
Conceito-Chave:
A Ressalva é uma restrição feita a uma afirmação anterior. O autor elogia, faz uma ressalva (critica), elogia de novo, faz outra ressalva.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos dissecar a estratégia do crítico:
- Ele começa dizendo que a série não é perfeita.
- Ele elogia a tradução dos personagens (“brilhantes”). Imediatamente, lança um “mas” e diz que os roteiristas não fizeram justiça às mulheres.
- Ele elogia a música e a qualidade técnica (“não conseguiria ser ruim”). Imediatamente, lança outro “mas” e diz que a série perdeu o fôlego e a paciência.
Síntese:
O texto é um balanço constante. Para cada peso positivo, ele coloca um negativo. A ferramenta que permite esse equilíbrio sem que o texto fique confuso é a expressão adversativa. Ela sinaliza ao leitor: “Atenção, agora vem o lado ruim”.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com a alternativa E (Antíteses).
Muitos alunos veem “ideias opostas” (bom vs. ruim) e marcam Antítese.
Atenção: Antítese é uma figura de linguagem que aproxima palavras de sentidos opostos (ex: “amor e ódio”, “luz e trevas”). Aqui, o autor não está fazendo um jogo poético de palavras; ele está estruturando uma argumentação lógica. Ele usa uma conjunção (classe gramatical) para fazer uma ressalva (função argumentativa). A alternativa B é técnica e precisa; a E é estilística e imprecisa neste contexto.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O autor estrutura sua resenha intercalando elogios e críticas. A transição do elogio para a crítica é feita sistematicamente através da conjunção adversativa “mas”.
- Expectativa: A alternativa correta deve mencionar conectivos de oposição, adversidade ou ressalva.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) marcas de impessoalidade que disfarçam a opinião do especialista.
- Diagnóstico do Erro: Contradição Factual.
- Análise: O autor usa a expressão “este que vos fala” (1ª pessoa). Isso é marca de pessoalidade, não de impessoalidade. Ele assume a opinião (“eu acho”), não a disfarça.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) expressões adversativas para fazer ressalvas às afirmações elogiosas.
- Análise de Correspondência: Perfeita.
- Expressões adversativas: O uso repetido do “mas”.
- Fazer ressalvas: Apontar os defeitos (falta de fôlego, problemas com personagens femininas) logo após os elogios.
- Descreve exatamente a estrutura sintática e semântica do texto.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
C) interlocução com o leitor para corroborar opiniões contrárias à adaptação.
- Diagnóstico do Erro: Interpretação Equivocada da Intenção.
- Análise: Ele fala com o leitor (“este que vos fala”), mas não para concordar com quem odeia a série (“opiniões contrárias”). Ele usa a interlocução para expor a sua própria visão equilibrada, não para validar a opinião alheia.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
D) eufemismos que minimizam as críticas feitas à construção das personagens.
- Diagnóstico do Erro: Análise de Tom Incorreta.
- Análise: Eufemismo é suavizar algo (dizer “faltou com a verdade” em vez de “mentiu”). O autor não suaviza. Ele diz claramente: “nunca souberam exatamente como fazer jus a eles”. Isso é uma crítica direta, não um eufemismo.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
E) antíteses que opõem a fragilidade do roteiro à beleza da trilha sonora da série.
- Diagnóstico do Erro: Confusão entre Conteúdo e Recurso.
- Análise: O texto realmente opõe roteiro (frágil) e trilha (bela). Mas a pergunta é sobre o recurso utilizado para apontar aspectos negativos. O recurso gramatical que introduz o negativo é a adversativa. A antítese é o resultado do contraste, mas a ferramenta de construção é a conjunção da alternativa B. Além disso, antítese é, rigorosamente, oposição de palavras, não de parágrafos inteiros.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
A alternativa B é a correta pois identifica o “mas” como o pivô da argumentação: ele é a dobradiça que permite ao autor virar a porta do elogio para revelar a crítica que está do outro lado.
Resumo-flash:
Tudo o que vem antes do “mas” é preparação; o golpe vem depois.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Dominar as Conjunções é vital para a Redação do ENEM (Competência 4). Usar “mas”, “porém”, “entretanto” corretamente permite que você apresente um ponto de vista complexo (Concessão/Adversidade). Exemplo: “A tecnologia traz avanços, mas também gera exclusão”. Isso mostra maturidade argumentativa, fugindo do pensamento binário (só bom ou só ruim).