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Questão 124, caderno azul do ENEM 2009

Oximoro, ou paradoxismo, é uma figura de retórica em que  se combinam palavras de sentido oposto que parecem  excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a  expressão. 

Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa.

Considerando a definição apresentada, o fragmento poético da obra Cantares, de Hilda Hilst, publicada em 2004, em que pode ser encontrada a referida figura de retórica é:

a)  “Dos dois contemplo
rigor e fixidez.
Passado e sentimento
me contemplam” (p. 91).

b)  “De sol e lua
De fogo e vento
Te enlaço” (p. 101).

c)  “Areia, vou sorvendo
A água do teu rio” (p. 93).

d)  “Ritualiza a matança
de quem só te deu vida.
E me deixa viver
nessa que morre” (p. 62).

e)  “O bisturi e o verso.
Dois instrumentos
entre as minhas mãos” (p. 95).

Resolução em Texto

📚 Matórias Necessárias para a Solução da Questão

  • Literatura (Figuras de Linguagem: Oximoro/Paradoxo)
  • Interprepretação de Texto Poético

🎯 Tema/Objetivo Geral: Identificar a figura de linguagem “oximoro” (ou paradoxismo) em um fragmento poético, com base na definição fornecida.

📊 Nível da Questão: Médio.
Por quê? A questão exige a aplicação de um conceito teórico (a definição de oximoro) na análise de textos poéticos, que são por natureza mais subjetivos e complexos. O aluno precisa ser capaz de identificar a contradição lógica que caracteriza a figura de linguagem, distinguindo-a de outras justaposições de palavras que não chegam a formar um paradoxo.

✅ Gabarito: Alternativa D.
Resumo: O oximoro é a combinação de ideias opostas que se excluem logicamente. A alternativa D apresenta dois exemplos claros: “Ritualiza a matança / de quem só te deu vida” (matar quem deu a vida) e, principalmente, “E me deixa viver / nessa que morre” (viver em algo/alguém que morre). A ideia de “viver no que morre” é um paradoxo explícito, onde dois conceitos opostos (vida e morte) são combinados de forma a criar um novo sentido poético.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

Transcrição Essencial 📌
“Considerando a definição apresentada [de oximoro], o fragmento poético […] em que pode ser encontrada a referida figura de retórica é:”

O que está sendo pedido?
A questão nos dá a definição de oximoro (“combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente”) e nos pede para encontrar, entre os cinco trechos de poemas, aquele que contém essa figura de linguagem.

Objetivo Cristalino 💎
Nosso objetivo é “caçar” um paradoxo. Vamos ler cada alternativa procurando por um par de palavras ou ideias que sejam contraditórias (como “luz escura”, “silêncio barulhento”, “viver morrendo”) e que, juntas, criem um sentido poético.

🧠 Uma simples lista de opostos, como “sol e lua”, é um oximoro? Ou a contradição precisa estar na própria ideia, como em “a luz escura do teu olhar”?


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdo Necessários

Definição de Termos 🔖

  • Oximoro (ou Paradoxismo):
    • O que é: É uma figura de pensamento que aproxima, em uma mesma expressão, palavras ou ideias de sentidos contraditórios, que se excluem logicamente. O objetivo é criar uma imagem de forte impacto e expressividade, sugerindo uma realidade complexa e contraditória.
    • Exemplos Clássicos: “Contentamento descontente”, “ferida que dói e não se sente” (Camões); “clara escuridão”; “doce amargura”; “grito silencioso”.
  • Antítese vs. Oximoro:
    • antítese aproxima palavras opostas em um contexto mais amplo, mas elas não se fundem em uma única ideia contraditória. Ex: “De sol e lua / De fogo e vento”. Aqui, sol e lua são opostos, mas estão listados, não fundidos em um conceito paradoxal.
    • oximoro é uma forma mais radical de antítese, onde os opostos se combinam em um único sintagma, criando uma imagem que desafia a lógica. Ex: “viver nessa que morre”.

Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

Contextualização Simplificada 💬
A questão é um jogo de “encontre a contradição”. A regra é a definição de oximoro: achar um trecho onde a poeta junta duas coisas que não poderiam existir ao mesmo tempo, mas que na poesia fazem sentido. É como procurar por uma “escuridão luminosa” ou um “frio quente”. Vamos ler os versos e ver em qual deles Hilda Hilst criou uma dessas imagens impossíveis e poéticas.

Estratéia Geral 🗺️
Vamos analisar a definição de oximoro e, em seguida, ler cada fragmento poético para identificar onde ocorre a fusão de ideias contraditórias que se excluem mutuamente.


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

Passo a Passo Detalhado 👣

  1. Revisar o Critério: O critério é a presença de um oximoro, ou seja, a combinação de “palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente”. Não basta ter opostos no mesmo poema; eles precisam estar fundidos em uma única ideia paradoxal.
  2. Análise Estrutural da Figura: Um oximoro cria uma tensão lógica. Ele força o leitor a pensar em um terceiro significado que transcende a contradição. A expressão “viver morrendo” não é nem só viver, nem só morrer, mas um estado de angústia existencial.
  3. Aplicação ao Problema: Devemos procurar nos versos uma construção que se assemelhe a “clara escuridão”, “guerra pacífica” ou “viver morrendo”.
  4. Pré-Análise dos Fragmentos:
    • O fragmento (a) fala de “passado e sentimento”, que não são opostos.
    • O fragmento (b) lista opostos (“sol e lua”, “fogo e vento”), o que caracteriza a antítese.
    • O fragmento (c) cria uma imagem, mas sem uma contradição lógica clara.
    • O fragmento (d) apresenta duas ideias fortes: “matar quem deu a vida” (paradoxo de ação) e “viver […] nessa que morre” (paradoxo de estado). Ambas se encaixam na ideia de exclusão mútua.
    • O fragmento (e) apresenta dois objetos (“bisturi e verso”) que são diferentes, mas não opostos.
  5. Conclusão do Raciocínio: O fragmento (d) é o único que contém a estrutura de um oximoro, ao fundir os conceitos de vida e morte em uma única expressão.

A Armadilha Comum 🚨
A principal armadilha é a alternativa B. Muitos alunos, ao verem os pares “sol/lua” e “fogo/vento”, podem identificar a presença de opostos e marcar a alternativa. É crucial entender a diferença entre a simples enumeração de opostos (antítese) e a fusão deles em um conceito paradoxal (oximoro).

Fechamento e Expectativa
A análise conceitual nos leva a procurar a alternativa que contém uma ideia que desafia a lógica, como “viver na morte”.


Passo 5: Análise das Alternativas

🔴 a) “Dos dois contemplo / rigor e fixidez. / Passado e sentimento / me contemplam” (p. 91).
Incorreta. Não apresenta palavras de sentido oposto que se excluem.

🔴 b) “De sol e lua / De fogo e vento / Te enlaço” (p. 101).
Incorreta. Este é um exemplo de antítese, pois apenas aproxima termos contrários, sem fundi-los em uma ideia paradoxal.

🔴 c) “Areia, vou sorvendo / A água do teu rio” (p. 93).
Incorreta. É uma imagem poética, mas não contém um oximoro.

🟢 d) “Ritualiza a matança / de quem só te deu vida. / E me deixa viver / nessa que morre” (p. 62).
Correta. A combinação das ideias opostas de “viver” e “morrer” em uma única expressão (“viver […] nessa que morre”) cria uma imagem paradoxal, que é a essência do oximoro.

🔴 e) “O bisturi e o verso. / Dois instrumentos / entre as minhas mãos” (p. 95).
Incorreta. Apresenta dois elementos diferentes para criar uma metáfora sobre a arte, mas eles não são logicamente opostos ou excludentes.


Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

Resumo do Raciocínio 📝
A questão pedia a identificação de um oximoro, definido como a combinação de palavras de sentido oposto que se excluem mutuamente. Ao analisar os fragmentos poéticos de Hilda Hilst, a alternativa D se destaca por conter a expressão “E me deixa viver / nessa que morre”. Os verbos “viver” e “morrer” são antônimos e sua combinação em uma única ideia cria uma imagem paradoxal que desafia a lógica, mas reforça a expressão poética, caracterizando perfeitamente a figura de linguagem do oximoro.

Gabarito Reafirmado 🏅
A alternativa correta é a D.

Resumo Final para Revisão
Para encontrar um oximoro, não procure apenas por palavras opostas (isso pode ser só antítese). Procure por uma ideia que parece impossível, uma contradição em termos que cria um novo significado. “Viver morrendo” é o exemplo clássico e está presente na alternativa correta.

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