
Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à mão que aborda a questão das atividades linguísticas e sua relação com as modalidades oral e escrita da língua. Esse comentário deixa evidente uma posição crítica quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando ser necessário:
A) implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da língua .
B) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a obtenção de clareza na comunicação oral e escrita.
C) dominar as diferentes variedades do registro oral da língua portuguesa para escrever com adequação, eficiência e correção.
D) empregar vocabulário adequado e usar regras da norma padrão da língua em se tratando da modalidade escrita.
E) utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da variedade padrão da língua para se expressar com alguma segurança e sucesso.

Resolução em Texto
📚 Matórias Necessárias para a Solução da Questão
- Linguística (Variação Linguística, Modalidades Oral e Escrita da Língua, Norma Padrão)
- Sociolinguística (Adequação da Linguagem)
- Interpretação de Texto
🎯 Tema/Objetivo Geral: Analisar uma crítica sobre a inadequação do uso de marcas da oralidade na modalidade escrita, compreendendo a necessidade de dominar a norma padrão para a escrita formal.
📊 Nível da Questão: Fácil.
Por quê? A mensagem escrita à mão é muito direta e expressa um preconceito linguístico comum. Ela critica a transposição da fala (“escrever como fala”) para a escrita. A interpretação é clara: para não “estar ferrado”, o filho precisaria aprender as regras e o vocabulário da escrita formal, ou seja, da norma padrão.
✅ Gabarito: Alternativa D.
Resumo: O bilhete manuscrito diz: “Cara, se, tipo assim, o seu filho escrever como fala, ele tá ferrado”. Essa frase critica o uso de marcas típicas da fala (gírias como “cara”, marcadores conversacionais como “tipo assim”, contrações como “tá”) na modalidade escrita. A implicação da crítica é clara: a escrita, especialmente em contextos que exigem formalidade, requer o domínio e o emprego da norma padrão (vocabulário adequado e regras gramaticais).
Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
Transcrição Essencial 📌
“Esse comentário [escrito à mão] deixa evidente uma posição crítica quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando ser necessário…”
O que está sendo pedido?
A questão pede para interpretarmos o bilhete escrito à mão e entendermos qual é a “lição” ou a “necessidade” que ele aponta sobre o uso da língua. O que, segundo o autor do bilhete, é preciso fazer para não “estar ferrado”?
Objetivo Cristalino 💎
Nosso objetivo é decodificar a crítica presente na frase e identificar qual competência linguística está sendo valorizada como solução para o “problema” apontado.
🧠 O autor do bilhete está preocupado com o jeito que o filho fala ou com o jeito que ele escreve? E qual é o problema de “escrever como se fala”?
Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdo Necessários
Definição de Termos 🔖
- Modalidade Oral da Língua: A língua falada. É caracterizada pela espontaneidade, uso de gestos, entonação, pausas, marcadores conversacionais (“tipo assim”, “né?”, “aí”), gírias e maior flexibilidade com as regras gramaticais.
- Modalidade Escrita da Língua: A língua escrita. Em contextos formais, exige planejamento, obediência às regras gramaticais, vocabulário preciso e clareza. Não dispõe dos recursos da fala (gestos, entonação).
- Norma Padrão (ou Culta): A variedade da língua associada à escrita formal, ao prestígio social e codificada nas gramáticas. É o “jeito certo” de escrever em situações como provas, documentos oficiais, textos acadêmicos, etc.
- Adequação Linguística: A habilidade de um falante de adaptar seu uso da língua (seja na fala ou na escrita) à situação de comunicação. Não se fala da mesma forma em uma roda de amigos e em uma entrevista de emprego. O bilhete critica a inadequação de usar um registro (fala informal) em outra modalidade (escrita).
Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
Contextualização Simplificada 💬
Alguém escreveu um bilhete preocupado com a educação de um “filho”. A preocupação é a seguinte: o garoto está escrevendo do mesmo jeito que fala, usando gírias e expressões como “Cara”, “se”, “tipo assim” (provavelmente uma imitação da fala do jovem). O autor do bilhete dá o veredito: se ele continuar assim, “ele tá ferrado”. A pergunta é: para não “tá ferrado”, o que esse filho precisa aprender a fazer? A resposta é óbvia: ele precisa aprender que a escrita tem suas próprias regras e seu próprio vocabulário, diferentes da fala do dia a dia. Ele precisa aprender a usar o “português da escola”, a norma padrão.
Estratéia Geral 🗺️
Vamos analisar as marcas da oralidade presentes no bilhete, entender por que elas são criticadas no contexto da escrita, e conectar essa crítica à necessidade de dominar a variedade linguística apropriada para a modalidade escrita formal.
Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
Passo a Passo Detalhado 👣
- Análise do Bilhete: A frase “Cara, se, tipo assim, o seu filho escrever como fala ele tá ferrado” é, ela mesma, um exemplo de linguagem oral e informal. O autor usa essa linguagem para criar um efeito de autenticidade em sua crítica.
- Identificação da Crítica: A crítica é direcionada à prática de “escrever como fala”. O resultado disso, segundo o autor, é negativo (“ele tá ferrado”).
- Inferência: Por que “escrever como fala” seria um problema? Porque a modalidade escrita, especialmente em contextos avaliativos e formais (escola, trabalho, vestibular), exige o uso de uma variedade linguística específica, que é a norma padrão.
- O que a Norma Padrão Exige?
- Correção Gramatical: Uso correto de concordância, regência, pontuação, etc. (ex: “está” em vez de “tá”).
- Vocabulário Adequado: Evitar gírias (“cara”), marcadores conversacionais (“tipo assim”) e expressões muito coloquiais.
- Conclusão: O bilhete, portanto, enfatiza a necessidade de se diferenciar a fala da escrita e de se dominar as regras e o vocabulário da norma padrão ao escrever, para ter sucesso.
A Armadilha Comum 🚨
A principal armadilha seria não entender a direção da crítica. O bilhete não critica a fala (alternativa A) nem defende que se deve falar de modo formal (alternativa C). Pelo contrário, a crítica é sobre a escrita, e a necessidade de não transportar para ela, de forma inadequada, as características da oralidade.
Fechamento e Expectativa
A análise nos leva a procurar a alternativa que defende o uso da norma padrão (regras e vocabulário) na modalidade escrita.
Passo 5: Análise das Alternativas
🔴 a) implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura…
Incorreta. O foco do bilhete é a escrita, não a fala.
🔴 b) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a obtenção de clareza…
Incorreta. Novamente, a crítica é sobre a escrita, não sobre a modalidade oral, mesmo que formal.
🔴 c) dominar as diferentes variedades do registro oral […] para escrever com adequação…
Incorreta. O bilhete argumenta o oposto: que as variedades orais não devem ser transportadas para a escrita. Ele defende o domínio da variedade escrita.
🟢 d) empregar vocabulário adequado e usar regras da norma padrão da língua em se tratando da modalidade escrita.
Correta. Esta alternativa resume perfeitamente a implicação da crítica. Para não “estar ferrado” ao escrever, é necessário usar o vocabulário apropriado para a escrita e seguir as regras gramaticais da norma padrão.
🔴 e) utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da variedade padrão…
Incorreta. A crítica não é sobre a expressividade ou o “desgaste” da língua, mas sobre a adequação fundamental entre modalidade (oral vs. escrita) e registro (informal vs. padrão).
Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
Resumo do Raciocínio 📝
O comentário manuscrito no anúncio faz uma crítica direta à transposição inadequada de características da modalidade oral e informal (“Cara”, “tipo assim”, “tá”) para a modalidade escrita. A advertência “ele tá ferrado” implica que a sociedade, especialmente em contextos formais e avaliativos, exige um padrão diferente para a escrita. Esse padrão é a norma culta ou padrão, que pressupõe o uso de um vocabulário considerado adequado e a obediência às regras gramaticais. Portanto, o texto enfatiza a necessidade de dominar a norma padrão ao se expressar por escrito.
Gabarito Reafirmado 🏅
A alternativa correta é a D.
Resumo Final para Revisão
Lembre-se da regra da adequação: Falar é como andar de chinelo em casa; escrever (formalmente) é como usar sapato social para uma festa. São “calçados” diferentes para ocasiões diferentes. A crítica do bilhete é sobre quem tenta ir à festa de chinelos.

