15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 114, caderno azul do ENEM 2010

A Herança Cultural da Inquisição

A Inquisição gerou uma série de comportamentos humanos defensivos na população da época, especialmente por ter perdurado na Espanha e em Portugal durante quase 300 anos, ou no mínimo quinze gerações.

Embora a Inquisição tenha terminado há mais de um século, a pergunta que fiz a vários sociólogos, historiadores e psicólogos era se alguns desses comportamentos culturais não poderiam ter-se perpetuado entre nós.

Na maioria, as respostas foram negativas, ou seja, embora alterasse sem dúvida o comportamento da época, nenhum comportamento permanece tanto tempo depois, sem reforço ou estímulo continuado.

Não sou psicólogo nem sociólogo para discordar, mas tenho a impressão de que existem alguns comportamentos estranhos na sociedade brasileira, e que fazem sentido se você os considerar resquícios da era da Inquisição.

[…] KANITZ, S. A Herança Cultural da Inquisição. In: Revista Veja. Ano 38, no 5, 2 fev. 2005 (fragmento).

Considerando-se o posicionamento do autor do fragmento a respeito de comportamentos humanos, o texto

A) enfatiza a herança da Inquisição em comportamentos culturais observados em Portugal e na Espanha.

B) contesta sociólogos, psicólogos e historiadores sobre a manutenção de comportamentos gerados pela Inquisição.

C) contrapõe argumentos de historiadores e sociólogos a respeito de comportamentos culturais inquisidores.

D) relativiza comportamentos originados na Inquisição e observados na sociedade brasileira.

E) questiona a existência de comportamentos culturais brasileiros marcados pela herança da Inquisição.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão: Interpretação de Texto, Coesão e Coerência Textual, Argumentação, História e Sociologia da Cultura.

Tema/Objetivo Geral: Análise do Posicionamento do Autor e da Tese Argumentativa em um Texto de Opinião.

Nível da Questão: Médio. Esta questão é considerada de nível médio porque exige do estudante a capacidade de identificar o posicionamento do autor, que não é explicitado de forma linear, mas construído através de uma dialética entre a opinião dos especialistas e a impressão pessoal do autor. A análise requer a compreensão das nuances argumentativas e da forma como o autor se posiciona frente a uma questão controversa.

Gabarito: Alternativa B. O autor, ao expressar sua “impressão” pessoal que contraria as respostas negativas de sociólogos, historiadores e psicólogos, está, de fato, contestando a conclusão desses especialistas sobre a não manutenção dos comportamentos gerados pela Inquisição.


Resolução Passo a Passo

🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

  • Transcrição Essencial: “Considerando-se o posicionamento do autor do fragmento a respeito de comportamentos humanos, o texto”
  • O que está sendo pedido? A questão nos pede para analisar qual é o posicionamento ou a atitude do autor do texto em relação aos comportamentos humanos, com base no que ele escreve sobre a herança da Inquisição.
  • Objetivo Cristalino: Nosso objetivo é identificar a tese ou a perspectiva principal que o autor defende no texto, especialmente no que diz respeito à influência da Inquisição em comportamentos contemporâneos, confrontando sua visão com a de outros especialistas.
  • Pergunta de Atenção: Você consegue diferenciar entre o que é um fato ou uma opinião de terceiros e o que é a posição pessoal do autor, que ele expressa com suas próprias palavras?

📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

Termo Classificação Explicação Simples Exemplo do Cotidiano
Posicionamento do Autor Elemento Textual É a atitude, a opinião, a tese ou o ponto de vista que o autor de um texto defende sobre um determinado assunto. Ele pode ser explícito (dito diretamente) ou implícito (sugerido pelas escolhas de palavras e argumentos). Em um artigo de jornal, o autor pode se posicionar a favor ou contra uma política pública, usando argumentos para sustentar sua visão.
Inquisição Conceito Histórico Foi uma instituição da Igreja Católica que funcionou por séculos (especialmente na Idade Média e Moderna) para combater e punir o que considerava heresia. Na Espanha e em Portugal, teve grande poder e impacto social, gerando medo e comportamentos de conformidade ou defesa. Imagina um período da história onde a sua forma de pensar ou acreditar poderia te levar a ser julgado e punido por uma instituição religiosa muito poderosa.
Herança Cultural Conceito Cultural São os costumes, crenças, valores, conhecimentos e comportamentos de uma sociedade que são transmitidos de geração em geração, influenciando o presente. Pode se referir tanto a aspectos positivos quanto negativos. Festas tradicionais, receitas de família, lendas passadas de avós para netos, ou até certos modos de se comportar que vêm de tempos antigos.
Comportamentos Humanos Conceito Psicológico/Social São as ações, reações, atitudes e modos de agir das pessoas, que são influenciados por fatores individuais, sociais, culturais e históricos. Como as pessoas reagem ao medo, como se relacionam com a autoridade, como expressam suas opiniões em público.
Contestar Ação Argumentativa É o ato de questionar, refutar, opor-se ou desafiar uma afirmação, uma ideia, um argumento ou uma decisão de outra pessoa ou grupo. Implica apresentar uma visão diferente ou colocar em dúvida o que foi dito. Se alguém diz “o céu é verde”, e você responde “não, o céu é azul”, você está contestando. Ou se um cientista apresenta um resultado e outro cientista apresenta dados que o contradizem.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

  • Contextualização Simplificada: O autor do texto começa falando sobre a Inquisição e como ela durou muito tempo em Portugal e na Espanha, criando “comportamentos defensivos”. Ele pergunta se alguns desses comportamentos não teriam continuado até hoje, especialmente na sociedade brasileira. A maioria dos especialistas (sociólogos, historiadores, psicólogos) respondeu que não, dizendo que esses comportamentos não durariam tanto tempo sem um “reforço contínuo”. Aí o autor diz que não é especialista para “discordar”, MAS que tem a impressão de que existem “comportamentos estranhos na sociedade brasileira” que “fazem sentido” se vistos como “resquícios da era da Inquisição”. A questão quer saber qual é a posição do autor sobre tudo isso.
  • Estratégia Geral: Nosso plano é focar na parte do texto onde o autor expressa sua própria visão, especialmente após mencionar as opiniões dos especialistas. Vamos procurar o que ele diz que se diferencia ou se opõe à visão predominante, para assim identificar seu posicionamento.

🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

  • Passo a Passo Detalhado
  • Analisar a pergunta do autor: O autor questiona se “alguns desses comportamentos culturais não poderiam ter-se perpetuado entre nós” (referindo-se à sociedade brasileira, como o final do texto indica).
  • Identificar a resposta dos especialistas: As respostas dos sociólogos, historiadores e psicólogos foram “negativas”, ou seja, eles acreditam que esses comportamentos não permanecem sem reforço.
  • Perceber a quebra do “mas”: O autor então afirma: “Não sou psicólogo nem sociólogo para discordar, mas tenho a impressão de que existem alguns comportamentos estranhos na sociedade brasileira, e que fazem sentido se você os considerar resquícios da era da Inquisição.”
  • Interpretar o posicionamento do autor: A frase “Não sou… para discordar, mas tenho a impressão” é crucial. O “mas” introduz uma ideia que se contrapõe diretamente à conclusão dos especialistas. Embora ele se ressalve por não ser um especialista, sua “impressão” é, na prática, uma hipótese pessoal que desafia a visão predominante. Ele está, portanto, apresentando uma perspectiva que contesta a ideia de que esses comportamentos não se perpetuaram. Ele não afirma com certeza (por isso “impressão”), mas sua “impressão” é um contraponto ativo. Ele não está apenas “relativizando”, mas ativamente sugerindo uma permanência onde os especialistas veem uma ausência.
  • Verificação Intermediária: O núcleo do posicionamento do autor está em sua “impressão” de que há sim resquícios da Inquisição na sociedade brasileira, o que vai de encontro à visão dos especialistas.
  • Possível armadilha: Você poderia ter se prendido à frase “Não sou psicólogo nem sociólogo para discordar”, interpretando-a como uma aceitação total da opinião dos especialistas. No entanto, o “mas” que segue é um dos conectivos mais importantes da língua portuguesa para indicar uma quebra, uma oposição à ideia anterior. Mesmo sem a autoridade de especialista, o autor apresenta uma visão que contesta a conclusão dos outros, baseada em sua observação. Ele não discorda academicamente, mas contesta a afirmação deles com sua impressão.
  • Fechamento e expectativa: O posicionamento do autor, ao apresentar sua “impressão” que contradiz a conclusão dos especialistas, é de contestar a ideia de que os comportamentos da Inquisição não se mantiveram. Assim, esperamos que a alternativa que reflita essa contestação seja a correta.

✅ Passo 5: Análise das Alternativas

  • (🔴) Alternativa A: Incorreta. O texto menciona a duração da Inquisição em Portugal e na Espanha como base histórica, mas o posicionamento do autor sobre a perpetuação de comportamentos é focado na sociedade brasileira e em sua impressão que contraria os especialistas, não em enfatizar comportamentos observados especificamente em Portugal e na Espanha no presente.
  • (🟢) Alternativa B: Correta. O autor, ao dizer que “tem a impressão” de que existem resquícios da Inquisição em comportamentos na sociedade brasileira, está apresentando uma ideia que se opõe diretamente às “respostas negativas” dos sociólogos, psicólogos e historiadores. Ou seja, ele está contestando, com base em sua percepção, a conclusão desses especialistas sobre a não manutenção desses comportamentos.
  • (🔴) Alternativa C: Incorreta. Embora o autor contraponha sua impressão aos argumentos dos especialistas, a alternativa B (“contesta”) é mais precisa ao indicar que ele está de fato desafiando a conclusão deles, mesmo que de forma “impressiva” e não acadêmica. A palavra “contrapõe” é mais neutra, enquanto “contesta” capta melhor a ideia de desafio à conclusão negativa dos especialistas.
  • (🔴) Alternativa D: Incorreta. O autor não “relativiza” (torna menos absoluto ou importante) esses comportamentos. Pelo contrário, ele os valoriza como possíveis “resquícios” da Inquisição, sugerindo uma permanência e uma relevância que os especialistas negam.
  • (🔴) Alternativa E: Incorreta. O autor não questiona a existência de comportamentos culturais brasileiros marcados pela Inquisição. Na verdade, ele sugere que eles existem e que “fazem sentido” se considerados como herança, indo contra a negação dos especialistas.

🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

  • Resumo do Raciocínio: O autor, ao expressar sua “impressão” de que comportamentos da Inquisição persistem na sociedade brasileira, mesmo após a maioria dos especialistas ter negado essa possibilidade, adota um posicionamento que contesta a conclusão dos sociólogos, historiadores e psicólogos.
  • Gabarito Reafirmado: A alternativa correta é a B) contesta sociólogos, psicólogos e historiadores sobre a manutenção de comportamentos gerados pela Inquisição.
  • Resumo Final para Revisão 🔍: Em um texto de opinião, preste atenção aos conectivos como “mas”, “porém”, “no entanto”! Eles são a chave para identificar a quebra na linha de raciocínio e o posicionamento do autor, especialmente quando ele contraria uma ideia anterior.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.