Um gigante da indústria da internet, em gesto simbólico, mudou o tratamento que conferia à sua página palestina. O site de buscas alterou sua página quando acessada da Cisjordânia. Em vez de “territórios palestinos”, a empresa escreve agora “Palestina” logo abaixo do logotipo.
BERCITO, D. Google muda tratamento de territórios palestinos. Folha de S. Paulo, 4 maio 2013 (adaptado).
O gesto simbólico sinalizado pela mudança no status dos territórios palestinos significa o
A) surgimento de um país binacional.
B) fortalecimento de movimentos antissemitas.
C) esvaziamento de assentamentos judaicos.
D) reconhecimento de uma autoridade jurídica.
E) estabelecimento de fronteiras nacionais.

✍️ Resolução Em Texto
🎯 Tema/Objetivo Geral:
Compreender a simbologia política do reconhecimento internacional da Palestina no contexto do conflito israelense-palestino.
📚 Necessárias para a Solução da Questão:
Geopolítica, Conflito Israel–Palestina, Relações Internacionais, Direito Internacional, Reconhecimento de Estados.
🎯 Nível da Questão:
Médio
✅ Gabarito:
D
📖 Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Objetivo
➡️ O que o comando quer?
A questão apresenta uma notícia sobre a mudança feita pelo Google em sua página voltada à região da Cisjordânia, substituindo o termo “territórios palestinos” por “Palestina”. O comando solicita que se interprete o significado político desse gesto simbólico.
➡️ Objetivo Cristalino da questão:
Compreender que a substituição do termo reflete um posicionamento político simbólico, indicando o reconhecimento de autoridade jurídica e política da Palestina, mesmo que isso não configure o reconhecimento formal de um Estado soberano.
❓ Armadilha Comum:
Acreditar que o uso do termo “Palestina” implica automaticamente reconhecimento de fronteiras definidas, formação de um Estado binacional, ou mudanças reais nos assentamentos, o que não é o caso aqui.
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e conteúdos Necessários
Para resolver essa questão com clareza, é preciso entender alguns conceitos:
- Territórios Palestinos vs. Palestina:
“Territórios palestinos” refere-se a áreas sob disputa e ocupação parcial por Israel, como Gaza e Cisjordânia. O uso de “Palestina” implica reconhecimento simbólico de uma entidade nacional/política, ainda que sem soberania plena reconhecida universalmente.
- Status de Estado Observador na ONU (2012):
Em novembro de 2012, a Assembleia Geral da ONU concedeu à Palestina o status de Estado Observador Não Membro, o mesmo que o Vaticano possui. Isso não equivale a pleno reconhecimento como Estado soberano, mas é um importante reconhecimento político e jurídico internacional.
- Reconhecimento de autoridade jurídica:
Esse status simbólico reforça a ideia de que a Palestina possui representação política, órgãos governamentais e direitos em organizações internacionais, mesmo sem controle territorial pleno.
- Gesto simbólico:
Empresas multinacionais, como o Google, ao adotarem o termo “Palestina”, estão reconhecendo de forma não oficial essa identidade política — o que tem forte impacto geopolítico.
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
O texto diz:
“Um gigante da indústria da internet […] mudou o tratamento que conferia à sua página palestina […] Em vez de ‘territórios palestinos’, a empresa escreve agora ‘Palestina’.”
Frases-chave:
- “mudou o tratamento”: alteração proposital com significado político.
- “em gesto simbólico”: não muda legalmente o status da Palestina, mas reconhece a identidade política.
- “escreve agora Palestina”: sugere reconhecimento do nome e da identidade como entidade nacional.
➡️ Interpretação geral:
O Google, ao usar o nome “Palestina”, reforça simbolicamente o reconhecimento internacional de que há uma autoridade política legítima nos territórios palestinos — ainda que sem a definição legal de um Estado independente. Esse gesto reflete o mesmo movimento da ONU, em 2012, ao reconhecer a Palestina como Estado Observador.
✅ Passo 4: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução
🔴 A) Surgimento de um país binacional.
Errada. Um país binacional seria uma união entre israelenses e palestinos num único Estado. A mudança de nome não indica isso, mas sim uma reafirmação da Palestina como entidade separada.
Como ficaria certa: Se dissesse que “o reconhecimento simbólico reforça a identidade nacional palestina”.
🔴 B) Fortalecimento de movimentos antissemitas.
Errada. Reconhecer a Palestina não tem relação direta com o antissemitismo, que é o preconceito contra judeus. O gesto é político e geográfico, não de cunho religioso ou étnico.
Como ficaria certa: Se tratasse de discurso de ódio, mas isso não é o foco da questão.
🔴 C) Esvaziamento de assentamentos judaicos.
Errada. O uso do nome “Palestina” não implica ações militares ou desocupação territorial. A questão trata de reconhecimento simbólico, e não de medidas concretas em campo.
Como ficaria certa: Se estivesse ligada a ações políticas ou acordos que visem a retirada dos assentamentos — o que não ocorre aqui.
🟢 D) Reconhecimento de uma autoridade jurídica.
Correta. A mudança de “territórios palestinos” para “Palestina” simboliza o reconhecimento de que há uma organização política legítima representando o povo palestino. Isso está em consonância com o reconhecimento da ONU em 2012, que concedeu status de Estado Observador Não Membro.
✅ Raciocínio concluído: A mudança do Google espelha uma tendência internacional de reconhecer juridicamente a representação palestina, ainda que sem conferir soberania plena.
🔴 E) Estabelecimento de fronteiras nacionais.
Errada. A mudança de nome não define fronteiras, que seguem indefinidas e disputadas. A existência de “Palestina” no site não configura limites territoriais reconhecidos por acordos bilaterais ou pela ONU.
Como ficaria certa: Se houvesse um tratado de paz ou acordo formal estabelecendo tais fronteiras — o que não foi o caso.
🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final
A questão gira em torno de uma ação simbólica com grande peso político e diplomático: a substituição de “territórios palestinos” por “Palestina” feita por uma empresa internacional. Esse gesto não estabelece fronteiras, nem cria um novo Estado, mas reflete um reconhecimento simbólico da legitimidade da representação palestina — o que se relaciona diretamente ao status de Estado Observador concedido pela ONU em 2012