O audiograma corresponde a uma maneira objetiva de se representar a sensibilidade auditiva para diferentes frequências sonoras. Quanto maior a sensibilidade, menor é a intensidade necessária para que o som seja detectado. No gráfico, cada curva tracejada corresponde a uma determinada porcentagem de uma mesma população testada. A curva cheia superior corresponde aos níveis de intensidade sonora relatados como dolorosos.

A faixa de frequência, em Hz, na qual a maioria da população testada tem maior sensibilidade auditiva, encontra-se
A) abaixo de 80.
B) entre 80 e 100.
C) entre 2 000 e 4 000.
D) entre 4 000 e 10 000.
E) acima de 10 000.

✍ “Resolução Em Texto”
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Biofísica (Ondulatória e Acústica).
Fisiologia Humana (Sentidos – Audição).
Interpretação de Gráficos.
Tema/Objetivo Geral:
Interpretar um gráfico de audiograma para identificar em qual faixa de frequência o ouvido humano apresenta maior sensibilidade (ou seja, detecta sons com menor intensidade).
Nível da Questão
Médio.
A questão exige leitura atenta do gráfico. O aluno pode se confundir com a escala invertida do “senso comum”: no gráfico, quanto mais baixo o ponto da curva, melhor é a audição (pois precisa de menos decibéis). Quem associa “gráfico alto” com “coisa boa” pode errar.
Gabarito
Letra C.
Ao analisarmos as curvas tracejadas, percebemos que o ponto mínimo (o “vale” da curva) ocorre entre 2000 e 4000 Hz. O eixo Y representa a intensidade mínima para ouvir; portanto, o ponto mais baixo indica a maior sensibilidade.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão quer que você encontre o “ponto fraco” da audição no bom sentido: Qual som precisa ser apenas um sussurro para a gente ouvir?
No gráfico: Onde a linha desce mais?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine que a linha tracejada é o nível da água em uma piscina.
Onde a piscina é mais rasa (linha mais baixa), qualquer “marolinha” (som fraco) já toca o fundo.
Onde a piscina é funda (linha alta), você precisa de uma onda gigante (som forte) para tocar o fundo.
Queremos saber onde a “piscina auditiva” é mais rasa (mais sensível).
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Entender o Eixo Y: Nível de Intensidade (Volume). Quanto menor, mais sensível é o ouvido.
- Entender o Eixo X: Frequência (Grave à esquerda, Agudo à direita).
- Localizar o Mínimo: Olhar para as curvas tracejadas e encontrar o “fundo do poço”.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Precisamos da ferramenta de Leitura de Gráficos XY.
- Sensibilidade Auditiva: É a capacidade de ouvir sons fracos.
- Alta Sensibilidade = Ouve sons de baixos decibéis (dB).
- Baixa Sensibilidade = Precisa de muitos dB para começar a ouvir.
No Gráfico:
- Curvas Superiores (perto de 100 dB): Representam pessoas com audição ruim ou o limiar de dor.
- Curvas Inferiores (perto de 0 dB): Representam a audição normal/aguda.
- O “Vale” da Curva: Observe que todas as linhas tracejadas têm um formato de “U” ou “bacia”. O fundo dessa bacia é o ponto ótimo.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos olhar para o gráfico juntos.
Varredura Visual:
- Comece na esquerda (20 Hz): As linhas começam altas (precisa de 40-60 dB para ouvir). Ouvido ruim para graves.
- Vá caminhando para a direita: As linhas vão descendo.
- Chegando em 1000 Hz: Elas estão baixas.
- Chegando em 2000 a 4000 Hz: Elas atingem o ponto mais baixo de todos. Algumas linhas tocam quase o zero.
- Passando de 4000 Hz: As linhas sobem abruptamente. O ouvido perde sensibilidade para super agudos.
Conclusão Gráfica:
O intervalo onde o eixo Y (intensidade) apresenta os menores valores para todas as porcentagens da população é entre 2000 Hz e 4000 Hz.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
Confundir “Sensibilidade” com “Intensidade”.
O aluno pode pensar: “Maior sensibilidade deve ser onde o gráfico é mais alto”. ERRADO!
Se o gráfico é alto (100 dB), significa que você precisa gritar para a pessoa ouvir. Isso é baixa sensibilidade (surdez).
Gráfico Baixo = Ouvido Biônico.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: Procuramos o ponto de mínimo local das funções apresentadas no gráfico. Esse mínimo ocorre no intervalo de 2 a 4 kHz.
- Expectativa: Entre 2000 e 4000.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) abaixo de 80.
Diagnóstico do Erro: Leitura Invertida.
Análise: Nesta região (extrema esquerda), as curvas estão altas. Precisamos de sons fortes para ouvir graves profundos. Sensibilidade baixa.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) entre 80 e 100.
Diagnóstico do Erro: Leitura Invertida.
Análise: Igual à anterior. Ainda estamos na rampa descendente, longe do ponto ótimo.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
C) entre 2 000 e 4 000.
Análise de Correspondência: Perfeita.
Análise: É o “fundo do vale” visual do gráfico. É a região onde o limiar de audição é mais baixo (perto de 0 dB para 5% da população e o menor valor relativo para os outros 99%). É onde o ouvido humano brilha.
Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
D) entre 4 000 e 10 000.
Diagnóstico do Erro: Atenção ao Declive.
Análise: Em 4000 Hz a sensibilidade é ótima, mas logo depois (em direção a 10000 Hz) a curva sobe igual um foguete. A sensibilidade piora muito rápido nos agudos extremos.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
E) acima de 10 000.
Diagnóstico do Erro: Leitura Invertida.
Análise: Nesta região, as curvas estão lá no teto. Sons acima de 10 kHz precisam ser muito fortes para serem notados, e muitas pessoas idosas nem ouvem mais (presbiacusia).
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
A alternativa C é a correta pois o gráfico demonstra inequivocamente que o limiar de audição (intensidade mínima) atinge seus menores valores na faixa de frequências médias-altas (2 a 4 kHz).
Resumo-flash (A Imagem Mental):
Gráfico em “U”: O melhor está embaixo.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Por que somos sensíveis justamente a 2000-4000 Hz?
Porque essa é a frequência da Voz Humana e do choro do bebê! A evolução calibrou nosso ouvido para ouvir o que importa para a sobrevivência social. Não precisamos ouvir o passo da formiga (ultra-agudo) ou o terremoto (infra-grave) tão bem quanto precisamos ouvir alguém sussurrando “perigo”.