Questão 127 caderno azul do ENEM 2022 PPL – Dia 2

Detectores de fumaça baseados em ionização funcionam como se fossem um “nariz eletrônico”, acusando a presença de moléculas incomuns (fumaça) em seu interior. Dentro do aparelho, conforme esquematizado na figura, existe uma câmara de ionização aberta para o ar (1) e preenchida com íons (2) formados pelos choques das moléculas do ar com as partículas emitidas pelo elemento químico amerício 12395Am(3). O amerício expele, no interior da câmara, pequenas partículas radioativas, chamadas partículas alfa, que são núcleos de átomos de . Com o choque, são formados cátions e elétrons, que transitam em direções opostas entre dois eletrodos. Enquanto houver cátions e elétrons se movendo no interior da câmara, uma corrente se estabelece entre os eletrodos no circuito (4) e, por se considerar que tudo estábem, o alarme (5) permanece em silêncio.

Entretanto, se um incêndio acontecer, partículas de fumaça entram no detector e começam a obstruir a câmara de ionização (6). As partículas de fumaça se prendem aos íons, e o circuito no detector acusa essa mudança imediatamente (7), acionando o alarme (8). Assim que o incêndio é controlado, e a fumaça é removida, a câmara de detecção fica limpa, os íons voltam a se deslocar entre os eletrodos como antes, o circuito é desligado e o alarme para de tocar.

Questão 127 – ENEM PPL 2022 -

O sensor percebe a fumaça quando ela interrompe o(a)

A) fissão nuclear do gás hélio.

B) passagem de corrente elétrica.

C) transmutação das moléculas do ar.

D) decaimento radioativo do amerício.

E) fusão nuclear entre o hélio e o amerício.

✍ “Resolução Em Texto”

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

Física (Eletrodinâmica).
Química/Física Moderna (Radioatividade e Ionização).
Funcionamento de Circuitos Elétricos.

Tema/Objetivo Geral:

Compreender o princípio de funcionamento de um detector de fumaça iônico, relacionando a presença de partículas no ar com a interrupção do fluxo de cargas elétricas (corrente).

Nível da Questão

Médio.
O texto é longo e mistura conceitos de radioatividade com eletricidade. O aluno precisa filtrar o que é “causa” (radioatividade) do que é “consequência” (corrente) e identificar onde a fumaça interfere.

Gabarito

Letra B.
O sensor monitora constantemente a corrente elétrica formada pelos íons no ar. A fumaça “gruda” nesses íons, tornando-os pesados e lentos, o que faz a corrente parar. É essa parada que o sensor percebe.


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão quer saber qual é o “gatilho” que dispara o alarme. O texto descreve um processo complexo com radiação, íons e circuitos. Mas, no final das contas, o que o chip do alarme está vigiando?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um corredor (a câmara) onde pessoas (os íons) correm de um lado para o outro.
O detector é um guarda que vigia o fluxo de pessoas. Se as pessoas estão correndo, está tudo bem.
A fumaça é como uma gosma pegajosa que cai no corredor. As pessoas grudam na gosma e param de correr.
O guarda (sensor) percebe que ninguém mais está passando e toca o apito (alarme).
O que o guarda percebeu? A interrupção do fluxo de pessoas (corrente).

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  1. Entender o Estado Normal: O Amerício ioniza o ar -> Íons se movem -> Corrente passa.
  2. Entender o Estado de Incêndio: Fumaça entra -> Gruda nos íons -> Íons param -> Corrente para.
  3. Identificar o Gatilho: O sensor nota a falta de corrente.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Precisamos entender o conceito de Corrente Elétrica em Gases.

Normalmente, pensamos em corrente elétrica apenas em fios de metal (elétrons livres).
Mas, em gases (como o ar), a corrente também pode existir se houver Íons (átomos com carga).

  • Amerício (Radioativo): Ele é a “bateria” que cria os íons. Ele dispara partículas Alfa que arrancam elétrons do ar.
  • O Circuito: É um “contador de íons”. Enquanto ele contar íons chegando, ele sabe que o ar está limpo.

A lógica do Detector:

  • Ar Limpo = Íons Leves e Rápidos = Corrente Alta.
  • Ar com Fumaça = Íons Pesados e Lentos = Corrente Baixa/Nula.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos rastrear o texto do enunciado:

  1. “Enquanto houver cátions e elétrons se movendo… uma corrente se estabelece… o alarme permanece em silêncio.”
    • Tradução: Corrente passando = Tudo OK.
  2. “As partículas de fumaça se prendem aos íons… o circuito no detector acusa essa mudança imediatamente”.
    • Qual mudança? A mudança no movimento dos íons. Se eles param, a corrente para.

O Raciocínio Lógico:
O amerício continua lá, emitindo radiação (ele não para por causa da fumaça).
O hélio e o ar continuam lá.
A única coisa que a fumaça consegue bloquear fisicamente é o movimento das cargas.
Bloquear movimento de cargas = Interromper Corrente Elétrica.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
Achar que a fumaça bloqueia a radiação.
Muitos alunos pensam que a fumaça “tampa” o amerício, impedindo o decaimento radioativo (Letra D).
Cuidado! Nada “para” o decaimento radioativo, ele é um processo nuclear espontâneo. O amerício continua emitindo partículas alfa, mas elas batem na fumaça ou os íons formados são neutralizados pela fumaça. O sensor não mede a radiação diretamente, ele mede a consequência elétrica dela.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O sistema depende de um fluxo constante de eletricidade através do ar ionizado. A fumaça age como um isolante ou “freio” para esses íons.
  • Expectativa: Algo relacionado a fluxo, corrente ou movimento de cargas.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) fissão nuclear do gás hélio.
Diagnóstico do Erro: Absurdo Físico.
Análise: Fissão nuclear é quebrar núcleos atômicos (como urânio). Hélio é um gás nobre estável, não sofre fissão em detectores de fumaça. Além disso, a partícula alfa é um núcleo de hélio, não o gás hélio sofrendo fissão.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) passagem de corrente elétrica.
Análise de Correspondência: Perfeita.
Análise: O texto diz explicitamente: “Enquanto houver… corrente… o alarme permanece em silêncio”. A fumaça prende os íons, cessa o movimento e interrompe a corrente. É a falta de corrente que dispara o alarme.
Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

C) transmutação das moléculas do ar.
Diagnóstico do Erro: Termo Inadequado.
Análise: Transmutação é transformar um elemento químico em outro (alquimia nuclear). O que acontece no ar é Ionização (ganhar/perder elétrons), não transmutação nuclear. E a fumaça não interfere nisso.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) decaimento radioativo do amerício.
Diagnóstico do Erro: Confusão de Causa e Efeito.
Análise: O decaimento é propriedade intrínseca do núcleo do Amerício. Ele vai decair na mesma taxa com ou sem fumaça, com ou sem incêndio. A fumaça não tem poder para “pausar” a radioatividade.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) fusão nuclear entre o hélio e o amerício.
Diagnóstico do Erro: Ficção Científica.
Análise: Fusão nuclear exige temperaturas de milhões de graus (como no Sol). Isso não acontece dentro de um detector de plástico a pilha no teto da sua casa.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.


5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A alternativa B é a correta pois identifica a grandeza física monitorada pelo circuito eletrônico: a corrente elétrica, que é drasticamente reduzida quando a fumaça neutraliza os portadores de carga (íons).

Resumo-flash (A Imagem Mental):
Fumaça = Trânsito engarrafado de íons = Corrente Zero.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Existem dois tipos principais de detectores:

  1. Iônico (este da questão): Melhor para fogos rápidos e chamas vivas (que geram partículas pequenas).
  2. Fotoelétrico (Óptico): Usa um feixe de luz. A fumaça entra e espalha a luz para um sensor (efeito Tyndall). É melhor para fogos lentos que fazem muita fumaça visível antes da chama.
    Saber a diferença pode salvar vidas ao escolher o modelo certo para cada ambiente!

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