Em finais do século XIX, o boom da exploração do látex — goma elástica amplamente empregada na fabricação de correias de transmissão nas máquinas, de batentes, de encapamentos de fios elétricos que tanto propiciaram a expansão das comunicações e da transmissão de energia, além de ser utilizada na fabricação de pneumáticos — fez com que se desenvolvesse na Amazônia brasileira, colombiana e boliviana o fenômeno que, no Brasil, ficou conhecido como correria — prática de correr atrás dos indígenas para matá-los e, assim, dominar seus territórios para produzir látex.
GONÇALVES, C. W. P. Disponível em: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar. Acesso em: 13 abr. 2015 (adaptado).
No momento histórico apresentado, o sistema produtivo amazônico mencionado ficou marcado pelo(a):
a) subjugação de povos originários.
b) esgotamento de recursos naturais.
c) formação de cooperativas extrativas.
d) modernização dos parques industriais.
e) desapropriação de terras improdutivas.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão: História do Brasil (Ciclo da Borracha e Ocupação da Amazônia) e Sociologia (Conflitos Étnicos e Territoriais).
Tema/Objetivo Geral: Analisar a dinâmica social violenta e exploratória que caracterizou a extração do látex na Amazônia no final do século XIX, especificamente o impacto sobre as populações indígenas.
Nível da Questão: Médio.
Por que Médio? Embora o texto seja explícito sobre a violência (“matá-los”), o aluno precisa conectar essa violência física ao termo sociológico “subjugação” e diferenciar o processo extrativista (floresta) do processo industrial (fábricas na Europa/EUA).
Gabarito: A (subjugação de povos originários).
A alternativa está correta pois o texto descreve a “correria” como uma prática de extermínio e dominação territorial forçada sobre os indígenas para viabilizar a exploração econômica do látex.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão quer que você identifique a marca social do ciclo da borracha descrita no texto.
O texto fala de um produto moderno (látex para fios e pneus) que foi produzido através de um método bárbaro (“correr atrás dos indígenas para matá-los”).
A pergunta é: Qual o nome técnico para esse massacre de indígenas visando tomar suas terras?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um assalto.
- O ladrão (seringalista/explorador) quer a casa (floresta/seringais).
- A família que mora lá (indígenas) atrapalha o negócio.
- O ladrão usa a violência (“correria”) para expulsar ou matar a família e tomar a casa.
- Isso é um ato de dominação ou subjugação.
Plano de Ataque:
- Identificar a Ação: O texto fala em “matar” e “dominar territórios”.
- Identificar a Vítima: “Povos originários” (indígenas).
- Traduzir: Buscar a alternativa que descreva essa violência contra os nativos.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos usar o contexto do Ciclo da Borracha (1879-1912):
Ferramenta 1: A Demanda Global
A 2ª Revolução Industrial (carros, eletricidade) precisava desesperadamente de borracha. A Amazônia tinha o monopólio da árvore (Hevea brasiliensis).
Ferramenta 2: A “Correria”
Não confunda com pressa. No contexto amazônico, “correria” era uma expedição punitiva de caça humana. Os exploradores invadiam a mata para limpar a área de indígenas (considerados “obstáculos” ou mão de obra forçada) e abrir caminho para os seringueiros (geralmente nordestinos fugindo da seca).
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos dissecar o texto de apoio:
- O Cenário: “Boom da exploração do látex”. Muita riqueza sendo gerada.
- A Contradição: Para alimentar a modernidade (fios, máquinas), usou-se a barbárie.
- O Crime: “Prática de correr atrás dos indígenas para matá-los”.
- O Motivo: “Dominar seus territórios para produzir látex”.
- Se eu mato ou domino alguém para tomar o que é dele, eu estou subjugando essa pessoa.
- Subjugar = Colocar sob o jugo, dominar pela força, vencer.
Síntese do Detetive:
O sistema produtivo não foi pacífico nem cooperativo. Foi uma guerra de conquista territorial contra os donos da terra (indígenas).
Expectativa: Alternativa A.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
- A) subjugação de povos originários.
- Análise: 🟢 CORRETA. O termo “subjugação” resume perfeitamente a prática da “correria” descrita: o uso da violência letal para dominar os indígenas e seus territórios, submetendo a lógica da vida nativa à lógica do lucro do látex.
- Conclusão: Gabarito.
- B) esgotamento de recursos naturais.
- Diagnóstico do Erro: 🔴 INCORRETA. O texto fala do “boom” (auge/explosão) da exploração, não do seu fim ou esgotamento. A borracha acabou no Brasil por concorrência asiática, não por falta de árvores.
- Conclusão: Erro cronológico/econômico.
- C) formação de cooperativas extrativas.
- Diagnóstico do Erro: 🔴 INCORRETA. Cooperativa implica união voluntária e divisão justa de lucros. O sistema do látex era baseado no aviamento (endividamento do seringueiro) e na violência contra indígenas. Nada de cooperativo nisso.
- Conclusão: Oposto da realidade.
- D) modernização dos parques industriais.
- Diagnóstico do Erro: 🟡 DISTRATOR (Local errado). O texto diz que o látex propiciou a expansão das comunicações e fabricação de máquinas, MAS essas fábricas estavam na Europa e nos EUA. A Amazônia era área de extração, não de parque industrial moderno.
- Conclusão: Erro geográfico.
- E) desapropriação de terras improdutivas.
- Diagnóstico do Erro: 🔴 INCORRETA. “Desapropriação” é um termo jurídico legal (o Estado tira a terra e paga indenização). “Terras improdutivas” é um conceito capitalista. Para os indígenas, a terra era produtiva e era o lar deles. O que houve foi invasão e esbulho, não um processo legal de desapropriação.
- Conclusão: Eufemismo incorreto.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
O sistema produtivo do látex na Amazônia foi estruturado sobre a violência colonial, onde a expansão econômica dependia diretamente da subjugação, expulsão e extermínio das populações indígenas (“correria”) para a apropriação de seus territórios.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
“O pneu do carro moderno foi pago com o sangue da floresta. Correria não era pressa, era caçada humana.”
🧠 Para ir Além (Literatura):
Para entender a brutalidade desse período, recomenda-se a leitura de “A Selva”, do escritor português Ferreira de Castro. Ele viveu num seringal e descreve como o sistema escravizava tanto os nordestinos (pela dívida no barracão) quanto os indígenas (pela bala).