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Questão 79, caderno azul do ENEM 2023 PPL

A Primavera Árabe parecia mudar a realidade. Em janeiro de 2011, enquanto Ben Ali renunciava ao poder na Tunísia, ativistas por democracia no Egito começaram a convocar protestos por reformas no país — como na Tunísia, aproveitando o potencial da comunicação via internet e redes sociais. Ruas e praças, especialmente na capital, Cairo, foram rapidamente tomadas pela população pedindo melhoras econômicas e reformas políticas. A praça Tahrir (em português, Libertação), no Cairo, tornou-se o centro do movimento por democracia.

O que foi e como terminou a Primavera Árabe? Disponível em: www.bbc.com.
Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

A reivindicação da revolução popular apresentada no texto exigiu o(a)

A) garantia de direitos civis.
B) controle da crença religiosa.
C) mudança da cultura islâmica.
D) domínio de militantes radicais.
E) defesa de Estados autocráticos.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Geopolítica e História Contemporânea (Primavera Árabe).
  • Sociologia (Movimentos Sociais e Direitos Civis).

Tema/Objetivo Geral:

  • Identificar as motivações políticas e sociais dos levantes populares no Norte da África e Oriente Médio em 2011, conhecidos como Primavera Árabe.

Nível da Questão: Médio.

  • A questão exige a correta identificação da pauta central de um movimento histórico recente. Embora o texto dê pistas claras (“movimento por democracia”), o aluno precisa ter discernimento para não cair em estereótipos comuns sobre a região (focados apenas em religião ou terrorismo), diferenciando demandas civis de pautas religiosas ou extremistas.

Gabarito: A.

  • O texto cita explicitamente “ativistas por democracia”, “reformas políticas” e “melhoras econômicas”. Essas demandas constituem a base dos direitos civis (liberdade, participação política, justiça social) em oposição aos regimes ditatoriais vigentes.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão quer que identifiquemos o núcleo ideológico da Primavera Árabe. O que levou milhões de pessoas às ruas? Qual era o desejo fundamental por trás da revolta?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine uma panela de pressão. O povo egípcio estava cozinhando sob pressão há décadas (ditadura, desemprego, censura). A Primavera Árabe foi a explosão da válvula.
O que sai da válvula? Um pedido de socorro: “Queremos respirar (liberdade), queremos comer (economia), queremos escolher (voto)”.
O desafio é: qual alternativa resume “respirar, comer e escolher”?

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Extrair do texto as motivações explícitas (“democracia”, “reformas”).
  • Traduzir essas motivações para o conceito sociológico correspondente (Direitos Civis).
  • Eliminar as alternativas que apelam para estereótipos (religião, terrorismo).

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para não cairmos em armadilhas, precisamos diferenciar Cidadania de Religião/Extremismo.

Dossiê: O DNA da Primavera Árabe

O que ELA FOIO que ELA NÃO FOI (Inicialmente)
Política e Social: Luta contra ditaduras (Ben Ali, Mubarak).Religiosa: Não foi uma revolução islâmica fundamentalista.
Econômica: Luta contra o desemprego e custo de vida.Terrorista: Não foi um movimento da Al-Qaeda ou radicais.
Tecnológica: Uso de Facebook/Twitter para mobilizar.Autocrática: Foi contra a autocracia.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar o texto cirurgicamente:

  1. A Pista Principal: O texto diz “movimento por democracia”.
    • Democracia implica o quê? Voto, liberdade de expressão, direito de ir e vir. Tudo isso se resume em Direitos Civis e Políticos.
  2. O Contexto: O texto fala em “melhoras econômicas e reformas políticas”.
    • Isso refuta a ideia de que o movimento era puramente religioso ou cultural. Era sobre a vida prática do cidadão e sua relação com o Estado.
  3. A Oposição: O texto cita a renúncia de ditadores (Ben Ali).
    • Se eles derrubaram ditadores, eles queriam o oposto de autocracia.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum ao estudar o Oriente Médio é o Orientalismo: achar que tudo lá gira em torno do Islã.
O aluno vê “Árabe” no título e corre para marcar algo sobre religião (B ou C) ou extremismo (D).
Defenda-se: O texto não menciona Alá, Mesquitas ou Jihad. Ele menciona “democracia” e “reformas”. Atenha-se ao texto e à história factual do evento, que foi secular e transversal em sua origem.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O povo queria derrubar ditadores para ter liberdade e comida. Isso é a busca por cidadania plena.
  • Expectativa: Procuramos algo como “Direitos”, “Liberdade” ou “Democracia”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) garantia de direitos civis.
    • Análise de Correspondência: Perfeita. “Direitos civis” é o termo técnico que engloba as liberdades individuais, de expressão e de manifestação política citadas no texto como “movimento por democracia”.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • B) controle da crença religiosa.
    • O Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema (Estereótipo).
    • Por que está incorreta: A Primavera Árabe uniu muçulmanos (sunitas, xiitas) e cristãos (coptas no Egito) na mesma praça. A pauta não era controlar a fé, mas liberar a política.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) mudança da cultura islâmica.
    • O Diagnóstico do Erro: Confusão entre Cultura e Política.
    • Por que está incorreta: Os manifestantes não queriam deixar de ser muçulmanos ou árabes. Eles queriam deixar de ser oprimidos politicamente. A cultura permaneceu, o regime é que foi atacado.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) domínio de militantes radicais.
    • O Diagnóstico do Erro: Anacronismo/Confusão de Consequência.
    • Por que está incorreta: Radicais (como a Irmandade Muçulmana ou depois o Estado Islâmico) se aproveitaram do vácuo de poder depois, mas a reivindicação inicial descrita no texto era popular, democrática e ampla, não uma agenda de extremistas.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) defesa de Estados autocráticos.
    • O Diagnóstico do Erro: Contradição Direta.
    • Por que está incorreta: Autocracia é ditadura. Eles estavam na rua derrubando ditadores (Ben Ali, Mubarak). Eles atacavam a autocracia, não a defendiam.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A Primavera Árabe foi um grito de basta contra a tirania, onde a tecnologia serviu de megafone para uma população que exigia não o extremismo religioso, mas a garantia de direitos civis (Alternativa A) básicos negados por décadas de ditadura.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
📱 Celular na Mão + Povo na Praça = Fim do Ditador. (Busca por Direitos).

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Conexão com a Atualidade (Inverno Árabe):
É importante notar que, embora a reivindicação fosse por democracia (Primavera), o resultado em muitos países foi guerra civil ou o retorno de ditaduras (o chamado “Inverno Árabe”, como na Síria e Líbia). Isso nos ensina uma lição dura da Ciência Política: Derrubar um ditador é “fácil”; construir instituições democráticas sólidas é o verdadeiro desafio.

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