Questão 45, caderno azul ENEM 2018

Stephen Lund, artista canadense, morador em Victoria, capital da Colúmbia Britânica (Canadá), transformou-se em fenômeno mundial produzindo obras de arte virtuais pedalando sua bike. Seguindo rotas traçadas com o auxílio de um dispositivo de GPS, ele calcula ter percorrido mais de 10 mil quilômetros. 

Disponível em: www.booooooom.com. Acesso em: 9 dez. 2017 (adaptado)

Os textos destacam a inovação artística proposta por Stephen Lund a partir do(a)

A) deslocamento das tecnologias de suas funções habituais. 
B) perspectiva de funcionamento do dispositivo de GPS.
C) ato de guiar sua bicicleta pelas ruas da cidade.
D) análise dos problemas de mobilidade urbana.
E) foco na promoção cultural da sua cidade

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Arte e Tecnologia (GPS Art).
  • Interpretação de Texto Misto (Mapa + Texto Verbal).
  • Conceito de Ressignificação/Deslocamento de Função.

Tema/Objetivo Geral:
Analisar como um artista contemporâneo utiliza uma ferramenta tecnológica utilitária (GPS) para criar uma obra de arte, subvertendo sua função original de mera localização.

Nível da Questão:
Fácil.
Justificativa: O texto é claro ao descrever o processo (pedalar + GPS = desenho). A interpretação exige apenas que o aluno perceba que “fazer desenho” não é a função normal de um GPS, logo, houve um deslocamento.

Gabarito:
Letra A – deslocamento das tecnologias de suas funções habituais.
Resumo: O GPS foi inventado para guiar (ir do ponto A ao B de forma eficiente). O artista usa o GPS para desenhar (ir do ponto A ao B de forma estética). Ele deslocou a tecnologia da função “guia” para a função “pincel”.


Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

A Missão:
A questão pergunta qual é a inovação artística proposta por Stephen Lund. O que ele fez de novo? Ele inventou a bicicleta? Não. Ele inventou o GPS? Não. Ele inventou um jeito novo de usar essas coisas.
A missão é nomear esse “jeito novo de usar coisas velhas”.

A Analogia Central (O Pincel de Satélite):
Imagine que você pega uma colher. A função dela é comer sopa. Mas você pega a colher e começa a cavar um túnel na parede da prisão. Você deslocou a função da colher (de talher para ferramenta de escavação).
Stephen Lund pegou o GPS (ferramenta de localização) e o usou como pincel. A cidade é a tela, a bicicleta é a mão, o GPS é a tinta.

Nosso Plano de Ataque:

  1. Identificar a função original do GPS (Navegação).
  2. Identificar a função dada pelo artista (Criação de Imagens/Arte).
  3. Encontrar a alternativa que descreve essa mudança de propósito.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Vamos usar a Tabela de Deslocamento Funcional para entender a obra:

Objeto Função Habitual (Utilitária) Função Artística (Estética)
Bicicleta Transporte, Exercício. Instrumento de traçado.
GPS Localização, Rota mais curta. Registro do desenho, Rota mais bonita.
Mapa Orientação geográfica. Suporte visual da obra.

Conceito-Chave: Apropriação Tecnológica.
Na arte contemporânea, é comum pegar tecnologias do dia a dia e usá-las para fins poéticos. É o “hacking” artístico.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Olhe para a Imagem 1.
Vemos um mapa de cidade. Mas sobre o mapa, há um desenho do Cristo Redentor.
Esse desenho não é uma estrada real. Ninguém projeta ruas em forma de Cristo Redentor.
O artista teve que pedalar ruas específicas, virar em esquinas específicas, muitas vezes fazendo caminhos longos e ilógicos para quem quer apenas se transportar, só para que o rastro do GPS formasse o desenho.

O texto 2 diz: “produzindo obras de arte virtuais pedalando sua bike… com o auxílio de um dispositivo de GPS”.

A inovação não está no GPS em si (que já existe há décadas), mas no fato de ele ter sido transformado em uma ferramenta de desenho. Ele foi retirado do contexto de “eficiência” e colocado no contexto de “expressão”.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com a interpretação literal (Letras C e D)!
Muitos alunos pensam: “Ah, ele está de bicicleta, então é sobre mobilidade urbana (D) ou sobre guiar a bicicleta (C)”.
Cuidado! O tema é ARTE. A bicicleta e a mobilidade são apenas o meio, não a mensagem artística. A arte não acontece porque ele pedala (muita gente pedala), a arte acontece porque o pedalar dele vira imagem graças ao uso subversivo do GPS.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O artista usa uma ferramenta técnica (GPS) para uma finalidade estética não prevista pelo fabricante.
  • Expectativa: Devemos buscar palavras como “deslocamento”, “ressignificação”, “mudança de função” ou “novo uso”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

a) deslocamento das tecnologias de suas funções habituais.

  • Análise: Perfeita. A função habitual do GPS é guiar; a nova função é desenhar. Houve um deslocamento do utilitário para o artístico.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

b) perspectiva de funcionamento do dispositivo de GPS.

  • Diagnóstico do Erro: Foco Técnico.
  • Análise: O artista não mudou como o GPS funciona (satélites, sinal). O GPS funciona do mesmo jeito. Ele mudou o que se faz com o funcionamento dele.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

c) ato de guiar sua bicicleta pelas ruas da cidade.

  • Diagnóstico do Erro: Reducionismo.
  • Análise: Guiar a bicicleta é a ação física, mas não é a inovação artística. Milhares de pessoas guiam bicicletas todos os dias e não fazem arte. A inovação é o registro do trajeto como imagem.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

d) análise dos problemas de mobilidade urbana.

  • Diagnóstico do Erro: Extrapolação Temática.
  • Análise: O texto não fala de trânsito, ciclovias ou problemas de transporte. O foco é estritamente a criação de imagens virtuais.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

e) foco na promoção cultural da sua cidade.

  • Diagnóstico do Erro: Consequência vs. Causa.
  • Análise: Pode até promover a cidade indiretamente, mas a “inovação artística” descrita não é o marketing turístico, e sim a técnica de desenho via satélite.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

A arte não está no objeto, está no olhar. Um satélite militar (GPS) pode virar um lápis de cor se o artista assim desejar.

Resumo-flash: ⚡
“O GPS diz ‘vire à direita’, o artista diz ‘vire para desenhar o braço do Cristo’: a função mudou.”

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Esse tipo de arte chama-se GPS Art ou Strava Art (em referência ao aplicativo popular de corrida). Ela nos lembra os Geoglifos de Nazca (desenhos gigantes no deserto do Peru feitos povos antigos), que só podiam ser vistos do céu. Stephen Lund faz “Geoglifos Digitais”.

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