Questão 07, caderno azul do ENEM 2018 – Dia 1

Disponível em: www.facebook.com/minsaude. Acesso em: 14 fev. 2018 (adaptado)

A utilização determinadas variedades linguísticas em campanhas educativas tem a função de atingir o público-alvo de forma mais direta e eficaz. No caso desse texto, identifica-se essa estratégia pelo(a)

a) discurso formal da língua portuguesa.

b) registro padrão próprio da língua escrita.

c) seleção lexical restrita à esfera da medicina.

d) fidelidade ao jargão da linguagem publicitária.

e) uso de marcas linguísticas típicas da oralidade.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Variação Linguística (Oralidade x Escrita).
  • Funções da Linguagem (Função Conativa/Apelativa).
  • Gênero Textual: Campanha Publicitária/Educativa.

Tema/Objetivo Geral:
Compreender como o registro de linguagem (formal ou informal) é utilizado estrategicamente para gerar aproximação com o público-alvo em campanhas de conscientização.

Nível da Questão:
Fácil.
Justificativa: O texto utiliza expressões muito comuns do dia a dia, tornando a identificação da “fala” dentro da “escrita” bastante intuitiva.

Gabarito:
Letra E – uso de marcas linguísticas típicas da oralidade.
Resumo: A campanha simula um diálogo próximo, usando construções frasais como “ir se acostumando” e perguntas diretas (“tá difícil largar?”), típicas da fala espontânea brasileira.


Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

A Missão:
A questão quer que você identifique a ferramenta linguística usada pelo Ministério da Saúde para “quebrar o gelo” e falar diretamente com você. O enunciado já dá a dica: o objetivo é atingir o público de forma “mais direta e eficaz”.

A Analogia Central (O Médico Amigo):
Imagine dois médicos.

  • O Médico A diz: “A redução gradual da ingestão de sacarose é imperativa para a homeostase.” (Você não entende nada e se sente distante).
  • O Médico B diz: “Tá difícil largar o açúcar? Tenta ir diminuindo aos poucos.” (Você entende, sente empatia e escuta).
    A questão quer saber: qual característica da fala do Médico B foi usada no texto?

Nosso Plano de Ataque:

  1. Analisar o tom do texto (é uma ordem? uma lei? uma conversa?).
  2. Identificar expressões que soam como uma conversa de bar ou de família.
  3. Associar essas expressões às alternativas.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Vamos usar uma Tabela Comparativa para entender a diferença entre o que é “Padrão Rígido” e o que é “Oralidade Simulada”:

Característica Norma Padrão Rígida (Escrita Formal) Oralidade / Coloquialismo (Usado no Texto)
Construção Sintética e direta. Analítica e alongada (Gerundismo).
Exemplo “Acostume-se gradualmente.” “Ir se acostumando…”
Interação Impessoal. Pessoal e Interrogativa.
Exemplo “A dificuldade de abstenção é comum.” “Está difícil largar?”

O texto da questão escolhe a coluna da direita. Ele usa a simulação da fala (oralidade) dentro de um texto escrito para criar intimidade.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos dissecar o texto da imagem como linguistas forenses.

O texto diz:

“Seu organismo já está acostumado com o açúcar e está difícil largar?”

Observe a escolha das palavras. “Largar” o açúcar. Em um texto médico formal, usaríamos “interromper o consumo”. “Largar” é verbo de conversa cotidiana (largar o vício, largar o namorado).

Depois ele diz:

“O ideal é ir se acostumando aos poucos…”

A locução verbal “ir se acostumando” (verbo ir + pronome + gerúndio) é uma marca clássica do português brasileiro falado. Na norma culta escrita rígida, preferir-se-ia “acostumar-se”. Essa construção alongada suaviza a ordem. Não é uma imposição (“Pare!”), é um conselho de amigo (“Vai indo devagar…”).

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! Não confunda Oralidade com Erro Gramatical. O texto não está “errado”. Ele está adequado. Em linguística, a adequação ao público é mais importante que a rigidez gramatical. O Ministério da Saúde não “errou”; ele escolheu falar a sua língua propositalmente.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O texto usa vocabulário simples (“largar”) e estruturas gramaticais da fala (“ir se acostumando”) para criar proximidade.
  • Expectativa: Devemos buscar a alternativa que mencione “fala”, “oralidade”, “coloquialismo” ou “informalidade”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

a) discurso formal da língua portuguesa.

  • Diagnóstico do Erro: Contradição Direta.
  • Análise: O texto foge do formalismo justamente para ser popular. “Largar” e “ir se acostumando” não são marcas de formalidade solene.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

b) registro padrão próprio da língua escrita.

  • Análise: 🟡 PARCIALMENTE CORRETA / ARMADILHA. Esta é perigosa! O texto está escrito e respeita as regras gramaticais básicas (concordância, regência). Porém, o “registro padrão próprio da escrita” geralmente evita gerundismos excessivos (“ir se acostumando”) e termos coloquiais (“largar”). A questão pede a estratégia para ser mais direto. O que torna o texto direto não é ser “padrão”, é ser “oralizado”.

c) seleção lexical restrita à esfera da medicina.

  • Diagnóstico do Erro: Falsidade Ideológica.
  • Análise: Não há termos médicos como “sacarose”, “insulina”, “glicemia” ou “diabetes”. O léxico é cotidiano.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

d) fidelidade ao jargão da linguagem publicitária.

  • Diagnóstico do Erro: Confusão de Conceitos.
  • Análise: Jargão publicitário seriam termos usados pelos publicitários (ex: “brainstorm”, “job”, “deadline”). O texto usa a técnica publicitária, mas não o vocabulário (jargão) da profissão.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

e) uso de marcas linguísticas típicas da oralidade.

  • Análise: Perfeito. O uso de perguntas retóricas (“…difícil largar?”), o vocabulário simples e a locução verbal contínua (“ir se acostumando”) são espelhos de como o brasileiro fala no dia a dia. Isso gera identificação imediata.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

A eficácia de uma campanha de saúde pública depende menos da precisão médica e mais da conexão emocional e linguística com a população. Falar “a língua do povo” salva vidas.

Resumo-flash: ⚡
“Para o povo escutar, o governo precisa ‘conversar’, não ‘redigir’.”

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este fenômeno é estudado no Marketing Digital moderno sob o nome de Copywriting Conversacional. Marcas como a Netflix nas redes sociais usam exatamente essa estratégia: escrevem como se fossem uma pessoa (usando gírias, memes e oralidade) para criar uma “persona” e engajar o público, rompendo a barreira corporativa.

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