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Questão 02, caderno azul do ENEM 2022 – ESPANHOL

Pequeño hermano

Es, no cabe duda, el instrumento más presente y más poderoso de todos los que entraron en nuestras vidas. Ni la televisión ni el ordenador, no hablemos ya del obsoleto fax o de las agendas o los libros electrónicos, ha tenido tal influencia, tal predicamento sobre nosotros. El móvil somos nosotros mismos. Todo desactivado e inerte, inocuo, ya les digo. Y de repente, tras un viaje y tres o cuatro imprudentes fotos, salta un aviso en la pantalla. Con sonido, además, pese a que tengo también todas las alertas desactivadas. Y mi monstruo doméstico me dice: Tienes un recuerdo nuevo. Lo repetiré: tienes un recuerdo nuevo. ¿Y tú qué sabes? ¿Y a ti, máquina demoníaca, qué te importa? ¿Cómo te atreves a decirme qué son o no son mis recuerdos? ¿Qué es esta intromisión, este descaro? El pequeño hermano lo sabe casi todo. Sólo hay una esperanza: que la obsolescencia programada mate antes al pequeño hermano y que nosotros sigamos vivos, con los recuerdos que nos dé la gana.

FERNÁNDEZ, D. Disponível em: www.lavanguardia.com.
Acesso em: 5 dez. 2018 (adaptado)

No texto, o autor faz uma crítica ao(à)
A) conhecimento das pessoas sobre as tecnologias.
B) uso do celular alheio por pessoas desautorizadas.
C) funcionamento de recursos tecnológicos obsoletos.
D) ingerência do celular sobre as escolhas dos usuários.
E) falta de informação sobre a configuração de alertas no celular.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Língua Espanhola: Interpretação de Textos (Crônicas e Textos de Opinião).
  • Literatura: Referências intertextuais (Big Brother/Orwell).

Tema/Objetivo Geral:

  • Interpretar uma crônica sobre a relação contemporânea entre o ser humano e o smartphone, identificando o tom crítico em relação à invasão de privacidade e à autonomia tecnológica.

Nível da Questão: Médio.

  • Justificativa: Embora o texto esteja em espanhol e contenha termos cognatos, a compreensão da crítica depende da percepção do tom irônico e da metáfora do “Pequeño Hermano” (referência a “1984” de Orwell). O aluno precisa inferir que o celular “decidir” o que é uma memória é uma forma de ingerência (intromissão) na vida pessoal.

Gabarito: D.

  • Resumo: O autor relata sua irritação quando o celular o notifica: “Você tem uma nova memória” (tienes un recuerdo nuevo). Ele questiona com veemência: “E você o que sabe? Como se atreve a dizer o que são minhas memórias?”. Isso demonstra uma crítica direta à intromissão (ingerência) da tecnologia na definição da vida e das escolhas pessoais do usuário.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão quer saber qual é a reclamação do autor. Ele está bravo com o celular. Por quê? Porque o celular quebrou? Porque é difícil de usar? Ou porque o celular está se metendo onde não foi chamado (na vida pessoal dele)?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine que você tem um assistente pessoal robô.
Um dia, o robô olha para uma foto sua comendo um sanduíche e diz: “Este foi o melhor momento da sua vida.”
Você ficaria bravo e diria: “Quem é você para decidir o que é importante para mim? Eu decido minhas memórias!”.
O texto é exatamente sobre isso: o celular (robô) querendo decidir o que é uma “memória” (recuerdo) para o dono.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Identificar o “vilão” do texto (o celular, chamado de “monstro doméstico” e “pequeno irmão”).
  • Identificar a ação do vilão que irritou o autor (o aviso de “memória nova”).
  • Analisar a reação do autor (indignação com a intromissão).
  • Relacionar essa indignação com a palavra “ingerência” (intromissão).

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender a profundidade da raiva do autor, vamos simular uma conversa investigativa:

🕵️‍♂️ Mentor (Detetive): Vamos começar pelo título. “Pequeño Hermano” (Pequeno Irmão). Isso te lembra algum personagem famoso da literatura ou TV?
🧠 Aluno (Cérebro): Lembra o “Big Brother” (Grande Irmão)?
🕵️‍♂️ Mentor: Exato! É uma referência direta ao livro 1984, de George Orwell. O Grande Irmão era o ditador que vigiava tudo. Se o celular é o “Pequeno Irmão”, o que o autor está insinuando?
🧠 Aluno: Que o celular é um espião que anda no nosso bolso?
🕵️‍♂️ Mentor: Isso mesmo. Um espião que acha que manda em nós. Agora, qual foi a gota d’água para o autor?
🧠 Aluno: O aviso de “Tienes un recuerdo nuevo” (Você tem uma nova memória).
🕵️‍♂️ Mentor: E por que isso ofende tanto?
🧠 Aluno: Porque quem decide o que é uma memória importante sou eu, não um robô!
🕵️‍♂️ Mentor: BINGO! O celular se “intrometeu” na definição da vida dele. O nome chique para essa intromissão abusiva é INGERÊNCIA.

Conceito Chave: Subjetividade vs. Algoritmo
O texto é uma batalha entre a Subjetividade Humana (meus sentimentos, minhas escolhas) e o Algoritmo da Máquina (cálculos frios). A crítica é sobre a máquina tentando substituir o humano na hora de dar valor às coisas.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos acompanhar a explosão do autor:

  1. O Contexto: O celular é poderoso (“o instrumento mais presente”).
  2. O Gatilho: O celular emite um aviso sonoro (mesmo com alertas desativados!) dizendo: “Tienes un recuerdo nuevo” (Você tem uma nova memória – provavelmente aquelas montagens automáticas de fotos).
  3. A Revolta: O autor fica furioso. “¿Cómo te atreves a decirme qué son o no son mis recuerdos?” (Como se atreve a me dizer o que são minhas memórias?).
  4. A Conclusão: Ele chama isso de intromisión (intromissão) e chama o celular de Pequeño Hermano (vigilante). Ele quer ter os “recuerdos que nos dé la gana” (as memórias que a gente quiser), não as que a máquina escolhe.

Conclusão Lógica: A crítica é sobre a máquina tomando decisões pelo humano, invadindo sua subjetividade. Isso é ingerência (interferência indevida).

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O celular define automaticamente o que é uma “memória”, e o autor critica essa autonomia da máquina sobre a vida do usuário.
  • Expectativa: Alternativa D (Ingerência/Intromissão).

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) conhecimento das pessoas sobre as tecnologias.
    • O Diagnóstico do Erro: Fuga ao tema.
    • Por que está incorreta: O texto diz que o celular “sabe quase tudo” sobre nós, e não que nós não sabemos sobre ele. A crítica não é sobre ignorância técnica, mas sobre invasão de privacidade.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) uso do celular alheio por pessoas desautorizadas.
    • O Diagnóstico do Erro: Interpretação literal equivocada.
    • Por que está incorreta: O “intruso” no texto não é outra pessoa (um ladrão ou bisbilhoteiro), é o próprio aparelho e seu software (“máquina demoníaca”).
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) funcionamento de recursos tecnológicos obsoletos.
    • O Diagnóstico do Erro: Distrator vocabular.
    • Por que está incorreta: A palavra obsolescência aparece no final, mas como uma esperança de salvação (“tomara que o celular quebre logo”). O autor não critica aparelhos velhos (como o fax, citado no início apenas para comparação), ele critica o celular moderno e funcional demais.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) ingerência do celular sobre as escolhas dos usuários.
    • Análise de Correspondência: Perfeito. “Ingerência” é sinônimo de “intromisión”, palavra usada no texto. O celular interfere (“escolhe”) o que deve ser lembrado (recuerdo), tirando essa escolha do usuário.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • E) falta de informação sobre a configuração de alertas no celular.
    • O Diagnóstico do Erro: Reducionismo.
    • Por que está incorreta: O autor menciona que tinha os alertas desativados e mesmo assim o celular tocou. Isso serve para mostrar o poder/controle do aparelho, não para criticar a falta de informação técnica ou manual de instruções.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A tecnologia deve servir, não ditar: ao se revoltar contra a notificação automática de “novas memórias”, o autor denuncia a ingerência (Alternativa D) dos algoritmos na esfera mais íntima do ser humano, que é a construção de sua própria história e identidade.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
📱 Celular: “Isso é uma memória!”
😡 Humano: “Não é não! Eu decido!”
🛑 Crítica: Ingerência (Intromissão).

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Conexão com a Ética da Inteligência Artificial (Algoritmos):
O texto toca no coração da discussão sobre Curadoria Algorítmica.
Quando o Facebook, Instagram ou Google Photos montam um vídeo de “Retrospectiva”, eles usam IA para escolher suas fotos “mais felizes” (baseado em sorrisos, luz, likes). Mas a IA não entende contexto. Ela pode destacar a foto de um ex-namorado ou de um parente falecido em um momento doloroso. Essa “falta de tato” da máquina é o que o autor chama de “máquina demoníaca”.

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