15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 98, caderno cinza (6) do ENEM 2014 PPL

Soneto

Oh! Páginas da vida que eu amava,
Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado!…
Ardei, lembranças doces do passado!
Quero rir-me de tudo que eu amava!

E que doido que eu fui! como eu pensava
Em mãe, amor de irmã! em sossegado
Adormecer na vida acalentado
Pelos lábios que eu tímido beijava!

Embora — é meu destino. Em treva densa
Dentro do peito a existência finda
Pressinto a morte na fatal doença!

A mim a solidão da noite infinda!
Possa dormir o trovador sem crença.
Perdoa minha mãe — eu te amo ainda!

(AZEVEDO, A. Lira dos vinte anos. São Paulo: Martins Fontes, 1996)

A produção de Álvares de Azevedo situa-se na década de 1850, período conhecido na literatura brasileira como Ultrarromantismo. Nesse poema, a força expressiva da exacerbação romântica identifica-se com o(a):

A) amor materno, que surge como possibilidade de salvação para o eu lírico.

B) saudosismo da infância, indicado pela menção às figuras da mãe e da irmã.

C) construção de versos irônicos e sarcásticos, apenas com aparência melancólica.

D) presença do tédio sentido pelo eu lírico, indicado pelo seu desejo de dormir.

E) fixação do eu lírico pela ideia da morte, o que o leva a sentir um tormento constante.

Resolução Em Texto

🎯 Tema/Objetivo Geral:
Características do Ultrarromantismo e sua manifestação no eu lírico

📚 Necessárias para a Solução da Questão:
Escolas literárias (Ultrarromantismo), análise de soneto, interpretação de texto poético, traços do eu lírico, temática da morte

🎯 Nível da Questão:
Médio

Gabarito:
E) fixação do eu lírico pela ideia da morte, o que o leva a sentir um tormento constante.


📖 Resolução Passo a Passo

🔎 Passo 1: Análise do Comando e Objetivo

O comando afirma que o poema se insere no contexto do Ultrarromantismo, pedindo que o aluno identifique a força expressiva mais marcante do eu lírico, ou seja, o sentimento dominante que conduz a construção do poema.

➡️ O que o comando quer?
Reconhecer qual sentimento exacerbado domina o soneto e como ele se vincula aos excessos emocionais do Ultrarromantismo.

➡️ Objetivo Cristalino da questão:
Relacionar a temática do poema com as principais características do Ultrarromantismo, observando a linguagem usada pelo eu lírico para expressar angústia, negação da vida e desejo de morte.

Dúvida Comum:
É comum confundir menções a figuras como “mãe” ou “irmã” com sentimentalismo típico do Romantismo tradicional, mas neste caso, essas figuras são evocadas como resquícios de um passado rejeitado, o que reforça o peso da melancolia e do desejo de fim.


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

O Ultrarromantismo, ou Segunda Geração Romântica, teve como principais marcas:

  • Culto à morte: a morte é idealizada como única libertação possível;
  • Pessimismo existencial: o mundo é visto como sem sentido;
  • Solidão e melancolia: o eu lírico sente-se incompreendido, isolado;
  • Desprezo pela vida: há negação da realidade e do amor terreno;
  • Desejo de fuga: sobretudo pela morte ou pelo sono eterno.

Poetas como Álvares de Azevedo utilizaram a poesia como canal para expressar sofrimento profundo, muitas vezes com tom confessional e desesperançado.


📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto

O soneto apresenta um eu lírico desesperançado, que rejeita o passado, renega os afetos e anseia pela morte como libertação. Frases como:

  • “Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado!…”
  • “Quero rir-me de tudo que eu amava!”
  • “Pressinto a morte na fatal doença!”
  • “A mim a solidão da noite infinda!”

…revelam a intensidade de sua dor e o desejo de desligar-se do mundo e da vida.

Ele até retoma memórias da mãe e da irmã, mas apenas para lamentar sua perda de fé na vida. O tom predominante é de agonia e negação existencial.


Passo 4: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução

A) amor materno, que surge como possibilidade de salvação para o eu lírico. 🔴
Errada. O amor materno é mencionado no fim, mas não tem força redentora. O eu lírico continua mergulhado na dor e no desejo de morrer.
💬 Como estaria correta: Se dissesse que o amor materno “é lembrado, mas não tem força de salvação”.

B) saudosismo da infância, indicado pela menção às figuras da mãe e da irmã. 🔴
Errada. Não há nostalgia idealizada. Ele se refere ao passado com rejeição (“Quero rir-me de tudo que eu amava!”).
💬 Como estaria correta: Se o poema exaltasse positivamente a infância como tempo perdido e idealizado.

C) construção de versos irônicos e sarcásticos, apenas com aparência melancólica. 🔴
Errada. O tom do poema é sinceramente trágico, melancólico e dramático. Não há ironia.
💬 Como estaria correta: Se o texto fosse ambíguo, com linguagem que contradissesse o sentimento declarado.

D) presença do tédio sentido pelo eu lírico, indicado pelo seu desejo de dormir. 🟡
Parcial. O desejo de “dormir” aparece (“possa dormir o trovador sem crença”), mas vai além do tédio: expressa desejo de morte definitiva, não simples cansaço ou desinteresse.
💬 Como estaria correta: Se o poema sugerisse apenas apatia ou indiferença, não morte como libertação.

E) fixação do eu lírico pela ideia da morte, o que o leva a sentir um tormento constante. 🟢
Correta. A morte é o eixo do poema. O eu lírico sente-se condenado, atormentado, e a morte é a única certeza e saída. A idealização da morte como descanso é central na estética ultrarromântica.


🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final

O poema de Álvares de Azevedo reflete profundamente o espírito do Ultrarromantismo: o tormento existencial, o desejo de morrer, a rejeição da vida e do amor. Ainda que figuras afetivas como a mãe apareçam, elas não aliviam o sofrimento do eu lírico. A alternativa E é a única que capta o cerne do poema: a obsessiva atração pela morte como única saída possível. 🖤⚰️✨

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.