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Questão 97, caderno azul ENEM 2018

 A tecnologia de comunicação da etiqueta RFID (chamada de etiqueta inteligente) é usada há anos para rastrear gado, vagões de trem, bagagem aérea e carros nos pedágios. Um modelo mais barato dessas etiquetas pode funcionar sem baterias e é constituído por três componentes: um microprocessador de silício; uma bobina de metal, feita de cobre ou de alumínio, que é enrolada em um padrão circular; e um encapsulador, que é um material de vidro ou polímero envolvendo o microprocessador e a bobina. Na presença de um campo de radiofrequência gerado pelo leitor, a etiqueta transmite sinais. A distância de leitura é determinada pelo tamanho da bobina e pela potência da onda de rádio emitida pelo leitor.

 Disponível em: http:eleletronicos.hsw.uol.com.br. Acesso em: 27 fev. 2012 (adaptado). 

 A etiqueta funciona sem pilhas porque o campo

A) elétrico da onda de rádio agita elétrons da bobina.

B) elétrico da onda de rádio cria uma tensão na bobina.

C) magnético da onda de rádio induz corrente na bobina

D) magnético da onda de rádio aquece os fios da bobina.

E) magnético da onda de rádio diminui a ressonância no interior da bobina. 

Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Eletromagnetismo (Indução Eletromagnética e Lei de Faraday-Lenz).

Tema/Objetivo Geral:
Compreender como campos magnéticos variáveis podem gerar corrente elétrica em circuitos sem bateria.

Nível da Questão: Médio.

  • Embora o conceito seja fundamental no Eletromagnetismo, o aluno precisa relacionar termos técnicos (“radiofrequência”, “bobina”) com o fenômeno físico da indução, sem cair em distratores que citam outros conceitos físicos válidos (como campo elétrico ou efeito Joule), mas que não explicam a origem da energia.

Gabarito: Alternativa (C).

  • A alternativa correta explica que a variação do campo magnético (parte da onda de rádio) ao atravessar a bobina é o que induz a corrente elétrica necessária para ligar o dispositivo.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão quer que a gente explique o mecanismo físico que permite a uma etiqueta eletrônica (RFID) funcionar e transmitir dados sem ter nenhuma pilha ou bateria conectada a ela. De onde vem a energia elétrica para ligar o chip?

Simplificando, imagine que…
Você tem um ventilador desligado da tomada. De repente, alguém passa um ímã gigante perto dele e as hélices começam a girar sozinhas. A questão quer saber: qual é a “mágica” invisível que transferiu energia do ímã (ou, no caso da questão, da antena do leitor) para o aparelho?

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  • Analisar a imagem e os componentes citados (bobina e microprocessador).
  • Entender a física por trás da interação entre bobinas e campos magnéticos.
  • Identificar nas alternativas qual fenômeno descreve a geração de eletricidade sem contato físico.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para resolver isso, não precisamos de fórmulas complexas, mas precisamos dominar o conceito de Indução Eletromagnética. Vamos construir esse conhecimento agora, pois ele será a base de tudo.

Uma imagem poderosa pode transformar um conceito abstrato em uma memória inesquecível. A ilustração a seguir foi criada para visualizar a essência da nossa análise, tornando a ideia central clara e impactante:

(A Anatomia da Indução): Observe a imagem com atenção. Ela mostra um solenoide (a bobina) sendo atravessado por linhas de campo (as setas curvas). Perceba que existe uma corrente elétrica (indicada pelas setas vermelhas “I”) circulando pelo fio. Toda a nossa resolução vai girar em torno de entender como essas linhas de campo criam essa corrente vermelha.

Ferramenta Principal: O Princípio de Faraday-Lenz

Vamos usar uma Tabela de Causa e Efeito para dissecar o que acontece na física desse problema. Acompanhe comigo:

Cenário O que acontece na Bobina? Resultado
Cenário 1: Campo Magnético Parado Se você segura um ímã perto de uma bobina e não move nada (o fluxo magnético é constante). Nada acontece. Zero corrente. É como se a bobina estivesse “dormindo”.
Cenário 2: Campo Magnético Variável Se o campo magnético aumenta, diminui ou oscila (muda de direção) atravessando a bobina. A bobina “acorda”. Ela reage a essa mudança criando uma força que empurra os elétrons.
Conclusão A variação do fluxo magnético é a chave. Gera-se uma Corrente Elétrica Induzida.

Analogia do Cotidiano:
Pense nisso como um dínamo de bicicleta ou aqueles carregadores de celular por indução.
No carregador sem fio, a base tem uma bobina escondida que cria um campo magnético que fica oscilando (mudando o tempo todo). O seu celular tem outra bobina dentro dele. Quando esse campo oscilante atinge a bobina do celular, a eletricidade “surge” no aparelho e carrega a bateria. É exatamente a mesma tecnologia da etiqueta da questão.

Resumo da Teoria:
Para ter eletricidade sem fio, precisamos de:

  1. Uma bobina (fio enrolado).
  2. Um campo magnético que varie (não pode ser estático).

PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora que temos a teoria, vamos aplicá-la ao texto da questão, sempre olhando para a imagem.

O Enunciado:
O texto diz: “Na presença de um campo de radiofrequência gerado pelo leitor, a etiqueta transmite sinais.”

Vamos traduzir isso para a Física:

  • Onda de rádio (Radiofrequência): É uma onda eletromagnética. Isso significa que ela carrega um Campo Elétrico e um Campo Magnético. O detalhe crucial é que, numa onda, esses campos estão sempre oscilando (variando no tempo).
  • Etiqueta com Bobina: O texto diz que a etiqueta tem uma “bobina de metal… enrolada em um padrão circular”. Isso é o receptor.

A Conexão Lógica:

  1. O leitor emite a onda. Junto com ela, vem um campo magnético variável.
  2. Esse campo magnético variável atravessa a bobina da etiqueta (como vimos na imagem e na tabela do passo anterior).
  3. A bobina sente a variação do fluxo magnético.
  4. Pela Lei de Faraday, essa variação cria uma tensão elétrica nos fios da bobina.
  5. Essa tensão gera a corrente elétrica que liga o microprocessador.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
Muita atenção aqui. O erro mais comum é pensar que, porque é “eletricidade”, quem faz o trabalho é o campo elétrico. O aluno pensa: “Ah, campo elétrico empurra elétron”.
Porém, em uma bobina fechada (espiras), o mecanismo dominante de transferência de energia sem fio é a indução magnética. O campo elétrico da onda existe, mas o que gera a força eletromotriz eficaz ao longo das voltas do fio é a variação do fluxo magnético. Não confunda a causa (variação magnética) com o efeito (corrente elétrica).

A Bússola (Síntese do raciocínio):
O texto fala de uma bobina recebendo ondas de rádio. Ondas de rádio têm campo magnético oscilante. Campo magnético oscilante em uma bobina gera corrente induzida.

Expectativa:
Devemos procurar a alternativa que diz explicitamente que é o campo magnético (e não o elétrico ou o aquecimento) que gera (induz) a corrente.


PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos analisar cada opção procurando nossa expectativa.

(A) elétrico da onda de rádio agita elétrons da bobina.
Análise: O aluno pode pensar que campo elétrico age sobre cargas elétricas (o que é verdade em eletrostática ou circuitos simples). Mas, neste contexto de transferência de energia para uma bobina (indutância), o fenômeno físico descrito é a Lei de Faraday, que depende da variação do fluxo magnético. O campo elétrico não é o agente principal da indução nesse sistema específico.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

(B) elétrico da onda de rádio cria uma tensão na bobina.
Análise: Segue o mesmo erro da anterior. Atribui ao campo elétrico a função de gerar a tensão induzida na bobina. A física nos diz que a tensão induzida em espiras fechadas é proporcional à variação do fluxo magnético no tempo.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

(C) magnético da onda de rádio induz corrente na bobina.
Análise de Correspondência: Perfeita. Ela une os três pontos que levantamos: a fonte (campo magnético da onda), o receptor (bobina) e o efeito (corrente induzida). Isso é a definição literal da Lei de Faraday aplicada à tecnologia RFID.
Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

(D) magnético da onda de rádio aquece os fios da bobina.
Análise: Isso acontece? Sim. Quando a corrente passa pelo fio, ele esquenta (Efeito Joule). Mas cuidado: isso é uma consequência, um efeito colateral, e não a função ou o motivo pelo qual a etiqueta funciona. Se a resposta fosse essa, a etiqueta seria apenas um aquecedor, e não um transmissor de dados.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

(E) magnético da onda de rádio diminui a ressonância no interior da bobina.
Análise: O termo “ressonância” é usado em rádios para sintonizar frequências, mas a frase não faz sentido físico como explicação para a geração de energia. Diminuir a ressonância geralmente pioraria o sinal, e não ligaria o aparelho. É uma alternativa “pega-bobo” com palavras difíceis.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.


PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

A resposta é a Alternativa (C). O princípio de funcionamento é a Indução Eletromagnética.

Resumo-flash:
Campo magnético variou? A corrente elétrica acordou.

Para ir Além:
Você sabia que esse mesmo princípio é usado para frear caminhões e trens de alta velocidade? Chama-se “Freio Magnético”.
Em vez de usar pastilhas que encostam na roda (atrito), eles usam eletroímãs poderosos. Quando ativados, esses ímãs criam correntes induzidas nas rodas metálicas do trem (chamadas Correntes de Foucault). Essas correntes criam um campo magnético contrário que segura o movimento da roda, freando o trem sem encostar nada nele. É a Lei de Lenz aplicada à segurança no transporte!

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