En un año de campaña paraguaya, he visto muchas cosas tristes…
He visto la tierra, con su fertilidad incoercible y salvaje, sofocar al hombre, que arroja una semilla y obtiene cien plantas diferentes y no sabe cuál es la suya. He visto los viejos caminos que abrió la tiranía devorados por la vegetación, desleídos por las innundaciones, borrados por el abandono.
BARRET, R. Lo que he visto. Cuba: XX Feria Internacional del Libro de la Habana, 2011.
Rafael Barret nasceu na Espanha e, ainda jovem, foi viver no Paraguai.
O fragmento do texto Lo qie he visto revela um pouco da percepção do escritor sobre a realidade paraguaia, marcada, em essência, pelo(a)
a) desalento frente às adversidades naturais.
b) amplo conhecimento da flora paraguaia.
c) impossibilidade de cultivo da terra.
d) necessidade de se construírem novos caminhos.
e) despreparo do agricultor no trato com a terra.

Resolução em texto
Matérias Necessárias: Interpretação de texto literário (prosa em espanhol); Figuras de linguagem (personificação da natureza); Contexto histórico (Paraguai pós-ditadura).
Nível da Questão: Médio
Gabarito: A
Objetivo Geral: identificar o tom de frustração do autor diante da força esmagadora da natureza sobre o homem e suas obras.
Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
📌 1.1 Transcrição Essencial
“He visto la tierra, con su fertilidad incoercible y salvaje, sofocar al hombre… He visto los viejos caminos… devorados por la vegetación, disueltos por las inundaciones, borrados por el abandono.”
📌 1.2 O que está sendo pedido?
Determinar qual impressão do narrador melhor resume sua visão da realidade paraguaia.
📌 1.3 Objetivo Cristalino
Mostrar que Barret expressa sobretudo um sentimento de desalento — o homem é impotente diante da natureza descontrolada.
✔ 1.4 Pergunta de Atenção
Você percebeu como a natureza “sofoca” o homem e “devora” as estradas? Que sensação isso transmite?
Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
📌 2.1 Definições e Conceitos
- Personificação: dar ações humanas à natureza (“terra… sofocar o homem”).
- Tom pessimista: ênfase nas forças naturais que anulam o esforço humano.
- Contexto histórico: estradas deixadas pela tirania agora abandonadas e destruídas pela água e pela vegetação.
❓✔ 2.2 Possível armadilha
Não confundir fertilidade da terra (menção à flora) com “conhecimento da flora” — o foco não é cientificidade, mas a frustração do homem.
Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
📌 3.1 Contextualização Simplificada
Barret descreve campos tão férteis que sufocam quem planta e caminhos históricos engolidos por mato e água. Ele sente que a natureza, incontrolável, faz o homem e suas criações parecerem inúteis.
📌 3.2 Estratégia Geral
Avaliar cada alternativa para ver qual reflete esse sentimento de impotência e desalento.
Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
📌 4.1 Observações
- “Fertilidade incoercível e salvaje” → naturez a dominando o homem.
- Estradas “devoradas… dissolvidas… apagadas” → tudo o que o homem construiu é temporário frente aos caprichos naturais e à negligência.
- A ênfase não está no agricultor ser incompetente (E) nem na necessidade de novas estradas (D), mas sim na tristeza de ver seus esforços anulados.
Passo 5: Análise das Alternativas
A) desalento frente às adversidades naturais. (✅)
B) amplo conhecimento da flora paraguaia. (❌)
C) impossibilidade de cultivo da terra. (❌)
D) necessidade de se construírem novos caminhos. (❌)
E) despreparo do agricultor no trato com a terra. (❌)
- B e C ignoram o aspecto emocional e histórico;
- D sugere solução prática, mas o foco é na destruição dos velhos caminhos, não na urgência de novas vias;
- E culpa o agricultor, mas Barret acusa o “salvajismo” da terra, não a incapacidade humana.
Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
📌 6.1 Resumo do Raciocínio
Barret pinta um quadro em que a força incontrolável da natureza e o abandono social esmagam os esforços humanos, gerando um profundo desalento.
📌 6.2 Gabarito Reafirmado
A) desalento frente às adversidades naturais.
🔍 6.3 Dica Final
Quando um texto personifica a natureza como inimiga do homem, procure nas alternativas aquela que expressa frustração ou desalento, e não soluções práticas.


