Questão 84 caderno verde ENEM 2017 Libras 1° Dia

As diferenças de vazão e escoamento de água destacadas no gráfico ocorrem por influência da

A) forma do relevo.

B) tipologia do clima.

C) intensidade da chuva.

D) altitude do terreno.

E) permeabilidade do solo

✍ Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Gráficos
    • Hidrografia e Ciclo da Água
    • Geografia Urbana e Agrária (Uso e Ocupação do Solo)
    • Pedologia (Ciência do Solo)
  • Tema/Objetivo Geral: Relacionar diferentes tipos de cobertura do solo com a capacidade de infiltração da água e o consequente escoamento superficial (vazão).
  • Nível da Questão: Difícil.
    • Detalhe: A questão é considerada difícil por exigir uma tríade de competências sob pressão: 1) Leitura técnica de um gráfico de vazão; 2) Conhecimento prévio e sólido do conceito de permeabilidade do solo; e 3) a habilidade de raciocínio científico para isolar variáveis, percebendo que fatores como “intensidade da chuva” (distrator C) e “forma do relevo” (distrator A) devem ser considerados constantes para que a comparação seja válida. Os distratores são armadilhas eficazes que punem severamente quem não domina o conceito a fundo.
  • Gabarito: Letra E.
    • Explicação Resumida: A alternativa está correta porque a única variável que explica as drásticas diferenças entre as curvas é a capacidade de cada tipo de cobertura em permitir que a água infiltre no solo (permeabilidade), o que define a quantidade de água que sobrará para escorrer na superfície.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, o gráfico nos mostra quatro cenários diferentes. A questão nos pergunta: “Qual é o fator-chave, a grande diferença entre uma cidade, uma fazenda e uma floresta, que faz a água da chuva escoar de formas tão dramaticamente diferentes em cada um desses lugares?”.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense na chuva como água sendo derramada sobre diferentes superfícies.

  • A área urbana é um prato de porcelana. A água bate e escorre imediatamente para as bordas.
  • A área florestal é uma esponja grossa. Você pode derramar muita água e ela vai absorver quase tudo, liberando o excesso bem devagar.
    A questão quer saber o nome técnico da “capacidade de ser esponja” de cada solo.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  • Interrogar o Gráfico: Vamos fazer uma perícia detalhada em cada curva da imagem fornecida para entender o que ela confessa.
  • Definir o Conceito-Chave: Explicar o que é “permeabilidade” e como ela funciona.
  • Conectar a Teoria à Prova: Juntar o conceito de permeabilidade com o comportamento de cada curva do gráfico.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

A prova central deste caso é o gráfico fornecido na questão. Ele é a testemunha ocular que nos conta, sem palavras, o que acontece com a água da chuva em diferentes cenários. Vamos submetê-lo a um interrogatório minucioso.

(O Interrogatório do Gráfico de Vazão)

Este gráfico é o depoimento da água da chuva.

  • Eixo Y (Vazão): Mostra o volume de água escorrendo pela superfície. Quanto mais alto o ponto, maior a “enchente”.
  • Eixo X (Tempo): Mostra a passagem do tempo após o início da chuva.

Agora, vamos criar um Dossiê para cada “suspeito” (cada tipo de cobertura) com base nas evidências do gráfico:

  • Curva URBANA
    • Codinome: “O Dilúvio Instantâneo”.
    • Perfil: O pico de vazão é altíssimo e ocorre muito rápido. A curva sobe e desce de forma abrupta.
    • Confissão: “Eu sou feito de asfalto e concreto. Sou quase 100% impermeável. Quando a chuva vem, eu não absorvo nada, mando toda a água de uma vez para os bueiros. Por isso eu causo enchentes relâmpago.”
  • Curva AGRÍCOLA
    • Codinome: “A Terra Batida”.
    • Perfil: O pico é alto (menor que o urbano) e mais demorado.
    • Confissão: “Eu sou solo, mas muitas vezes estou compactado por máquinas e com pouca vegetação protetora. Absorvo um pouco de água, mas logo fico saturado e o resto escorre em grande volume.”
  • Curva AGROFLORESTAL
    • Codinome: “O Equilíbrio”.
    • Perfil: Pico moderado e mais distribuído no tempo.
    • Confissão: “Eu misturo árvores com cultivo. Minhas raízes e a matéria orgânica no solo ajudam a segurar a água. Sou um meio-termo.”
  • Curva FLORESTAL
    • Codinome: “A Esponja Natural”.
    • Perfil: O pico é baixíssimo, quase plano, e se estende por um longo tempo.
    • Confissão: “Eu tenho um tapete de folhas mortas (serrapilheira), um emaranhado de raízes e um solo fofo e cheio de vida. Eu sou a esponja perfeita. Absorvo a maior parte da chuva e a libero lentamente para os rios. Eu sou a prevenção natural de enchentes.”

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

A análise dos dossiês nos leva a uma conclusão inevitável: a grande diferença entre os quatro cenários é a capacidade do solo de absorver a água. O nome técnico dessa capacidade é PERMEABILIDADE.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! Esta questão é um campo minado com duas armadilhas principais, projetadas para pegar tanto o aluno apressado quanto o aluno que sabe muito.

🚨 Armadilha 1: A Causa Óbvia (Alternativa C – intensidade da chuva)

  • A Isca: O raciocínio falho é o mais intuitivo de todos: “O que causa enchente? Chuva forte!”. É uma verdade inegável da vida real.
  • O Diagnóstico do Erro: Confundir a Causa Geral com a Causa da Variação. A questão não pergunta o que causa o escoamento. Ela pergunta o que causa as DIFERENÇAS entre as curvas. Para que o gráfico seja uma comparação justa, temos que imaginar um experimento: a mesma chuva caiu nos quatro lugares. Se a chuva é a constante, ela não pode explicar a variação nos resultados.

🚨 Armadilha 2: O Fator Correto no Contexto Errado (Alternativa A – forma do relevo)

  • A Isca: Esta armadilha é mais sutil e perigosa, pois se baseia em um conhecimento geográfico correto. Sim, um relevo íngreme aumenta a velocidade e o volume do escoamento. O aluno que sabe disso pensa: “Ah, relevo é um fator crucial, pode ser essa a resposta”.
  • O Diagnóstico do Erro: O erro é o mesmo da chuva, mas mais elaborado. O gráfico é uma ferramenta de comparação. Para comparar o efeito das coberturas, um cientista precisa pressupor que todos os outros fatores importantes, como o relevo, são iguais. Se o relevo fosse diferente em cada cenário, o “experimento” seria inválido e não poderíamos concluir nada sobre a influência da cobertura. É um distrator forte porque é um fator real, mas não a variável que está sendo testada e comparada no gráfico.
  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: O gráfico mostra que quanto mais artificial e impermeabilizada a cobertura do solo, maior e mais rápido é o pico de escoamento. O fator que controla essa dinâmica é a capacidade de infiltração da água no solo.
    • Expectativa: A alternativa correta deve nomear essa propriedade do solo de permitir a infiltração de água.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) forma do relevo.
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno sabe que a inclinação do terreno é um fator crucial que acelera o escoamento da água.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Variável com Constante (em um experimento mental). O gráfico compara as coberturas. Para isso, ele assume que fatores como o relevo são os mesmos em todos os cenários.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) tipologia do clima.
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno pensa que climas diferentes têm chuvas diferentes.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Variável com Constante. O clima também é pressuposto como uma constante para que a comparação seja válida.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) intensidade da chuva.
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno pensa: “chuva forte causa enchente”. É o raciocínio mais imediato.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir a Causa Geral com a Causa da Variação. A chuva é o gatilho para todas as curvas. Ela não explica por que as curvas são diferentes entre si.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) altitude do terreno.
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno pode fazer alguma associação vaga entre altitude e clima/relevo.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. A altitude tem uma influência muito menos direta no escoamento superficial. É o distrator mais fraco.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) permeabilidade do solo.
    • Análise de Correspondência: Perfeito. É a única propriedade que muda drasticamente entre os cenários descritos. A área urbana tem permeabilidade quase zero. A florestal tem permeabilidade máxima. Isso explica perfeitamente por que as curvas de vazão são tão diferentes, mesmo sob a mesma chuva e no mesmo relevo.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Fica claro que a alternativa E é a correta, pois a permeabilidade do solo, diretamente afetada pelo tipo de cobertura, é o fator determinante que explica por que uma mesma chuva pode causar uma enchente catastrófica em uma cidade e ser tranquilamente absorvida por uma floresta.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): A cidade é um prato, a floresta é uma esponja: a diferença é para onde a água vai.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de “capacidade de absorção de impacto” se aplica à Psicologia e ao Estresse. Pense em um evento estressante (a “chuva”) como a perda de um emprego. Uma pessoa com uma forte rede de apoio (família, amigos), resiliência emocional e segurança financeira (a “cobertura florestal”) absorve o impacto. A crise é sentida, mas o “escoamento” emocional é controlado e distribuído ao longo do tempo. Outra pessoa, isolada e sem reservas (a “cobertura urbana”), sofre um impacto devastador. A mesma “chuva” gera uma “enchente” de ansiedade e depressão, um pico agudo e perigoso. A “permeabilidade” social e emocional determina a resposta à crise.

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