A finalidade mais marcante em toda a história dos mapas, desde o seu início, teria sido a de estarem sempre voltados à prática, principalmente a serviço da dominação, do poder. Sempre registraram o que mais interessava a uma minoria, fato este que acabou estimulando o incessante aperfeiçoamento deles.
MARTINELLI, M. Mapas da geografia e cartografia temática. São Paulo: Contexto, 2011 (adaptado).
No texto, a cartografia é apresentada como um instrumento usado essencialmente para a
A) preservação de espaços naturais.
B) emancipação de sujeitos marginais.
C) revalorização de culturas reprimidas.
D) inversão de hierarquias estabelecidas.
E) sustentação de hegemonias territoriais.

✍ “Resolução Em Texto”
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Geografia (Cartografia e Geopolítica).
História (História da Ciência e Colonialismo).
Sociologia (Relações de Poder e Ideologia).
Tema/Objetivo Geral:
Desmistificar a neutralidade da Cartografia, compreendendo que a produção de mapas ao longo da história não foi apenas um esforço científico, mas uma ferramenta política de controle, conquista e manutenção de poder por parte das elites (hegemonia).
Nível da Questão
Médio.
O texto é curto e direto, mas exige vocabulário específico. O aluno precisa conectar as palavras “dominação” e “poder” (do texto) com o conceito de “hegemonia” (da alternativa), além de não cair no senso comum de que mapas servem apenas para localização.
Gabarito
Letra E.
O texto afirma que os mapas serviam à “dominação” e aos interesses de uma “minoria” (elite governante). Na geopolítica, o controle de um território por um grupo poderoso chama-se Hegemonia Territorial.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão quer que você defina a função oculta do mapa.
A gente costuma achar que mapa serve para não se perder na rua. O texto diz: “Não! O mapa serve para mandar”. O comando pede: “Qual é o nome técnico para esse uso do mapa como arma de comando?”.
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine uma Escritura de Imóvel.
Um pedaço de papel que diz: “Essa terra é minha, não sua”.
O mapa histórico funcionava como essa escritura, mas em escala de impérios. O rei desenhava o mapa para dizer: “Tudo isso aqui é meu”. Quem tem o mapa, tem o controle. A questão quer que você identifique que desenhar o mundo é uma forma de donos do poder (hegemonia) se manterem no topo.
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Identificar a Intenção: O texto fala de “serviço da dominação” e “poder”.
- Identificar o Beneficiário: O texto diz que interessava a uma “minoria” (leia-se: reis, generais, burguesia).
- Traduzir o Conceito: Se a minoria usa o mapa para dominar a terra, ela está sustentando sua hegemonia.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos usar a ferramenta da Cartografia Crítica.
Mapas não são espelhos da realidade; são pinturas feitas por quem paga o pintor.
O Dossiê do Poder Cartográfico:
| O que o senso comum diz | O que o texto (e a Geografia Crítica) diz |
| Mapas são neutros e científicos. | Mapas são ferramentas de dominação. |
| Mapas servem a todos. | Mapas serviam a uma minoria (elite). |
| Mapas mostram a verdade. | Mapas mostram o que interessa ao poder. |
Conceito-Chave:
Hegemonia: É a supremacia, a liderança ou o domínio de um grupo sobre outros.
Territorial: Relativo ao espaço apropriado e controlado.
Logo, Sustentação de Hegemonia Territorial significa usar o mapa para garantir que quem manda continue mandando naquele pedaço de chão.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos rastrear as pistas deixadas por Martinelli no texto:
- A Finalidade:“a serviço da dominação, do poder”.
- Isso elimina qualquer alternativa “boazinha” (preservação, emancipação). O mapa é uma arma.
- O Público-Alvo:“interessava a uma minoria”.
- Cuidado! Aqui “minoria” não significa “grupos excluídos” (como minorias raciais). Significa Elite (a minoria numérica que detém o dinheiro e o poder).
- A Conclusão: Se a elite usa o mapa para dominar, o mapa serve para manter as coisas como estão. Serve para sustentar o poder deles sobre o território.
Síntese:
O mapa diz onde estão as riquezas, onde estão os inimigos e até onde vai a fronteira. Ele é o manual de instruções para controlar o mundo.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com a alternativa B (Emancipação de sujeitos marginais) e C (Revalorização de culturas).
Muitos alunos leem a palavra “minoria” no texto e associam automaticamente a “minorias sociais/oprimidos”.
Erro de Interpretação! No contexto de poder (“dominação”), a “minoria” citada é a Oligarquia (os poucos que mandam). O texto diz que o mapa servia à dominação, logo, ele oprimia os sujeitos marginais, não os emancipava. Ele apagava as culturas reprimidas, não as valorizava. O mapa colonial, por exemplo, apagava as aldeias indígenas para desenhar as fronteiras europeias.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A cartografia é apresentada como uma tecnologia a serviço das elites governantes (“minoria”) para exercer controle (“dominação”) sobre o espaço geográfico.
- Expectativa: A alternativa correta deve conter palavras ligadas a poder, controle, domínio, elite ou manutenção do status quo.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) preservação de espaços naturais.
- Diagnóstico do Erro: Visão Ecológica Anacrônica.
- Análise: Historicamente, mapas serviam para explorar recursos (achar ouro, madeira), não para preservar. A cartografia ambiental é algo muito recente. O texto fala de “dominação”, que geralmente implica exploração, não cuidado.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) emancipação de sujeitos marginais.
- Diagnóstico do Erro: Interpretação Oposta (Antônimo).
- Análise: Emancipar é libertar. O texto fala em dominação. O mapa servia para o rei controlar o súdito, ou para o senhor controlar a terra, e não para libertar o marginalizado.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
C) revalorização de culturas reprimidas.
- Diagnóstico do Erro: Falsidade Histórica.
- Análise: A cartografia tradicional geralmente ignorava ou apagava culturas locais (reprimidas). Os mapas coloniais, por exemplo, colocavam nomes europeus em lugares indígenas. O mapa era ferramenta de apagamento cultural, não de valorização.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
D) inversão de hierarquias estabelecidas.
- Diagnóstico do Erro: Contradição Lógica.
- Análise: Inverter a hierarquia seria tirar o poder da elite. O texto diz que o mapa servia aos interesses da minoria (elite). Logo, ele servia para manter a hierarquia, não para invertê-la.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
E) sustentação de hegemonias territoriais.
- Análise de Correspondência: Perfeita.
- Sustentação: “Prática… incessante aperfeiçoamento” (manter funcionando).
- Hegemonias (Poder): Corresponde a “serviço da dominação, do poder”.
- Territoriais: É a natureza do mapa (representação do território).
- O mapa é o documento que legitima quem manda no pedaço.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
A alternativa E é a correta pois traduz a essência política da cartografia histórica: quem desenha o mapa define as fronteiras, a propriedade e o controle, garantindo a supremacia (hegemonia) de quem detém a caneta sobre o território.
Resumo-flash:
Quem tem o mapa, tem a chave do cofre (e do território).
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
O exemplo clássico de “Hegemonia no Mapa” é a Projeção de Mercator (século XVI). Ela foi feita para navegadores europeus e desenha a Europa desproporcionalmente grande e no centro (Eurocentrismo), enquanto diminui a África e a América do Sul. Esse mapa “mentiroso” ajudou a sustentar a ideia de que a Europa era superior (hegemônica) durante séculos. Isso prova que nenhum mapa é inocente.