
Na imagem, está registrada a estratégia de atuação de um tipo de movimento social urbano.
Considerando-se os direitos constitucionais, essa estratégia ressalta a necessidade de adoção de medidas governamentais que promovam o(a)
A) controle de fluxos emigratórios.
B) acesso a moradias adequadas.
C) dissolução da propriedade privada.
D) descentralização de espaços de lazer.
E) restrição ao processo de verticalização.

✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Sociologia (Movimentos Sociais Urbanos)
- Geografia Urbana (Desigualdade Socioespacial e Déficit Habitacional)
- Direito Constitucional (Direitos Sociais / Função Social da Propriedade)
- Tema/Objetivo Geral: Identificar a demanda central dos movimentos sem-teto (MTST), que utilizam ocupações como estratégia de pressão para exigir o cumprimento do direito constitucional à moradia digna.
- Nível da Questão: Médio.
- Exige a correta leitura da imagem (acampamento em contraste com prédios) e a conexão com a Constituição. O aluno precisa saber que a ocupação não visa “acabar com a propriedade privada” (comunismo radical), mas sim exigir que a propriedade cumpra sua função social, ou seja, sirva de moradia.
- Gabarito: B
- A alternativa está correta. A imagem mostra um acampamento do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). A estratégia de ocupar terrenos ociosos visa pressionar o Estado a cumprir o artigo 6º da Constituição, que garante a moradia como direito social, promovendo o acesso a habitações adequadas.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: A missão é olhar para a foto do acampamento e responder: “Por que essas pessoas estão dormindo em barracas no meio da cidade? O que elas querem que o governo faça por elas, baseado na lei máxima do país?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine uma fila de pessoas com fome na frente de um restaurante fechado que tem comida estragando lá dentro. Elas não querem destruir o restaurante; elas querem que o governo obrigue o dono a dar um uso útil para aquela comida ou ajude-as a comprar o próprio prato.
Na questão, o “restaurante fechado” é o terreno vazio. A “fome” é a falta de casa. O protesto (acampamento) serve para lembrar o governo que comer (morar) é um direito de todos.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Ler a Legenda: “Acampamento do MTST…”. Isso identifica o ator político (Sem-Teto).
- Identificar a Causa: Se são “Sem-Teto”, o problema é a falta de casa (Déficit Habitacional).
- Conectar com a Lei: A Constituição diz que moradia é direito. Logo, a medida necessária é dar acesso a esse direito.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para entender a legitimidade desse movimento, vamos usar um Ciclo de Reivindicação.
FLUXOGRAMA: A LÓGICA DA OCUPAÇÃO
- O Problema:
- Famílias sem casa ou pagando aluguel abusivo.
- Terrenos vazios servindo apenas para especulação (esperar o preço subir).
- A Estratégia (A Ocupação):
- O movimento ocupa o terreno vazio.
- Objetivo: Tornar o problema visível e forçar negociação.
- O Argumento Constitucional:
- Artigo 5º: A propriedade deve atender a sua Função Social.
- Artigo 6º: A Moradia é um direito social.
- A Demanda: Políticas públicas de Habitação Popular.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar a imagem e o texto.
- O Contraste Visual: A foto mostra um mar de barracas de lona (precariedade) ao lado de prédios altos (conforto). Isso escancara a desigualdade.
- O Ator: O MTST luta por moradia urbana.
- A Exigência: Eles não estão lá porque gostam de acampar. Eles estão lá porque o Estado falhou em prover habitação. Segundo a Constituição, o Estado tem o dever de promover políticas que garantam dignidade.
- A Resposta: Portanto, a pressão é para que o governo crie programas (como o “Minha Casa Minha Vida”) que garantam o acesso a moradias adequadas para quem não pode pagar o preço de mercado.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A armadilha mais perigosa é a alternativa C (dissolução da propriedade privada). O aluno vê uma invasão/ocupação e pensa: “Ah, eles são comunistas, querem acabar com a propriedade privada!”.
- O Erro: O MTST e a Constituição não pregam o fim da propriedade privada. A Constituição garante a propriedade, desde que ela cumpra sua função social (não fique abandonada). O movimento quer que a propriedade ociosa seja desapropriada (paga e transformada) para virar moradia popular, ou seja, eles querem ter propriedade (sua própria casa), não acabar com ela.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A imagem de uma ocupação de sem-teto evidencia a falta de habitação. A Constituição garante o direito à moradia. Logo, a ação exige que o governo implemente políticas para efetivar esse direito.
- Expectativa: Uma alternativa que fale sobre “habitação”, “moradia”, “casa” ou “reforma urbana”.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) controle de fluxos emigratórios.
- O “Diagnóstico do Erro”: Desvio de Foco. O problema habitacional nas metrópoles não se resolve apenas “barrando gente” (o que seria inconstitucional, pois há livre circulação). O foco do movimento é a gestão do solo urbano, não o controle de fronteiras municipais.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
B) acesso a moradias adequadas.
- Análise de Correspondência: Perfeita. Traduz a reivindicação do MTST (“Teto”) e o direito constitucional (Art. 6º). A ocupação denuncia a falta de acesso e exige medidas do Estado para suprir essa carência.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
C) dissolução da propriedade privada.
- O “Diagnóstico do Erro”: Radicalismo Interpretativo. Como explicado na armadilha, questionar a função de uma propriedade específica (ociosa) é diferente de pedir o fim do direito de propriedade em geral. Os sem-teto lutam para ter uma propriedade, não para extingui-la.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
D) descentralização de espaços de lazer.
- O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Prioridade. Embora lazer também seja direito, quem mora em barraca de lona tem uma urgência maior: abrigo. A imagem foca na precariedade habitacional, não na falta de parques.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
E) restrição ao processo de verticalização.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confusão Urbanística. O MTST muitas vezes ocupa prédios vazios no centro (verticalizados). O problema não é a altura dos prédios (verticalização), mas sim o fato de eles estarem vazios ou serem caros demais. A luta é por acesso, não contra a forma arquitetônica.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa B é a correta. O teto não é apenas concreto, é dignidade constitucional; quando o mercado falha em prover, a sociedade ocupa para lembrar o Estado do seu dever.
Resumo-flash (A Imagem Mental): A barraca de lona é um pedido de socorro: “Troca-se lona por tijolo”.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O conceito chave aqui é a Função Social da Propriedade, presente no Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001). Essa lei diz que um terreno não pode ficar vazio esperando valorização (“terreno de engorda”) enquanto há gente sem casa. Se o dono não usa, o Estado pode aplicar o IPTU Progressivo (imposto que aumenta todo ano) e, no limite, desapropriar o terreno para fazer casas populares. A ocupação é a forma de pressão política para que essa lei “pegue”.