15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 66, caderno azul do ENEM 2021 – DIA 1 –

Houve crescimento de 74% da população brasileira encarcerada entre 2005 e 2012. As análises possibilitaram identificar o perfil da população que está nas prisões do país: homens, jovens (abaixo de 29 anos), negros, com ensino fundamental incompleto, acusados de crimes patrimoniais e, no caso dos presos adultos, condenados e cumprindo regime fechado e, majoritariamente, com penas de quatro até oito anos.

BRASIL. Mapa do encarceramento: os jovens do Brasil. Brasília: Presidência da República, 2015.

Nesse contexto, as políticas públicas para minimizar a problemática descrita devem privilegiar a

A) flexibilização do Código Civil.

B) promoção da inclusão social.

C) redução da maioridade penal.

D) contenção da corrupção política.

E) expansão do período de reclusão.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto e Análise de Dados
  • Sociologia (Desigualdade Social, Violência e Criminalidade)
  • Políticas Públicas

Tema/Objetivo Geral: Analisar um perfil socioeconômico da população carcerária para inferir qual tipo de política pública seria mais eficaz para atacar as causas do problema.

Nível da Questão: Médio.

  • Por quê? A questão exige que o leitor não apenas entenda os dados, mas que faça uma inferência lógica sobre a causa do problema e, a partir daí, deduza a solução mais adequada. É um exercício de diagnóstico e prescrição social.

Gabarito: B) promoção da inclusão social.

  • Resumo da Justificativa: O gabarito está correto porque o perfil traçado (jovem, negro, baixa escolaridade, crimes patrimoniais) não é aleatório; ele aponta para um grupo social específico que é historicamente marginalizado. Portanto, a solução mais lógica e estrutural é atacar essa marginalização através de políticas de inclusão.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: A missão é clara: olhar para o “retrato falado” do presidiário brasileiro e, agindo como um estrategista de segurança pública, propor a medida mais inteligente para evitar que mais pessoas com esse mesmo perfil acabem presas.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que um hospital está lotado de pacientes com a mesma doença. O relatório médico (o texto) descreve o perfil dos doentes: todos beberam água de um poço contaminado na mesma vila pobre. O que o secretário de saúde deve fazer para “minimizar a problemática”?
    • Opção 1: Construir mais leitos no hospital (aumentar as prisões).
    • Opção 2: Dar um remédio mais forte para os doentes (aumentar as penas).
    • Opção 3: Ir até a vila, limpar o poço e instalar uma rede de água tratada (promover a inclusão social).
    • O verdadeiro desafio aqui é entender que a solução mais eficaz não é tratar os sintomas (prender mais), mas atacar a causa da doença (a exclusão).
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:
    1. Analisar o Perfil: Vamos dissecar o “retrato falado” e entender o que as características (idade, cor, escolaridade) nos dizem.
    2. Diagnosticar a “Doença”: Qual é o problema social que une todas essas características?
    3. Prescrever o “Remédio”: Com base no diagnóstico, qual é a política pública que ataca a raiz do problema?

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a ferramenta ideal é uma Ficha de Análise de Perfil Socioeconômico, que nos ajudará a conectar as características do indivíduo ao problema estrutural.

🕵️‍♂️ FICHA DE ANÁLISE: O PERFIL DO ENCARCERADO

Característica Análise Sociológica (O que isso significa?)
Jovens (abaixo de 29 anos) Faixa etária mais vulnerável à falta de oportunidades de trabalho e mais exposta à violência.
Negros Grupo historicamente alvo de racismo estrutural, com menor acesso a recursos e maior abordagem policial.
Ensino fundamental incompleto Baixa escolaridade, o que limita drasticamente as oportunidades no mercado de trabalho formal e aumenta a vulnerabilidade social.
Crimes patrimoniais Crimes como roubo e furto, frequentemente associados à pobreza e à desigualdade de renda, e não a uma psicopatia violenta.

Diagnóstico Cruzado: Quando juntamos todas as peças, o retrato que emerge não é o de um “criminoso nato”, mas o de um indivíduo que pertence a um grupo social sistematicamente privado de oportunidades. A “doença” não é a maldade individual, é a exclusão social. O crime é, em grande parte, um sintoma dessa exclusão.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

A investigação do perfil é conclusiva. Não é qualquer jovem que está na prisão. É o jovem negro e com pouco estudo. Não é qualquer tipo de crime. São majoritariamente crimes contra o patrimônio.

Essa combinação de fatores é um grito que aponta para a desigualdade social. A falta de acesso a uma educação de qualidade leva à falta de oportunidades de emprego digno, o que, combinado com o racismo estrutural, empurra uma parcela específica da população para a marginalidade e, eventualmente, para a criminalidade como alternativa de sobrevivência.

Portanto, se o problema é a exclusão, a solução deve ser a inclusão. Políticas que ofereçam educação de qualidade, oportunidades de trabalho, combate ao racismo e acesso a direitos básicos para essa população vulnerável são as que podem, a longo prazo, quebrar esse ciclo.

🚨 ARMADilha CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! As armadilhas mais sedutoras aqui são as alternativas (C) e (E), que propõem mais repressão: “redução da maioridade penal” e “expansão do período de reclusão”. Essas são as soluções de “senso comum” para o problema da criminalidade. Mas a armadilha é pensar em punir o sintoma em vez de tratar a causa. O texto nos dá um diagnóstico claro de que o problema é social. Portanto, uma solução puramente punitiva não só não resolve a causa como, ao encarcerar ainda mais jovens, tende a agravar o problema da superlotação e da reincidência.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: O perfil da população carcerária revela que o encarceramento no Brasil tem cor e classe social. A raiz do problema está na desigualdade de oportunidades.
    • Expectativa: A política pública mais eficaz deve ser aquela que atua na raiz do problema, ou seja, que combate a desigualdade e a exclusão social, oferecendo alternativas à criminalidade.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos confrontar nossa Expectativa com os suspeitos.

A) flexibilização do Código Civil.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor confunde Código Civil (que trata de relações privadas como casamentos, contratos) com Código Penal.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O Código Civil tem pouca ou nenhuma relação com o problema do encarceramento por crimes patrimoniais.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) promoção da inclusão social.

  • Análise de Correspondência: Encaixe perfeito. “Inclusão social” (através de educação, emprego, cultura, etc.) é o remédio direto para a “doença” da exclusão social que o perfil dos presos revela.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

C) redução da maioridade penal.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor cai na “Armadilha Clássica” da solução punitivista.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição com o Objetivo. Reduzir a maioridade penal aumentaria a população carcerária de jovens, agravando o problema descrito, em vez de minimizá-lo.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) contenção da corrupção política.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor pensa em outro tipo de crime.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. Embora a corrupção seja um problema grave, ela não é a causa direta do encarceramento em massa do perfil descrito (jovens pobres por crimes patrimoniais).
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) expansão do período de reclusão.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor cai novamente na “Armadilha Clássica”.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição com o Objetivo. Aumentar as penas agravaria a superlotação e não atacaria as causas da criminalidade.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa (B) é a correta, pois o “mapa do encarceramento” é, na verdade, um mapa da exclusão social, e a única forma de mudar o primeiro é redesenhando o segundo.

Resumo-flash (A Imagem Mental): A prisão é o sintoma. A desigualdade é a doença. Não se cura a febre quebrando o termômetro.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O debate entre políticas de inclusão versus políticas de repressão se conecta diretamente à Economia do Crime, um campo de estudo iniciado pelo Nobel Gary Becker. Becker argumentava que a decisão de cometer um crime é, muitas vezes, uma escolha racional baseada em um cálculo de custo-benefício. Para um jovem com baixa escolaridade e sem oportunidades (alto “custo” de seguir a lei, baixo “benefício”), o benefício potencial de um crime patrimonial pode parecer maior que o custo (a probabilidade de ser preso). Políticas de inclusão social (a alternativa B) funcionam alterando essa equação: elas aumentam o “custo de oportunidade” de cometer um crime, ao oferecer um caminho alternativo viável (educação, emprego). Políticas de repressão (C e E) focam apenas em aumentar o “custo” da punição, sem oferecer alternativas. A abordagem mais eficaz, segundo muitos estudos nesse campo, é a que combina as duas, mas com forte ênfase na prevenção via inclusão.

[nav_alfabetica_posts]

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.