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Questão 63, caderno azul do ENEM 2019 – DIA 1

TEXTO I

A centralização econômica, o protecionismo e a expansão ultramarina engrandeceram o Estado, embora beneficiassem a burguesia incipiente.

ANDERSON, P. In: DEYON, P. O mercantilismo.  Lisboa: Gradiva,1989 (adaptado).

TEXTO II

As interferências da legislação e das práticas exclusivistas restringem a operação benéfica da lei natural na esfera das relações econômicas.

SMITH, A. A riqueza das Nações. São Paulo:  Abril Cultural, 1983 (adaptado).

Entre os séculos XVI e XIX, diferentes concepções sobre as relações entre Estado e economia foram formuladas. Tais concepções, associadas a cada um dos textos, confrontam-se, respectivamente, na oposição entre as práticas de

A) valorização do pacto colonial — combate à livre- -iniciativa.

B) defesa dos monopólios régios — apoio à livre concorrência.

C) formação do sistema metropolitano — crítica à livre navegação.

D) abandono da acumulação metalista — estímulo ao livre-comércio.

E) eliminação das tarifas alfandegárias — incentivo ao livre-cambismo.

✍ “Resolução Em Texto”

Matérias Necessárias para a Solução da Questão
História Geral (Idade Moderna e Contemporânea).
Economia Política (Mercantilismo vs. Liberalismo).
Sociologia (Relação Estado-Mercado).

Tema/Objetivo Geral:
Comparar dois modelos econômicos antagônicos da história ocidental: o Mercantilismo (intervenção total do Estado) e o Liberalismo Clássico (liberdade total do Mercado).

Nível da Questão
Médio.
Exige a identificação dos autores e do vocabulário técnico. O aluno precisa associar “centralização” a Mercantilismo e “Adam Smith” a Liberalismo, e depois encontrar os sinônimos práticos nas alternativas.

Gabarito
Letra B.
A alternativa está correta pois confronta a prática central do Mercantilismo (o Estado cria monopólios para controlar a economia) com a prática central do Liberalismo (o mercado deve ter livre concorrência para funcionar naturalmente).


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão coloca dois pesos pesados da economia no ringue.

  • No canto esquerdo (Texto I): O Estado Forte, que controla tudo.
  • No canto direito (Texto II): Adam Smith, o pai do Liberalismo, que quer o Estado longe.
    O objetivo é identificar qual prática concreta representa cada um desses modelos teóricos.

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine a economia como um Jogo de Futebol.

  • Texto I (Mercantilismo): O Juiz (Estado) pega a bola, decide quem chuta, escolhe o vencedor e proíbe o time adversário de jogar. Ele controla o resultado.
  • Texto II (Liberalismo): O Juiz (Estado) sai de campo. Deixa os jogadores (empresas) disputarem a bola livremente. Quem for melhor, ganha.
    O verdadeiro desafio aqui é encontrar nas alternativas os nomes técnicos para “Juiz que controla tudo” e “Jogo livre”.

Plano de Ataque:

  1. Identificar o Texto I: Fala em “centralização”, “protecionismo” e “engrandecer o Estado”. Diagnóstico: Mercantilismo (Absolutismo).
  2. Identificar o Texto II: É assinado por Adam Smith e fala em “lei natural” prejudicada por “interferências”. Diagnóstico: Liberalismo Clássico.
  3. Buscar a Oposição: Procurar a alternativa que tenha [Característica Mercantilista] vs [Característica Liberal], nessa ordem.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Vamos abrir o Dossiê dos Sistemas Econômicos.

1. O Mercantilismo (Séculos XVI-XVIII):

  • Lema: “O Estado sou Eu, e o Lucro também.”
  • Ferramentas:
    • Protecionismo: Taxar produtos estrangeiros.
    • Metalismo: Acumular ouro e prata.
    • Monopólios Régios (Reais): O Rei dava o direito exclusivo de venda de um produto a um amigo ou companhia (ex: só a Companhia das Índias pode vender pimenta; só Portugal pode vender pau-brasil). Não havia concorrência.

2. O Liberalismo Clássico (Século XVIII-XIX):

  • Lema: Laissez-faire (Deixai fazer, deixai passar).
  • Teoria: A economia tem “Leis Naturais” (Oferta e Procura). Se o Estado interfere, atrapalha.
  • Ferramentas:
    • Livre Concorrência: Várias empresas disputam o cliente. O preço cai, a qualidade sobe.
    • Fim dos Monopólios: Qualquer um pode abrir um negócio.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos traduzir o “economês” dos textos:

  • Texto I: Diz que o “protecionismo engrandeceu o Estado”. Isso significa que o Rei usava a economia para ficar poderoso. Como ele fazia isso? Criando Monopólios (exclusividades). Se o Estado controla, não há liberdade.
  • Texto II: Adam Smith diz que a legislação (o Estado) “restringe a operação benéfica da lei natural”. Para Smith, a “lei natural” é a competição justa. Logo, ele defende a Livre Concorrência.

Portanto, estamos procurando uma briga entre:
Monopólio (Controle) VS. Concorrência (Liberdade).

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! Muita atenção à ordem “respectivamente”.
A alternativa tem que trazer primeiro a característica do Texto I e depois a do Texto II. Se inverter, você erra. Além disso, cuidado com alternativas que misturam conceitos (como dizer que o Mercantilismo abandonou o metalismo).

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: Texto I defende a intervenção estatal (privilégios/monopólios). Texto II defende a não-intervenção (mercado livre/concorrência).
  • Expectativa: A alternativa deve opor controle estatal a liberdade de mercado.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) valorização do pacto colonial — combate à livre-iniciativa.

  • Diagnóstico do Erro: Erro na segunda parte.
  • Análise:
    • Parte 1 (Texto I): “Valorização do pacto colonial” está correto para o Mercantilismo.
    • Parte 2 (Texto II): Diz que o texto de Adam Smith pratica o “combate à livre-iniciativa”. Errado! Adam Smith é o defensor da livre-iniciativa, não o combatente dela.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) defesa dos monopólios régios — apoio à livre concorrência.

  • Análise de Correspondência: Perfeita.
  • Análise:
    • Texto I: O Mercantilismo funciona na base dos “Monopólios Régios” (o Rei decide quem vende). Isso é centralização.
    • Texto II: O Liberalismo de Smith funciona na base do “Apoio à livre concorrência” (deixar a lei natural operar).
    • A oposição é exata: Monopólio (um vende) vs. Concorrência (muitos vendem).
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

C) formação do sistema metropolitano — crítica à livre navegação.

  • Diagnóstico do Erro: Erro na segunda parte.
  • Análise: Adam Smith criticava as “Leis de Navegação” (protecionistas) da Inglaterra. Ele queria que o transporte fosse barato e eficiente, logo, ele apoiava a liberdade, não fazia uma “crítica à livre navegação” (no sentido de ser contra a liberdade). Ele criticava a falta de liberdade.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) abandono da acumulação metalista — estímulo ao livre-comércio.

  • Diagnóstico do Erro: Erro na primeira parte.
  • Análise:
    • Parte 1 (Texto I): O Mercantilismo nunca abandonou a acumulação metalista. Pelo contrário, o metalismo (ter muito ouro) era a alma do negócio mercantilista.
  • 🔄 ENGENHARIA REVERSA: Esta alternativa estaria parcialmente correta se o Texto I falasse sobre Fisiocracia ou teorias econômicas posteriores que rejeitavam o ouro como única riqueza.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) eliminação das tarifas alfandegárias — incentivo ao livre-cambismo.

  • Diagnóstico do Erro: Erro na primeira parte.
  • Análise:
    • Parte 1 (Texto I): O Mercantilismo amava tarifas alfandegárias (protecionismo). A ideia era taxar o produto estrangeiro para proteger o nacional. O texto fala explicitamente em “protecionismo”. Eliminar tarifas é coisa de liberal.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A história da economia moderna é a transição da mão pesada do Rei (Monopólios Mercantilistas) para a “mão invisível” do Mercado (Livre Concorrência Liberal), como ilustrado na oposição entre os textos.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
Mercantilismo = O Rei dono da bola.
Liberalismo = A bola rolando solta.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Conecte isso com Atualidades.
Ainda hoje vivemos esse dilema. Quando um país decide taxar produtos chineses para proteger a indústria nacional, ele está usando uma ferramenta Neomercantilista (Protecionismo). Quando ele decide privatizar estatais e abrir o mercado, está usando uma ferramenta Liberal/Neoliberal. A briga do século XVI continua no século XXI.

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