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Questão 56, caderno azul do ENEM 2022 D1

TEXTO I

TEXTO II

É como se os problemas fossem criados pela pandemia quando, em verdade, isso só demonstra o quanto eles sofrem uma tentativa de serem naturalizados. Eles estavam lá, empurrados para debaixo de vários tapetes. Diversos levantamentos realizados indicam que parcela significativa dos estudantes não têm acesso à internet em suas casas, não têm computadores; têm celulares, mas com pacotes baratos que não permitem assistir a todas as aulas. E, caso tenham celulares e dados, pergunta-se: É possível elaborar um texto no celular? É possível interagir na aula remota pelo celular?

ASSIS, A. E. S. Q. Educação e pandemia. Educação em Revista, n. 37, 2021 (adaptado).

A crítica contida no texto e na figura evidencia o seguinte aspecto da sociedade contemporânea:

A) Exclusão social.

B) Expansão digital.

C) Manifestação cultural.

D) Organização espacial.

E) Valorização intelectual.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Sociologia: Desigualdade Social e Exclusão Digital.
  • Atualidades: Impactos da Pandemia de COVID-19 na educação.
  • Interpretação de Texto Multimodal: Relação entre charge e texto argumentativo.

Tema/Objetivo Geral:
Analisar a crítica social presente em uma charge e um texto acadêmico que denunciam a falta de acesso igualitário à tecnologia (exclusão digital) como um fator de exclusão social na educação contemporânea.

Nível da Questão: Fácil.

  • Justificativa: A charge mostra a pobreza explicitamente (casas amontoadas, vara de pescar sinal). O texto fala de “estudantes que não têm acesso à internet”. A conexão entre pobreza e falta de acesso é direta e intuitiva, levando facilmente ao conceito de exclusão social.

Gabarito: A.

  • Resumo: A charge ilustra um jovem na favela “pescando” sinal de Wi-Fi para estudar. O texto reforça que muitos alunos não têm computadores ou internet decente. Ambos os textos mostram que a tecnologia, em vez de ser uma ferramenta para todos, tornou-se um muro que separa quem pode estudar de quem não pode. Isso é a definição de exclusão social.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Função Pedagógica: Identificar o problema social denunciado.

Decodificação do Objetivo: A questão pergunta: “Que problema da nossa sociedade esses dois textos estão mostrando?”. Eles estão elogiando a tecnologia ou reclamando que nem todo mundo tem acesso a ela?

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que a escola é um prédio no alto de uma montanha.

Alguns alunos têm helicóptero (internet rápida, computador).

Outros têm que escalar a montanha descalços (celular ruim, sem sinal).

Isso é justo? Não. Isso exclui quem está a pé.

O texto diz que a pandemia escancarou essa montanha.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  • Analisar a charge: O menino está em situação precária “pescando” sinal.
  • Analisar o texto: Diz que os problemas de acesso foram “empurrados para debaixo do tapete” e naturalizados.
  • Ligar “falta de acesso” a “exclusão”.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender a crítica, precisamos contrastar o “mundo ideal” da educação remota com o “mundo real” mostrado na charge. Vamos usar a Tabela do Abismo Digital.

Aspecto Mundo A: A Inclusão (O Esperado) 💻 Mundo B: A Exclusão (A Realidade da Charge) 🎣
O Equipamento Computador ou Tablet adequado. Um celular precário pendurado numa vara.
A Conexão Wi-Fi de alta velocidade dentro de casa. “Tentando achar sinal” (Wi-Fi roubado ou distante).
O Ambiente Quarto de estudos silencioso. Em cima da laje, no meio da favela.
O Resultado O aluno aprende e progride. O aluno é deixado para trás (Exclusão Social).

Conceito Chave: Desigualdade de Oportunidades
A charge usa a metáfora da “pescaria” para mostrar que, para o pobre, o direito básico (estudar) virou uma questão de sorte e improviso. Enquanto uns navegam em iates (banda larga), outros tentam pescar o sinal de canoa. Isso cria cidadãos de primeira e segunda classe.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos olhar para a charge (Texto I):

  • O cenário é uma favela ou periferia (casas empilhadas, tijolo aparente).
  • A ação é improvisada: uma vara de pescar com o celular na ponta.
  • O diálogo é irônico: “Tá estudando?” / “Tô tentando achar sinal”.
    • Ou seja: querer estudar não basta; é preciso ter meios (sinal).

Vamos olhar para o texto (Texto II):

  • “Problemas… empurrados para debaixo de vários tapetes.”
  • “Parcela significativa… não têm acesso… não têm computadores”.
  • “É possível elaborar um texto no celular?”

Conclusão:
Ambos mostram que a sociedade contemporânea deixa muita gente de fora. A tecnologia avançou (Expansão Digital – B), mas não chegou para todos. O que os textos criticam é essa falha na distribuição, que gera Exclusão Social.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A alternativa (B) (“expansão digital”) é um distrator perigoso.

  • Por que seduz? Porque o texto fala de internet, celular, Wi-Fi.
  • Por que está errada? A expansão digital é o fenômeno (a tecnologia cresceu), mas a crítica é sobre quem ficou de fora dessa expansão. A charge não celebra que “agora tem Wi-Fi no ar”; ela denuncia que o Wi-Fi não chega na casa do pobre. O foco é a desigualdade (exclusão), não o avanço tecnológico em si.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A falta de acesso à tecnologia impede o acesso à educação, excluindo o indivíduo da sociedade.
  • Expectativa: A alternativa correta deve conter palavras como “desigualdade”, “exclusão”, “segregação” ou “falta de acesso”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) Exclusão social.
    • Análise de Correspondência: Perfeito. A exclusão digital (falta de sinal/computador) é apresentada como causa direta da exclusão educacional e, consequentemente, social. O menino da charge e os estudantes do texto estão sendo deixados para trás.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • B) Expansão digital.
    • Diagnóstico do Erro: Confusão entre Tema e Tese.
    • Narrativa do Erro: O tema envolve o mundo digital, mas a tese é sobre a falha dessa expansão em atingir a todos. A crítica é sobre a limitação do acesso, não sobre o crescimento da rede.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) Manifestação cultural.
    • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema.
    • Narrativa do Erro: O texto trata de condições materiais de existência (acesso a recursos), não de expressões artísticas ou culturais da comunidade.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) Organização espacial.
    • Diagnóstico do Erro: Foco Secundário.
    • Narrativa do Erro: A charge mostra a organização espacial da favela, mas isso é o cenário, não o problema central. O problema central é a invisibilidade do sinal de internet nesse espaço, gerando desigualdade de oportunidades.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) Valorização intelectual.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição.
    • Narrativa do Erro: O texto mostra justamente a desvalorização ou o impedimento do desenvolvimento intelectual, já que os alunos não conseguem estudar por falta de meios.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A internet prometeu ser uma ponte, mas para muitos virou um muro: ao denunciar a “pesca de Wi-Fi” e a falta de computadores, os textos revelam que a exclusão social (Alternativa A) no século XXI é medida em megabits por segundo.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
Sem sinal, não há escola. Sem escola, não há futuro. O “Sem Sinal” é a nova placa de “Proibida a Entrada”.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este problema é chamado de Abismo Digital (Digital Divide). Políticas públicas de inclusão digital (como internet gratuita em praças ou tablets para alunos) tentam combater isso, pois hoje a internet é considerada um direito humano básico pela ONU, essencial para a cidadania.

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