Questão 54 caderno azul do ENEM 2022 PPL – Dia 1

De Seattle a Porto Alegre, contramovimentos espontâneos estariam emergindo pragmaticamente na esteira da nova onda de mercantilização causada pela globalização. Assim, somados, o aumento da feminilização, as diferentes formas de flexibilização e o aumento da informalidade verificados em escala global serviriam para aproximar objetivamente os interesses do proletariado do norte e sul globalizados, possibilitando uma retomada do processo de internacionalização das práticas solidárias.

BRAGA, R. A rebeldia do precariado: trabalho e neoliberalismo no sul global. 
São Paulo: Boitempo, 2017 (adaptado).

A unificação da pauta dos movimentos sociais internacionais, descrita no texto, tem como principal objetivo:

A) Denunciar o tráfico de pessoas.

B) Contestar a corrida armamentista.

C) Condenar a degradação ambiental.

D) Desaprovar o comércio transnacional.

E) Combater a precarização do emprego.

✍ Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Sociologia (Teorias do Trabalho, Neoliberalismo e Globalização)
    • Ciências Sociais (Movimentos Sociais e Resistência)
  • Tema/Objetivo Geral: Identificar a principal bandeira de luta dos movimentos sociais que surgem em resposta às transformações do mundo do trabalho causadas pela globalização neoliberal.
  • Nível da Questão: Médio.
    • Exige a compreensão de termos sociológicos como “feminilização do trabalho”, “flexibilização”, “informalidade” e “precarização”. O aluno precisa conectar essas consequências da globalização à principal motivação dos protestos.
  • Gabarito: E
    • A alternativa está correta. O texto menciona explicitamente a “feminilização”, a “flexibilização” e o “aumento da informalidade” como fenômenos que surgem na globalização. Essas práticas são sinônimos ou causas diretas da “precarização do emprego”. O texto, ao falar em “contramovimentos espontâneos” e “práticas solidárias” em resposta a isso, aponta para a luta contra a precarização como objetivo comum.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A missão é ler este texto sobre novas ondas de protesto em resposta à globalização e dizer: Qual é o principal problema que essas pessoas estão enfrentando e por que elas estão se juntando em todo o mundo?

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que a economia mundial é um grande parque de diversões.

  • Antes, os brinquedos eram mais seguros e o ingresso era caro, mas garantia tudo (Trabalho Formal, direitos).
  • Agora, os parques oferecem brinquedos mais baratos e “modernos”, mas que balançam mais, podem quebrar e não têm segurança (Trabalho Flexível, Informal, Precarizado).
    O texto diz que muita gente (do Norte e do Sul) está se unindo contra esse novo parque de diversões. A pergunta é: Contra o quê, exatamente, eles estão se unindo?

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Identificar os Males: O texto cita “feminilização”, “flexibilização” e “informalidade”.
  • Sinônimo Chave: Encontrar um termo que resuma esses três problemas no mundo do trabalho.
  • Conectar com a Luta: Por que os trabalhadores se unem contra isso? Para ter um trabalho mais seguro e justo.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender essa relação complexa, vamos usar um Fluxograma de Impacto Econômico.

FLUXOGRAMA: GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL E O TRABALHADOR

  • A Onda Global:
    • Mudança: Globalização / Neoliberalismo.
    • Consequência: Busca por Flexibilidade e Redução de Custos.
    ⬇️ (O Novo Modelo de Trabalho)
  • As Práticas:
    • Feminilização: Mulheres entram no mercado, muitas vezes com salários menores e menos direitos.
    • Flexibilização: Contratos mais curtos, menos estabilidade, mais tarefas (multitarefa).
    • Informalidade: Trabalho sem carteira assinada, sem direitos (férias, INSS).
    ⬇️ (O Resultado para o Trabalhador)
  • O Sentimento Comum:
    • A combinação de tudo isso gera: Precarização do Emprego.
    • Característica: Instabilidade, insegurança, perda de direitos.

Conclusão: A união dos trabalhadores é contra essa realidade de trabalho instável e com poucas garantias.


PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos rastrear as consequências da globalização no mundo do trabalho.

  • O Contexto: O texto fala de “contramovimentos espontâneos” surgindo “na esteira da nova onda de mercantilização causada pela globalização”. Isso indica que esses movimentos são uma reação à globalização e ao modelo econômico neoliberal.
  • Os Sintomas da Crise no Trabalho: O que a globalização e o neoliberalismo trouxeram, segundo o texto, para o mundo do trabalho?
    • “Aumento da feminilização” (mais mulheres no mercado, mas muitas vezes em subempregos).
    • “Diferentes formas de flexibilização” (contratos que tiram direitos e estabilidade).
    • “Aumento da informalidade” (trabalho sem carteira, sem garantias).
  • A Conexão dos Movimentos: Esses fenômenos (“feminilização, flexibilização, informalidade”) aproximam os trabalhadores do Norte e do Sul para “possibilitar uma retomada do processo de internacionalização das práticas solidárias”. Ou seja, eles se unem para lutar contra algo que afeta a todos.
  • A Raiz do Problema: O que esses três fenômenos (feminilização, flexibilização, informalidade) têm em comum? Todos levam a um trabalho com menos segurança, menos direitos e mais instabilidade. Isso é a precarização do emprego.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨

A armadilha mais sedutora é a alternativa A (denunciar o tráfico de pessoas). O texto fala de “mercado” e “globalização”, que às vezes estão ligados ao tráfico. Mas o texto não menciona tráfico humano. Outra armadilha é a C (condenar a degradação ambiental). Embora a globalização também cause problemas ambientais, o foco aqui é explicitamente no trabalho: feminilização, flexibilização, informalidade. O texto não fala de florestas ou poluição.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A globalização e o neoliberalismo trouxeram um novo modelo de trabalho com menos garantias. Os movimentos sociais se unem para combater essa situação precária.
  • Expectativa: Uma alternativa que fale sobre “precarização”, “instabilidade”, “perda de direitos” ou “desemprego”.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) Denunciar o tráfico de pessoas.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto não faz menção a tráfico humano. Os problemas citados são relacionados diretamente às condições de trabalho.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

B) Contestar a corrida armamentista.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Ausência de Relação. Não há nenhuma palavra ou ideia no texto que remeta a guerra, armas, ou conflitos militares.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

C) Condenar a degradação ambiental.

  • O “Diagnóstico do Erro: Foco Incompleto. Embora a globalização e o neoliberalismo possam ter impacto ambiental, o texto foca explicitamente nas mudanças ocorridas no mundo do trabalho (feminilização, flexibilização, informalidade), e não na natureza.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

D) Desaprovar o comércio transnacional.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Interpretação Literal e Negativa. O texto menciona a “globalização” e a “mercantilização”, que são processos transnacionais. No entanto, ele não condena o comércio em si, mas as práticas trabalhistas que surgem nesse contexto. A ideia não é parar o comércio, mas melhorar as condições para quem trabalha.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

E) Combater a precarização do emprego.

  • Análise de Correspondência: Perfeita. Os termos “feminilização”, “flexibilização” e “informalidade” são todos facetas da precarização do trabalho. Esses fenômenos aproximam trabalhadores por terem em comum a perda de direitos e a instabilidade. A união dos movimentos visa justamente combater essa realidade.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa E é a correta. A globalização e o neoliberalismo, ao mesmo tempo em que criam novas oportunidades, também geram novas formas de exploração e insegurança para o trabalhador, unindo lutas em escala mundial.

Resumo-flash (A Imagem Mental): O trabalho virou uma “promoção instável”: mais barato para a empresa, mais arriscado para o empregado.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O que o texto descreve como “especialização flexível” e “precarização” é um dos temas centrais da obra de Richard Sennett, que escreveu sobre a fragilidade do indivíduo na nova economia, a perda de um ofício com identidade e a busca por uma vida com mais “significado” em um mundo de empregos temporários e mal remunerados. As lutas por direitos em um mundo cada vez mais flexível continuam sendo um dos principais desafios das sociedades contemporâneas.

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