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Questão 54, caderno azul do ENEM 2022 D1

Os caixeiros do comércio a retalho do Rio de Janeiro estiveram entre as primeiras categorias de trabalhadores a se organizar em associações e a exigir a intervenção dos poderes públicos na mediação de suas lutas por direitos. Na década de 1880, os caixeiros participaram da arena política e ganharam as ruas com vários outros, como os republicanos e os abolicionistas.

POPINIGIS, F. “Todas as liberdades são irmãs”: os caixeiros e as lutas dos trabalhadores por direitos entre o Império e a República.
Estudos Históricos, n. 59, set.-dez. 2016 (adaptado).

A atuação dos trabalhadores mencionados no texto representou, na capital do Império, um momento de

A) manutenção das regras patronais.

B) desprendimento das ideias liberais.

C) fortalecimento dos contratos laborais.

D) consolidação das estruturas sindicais.

E) contestação dos princípios monárquicos.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • História do Brasil Império: O final do Segundo Reinado (Crise do Império).
  • Movimento Operário: Origens da organização trabalhista.
  • História Política: O Movimento Republicano e o Abolicionismo.

Tema/Objetivo Geral:
Analisar o momento histórico de crise da Monarquia brasileira (década de 1880), identificando como os movimentos sociais urbanos (trabalhadores, caixeiros) se uniram às pautas políticas (República e Abolição) para questionar a ordem imperial.

Nível da Questão: Médio.

  • Justificativa: O texto é curto, mas exige contextualização histórica. O aluno precisa conectar “década de 1880” + “republicanos e abolicionistas” com o conceito de “fim da monarquia” ou “crise do império”. A resposta não está explícita no texto (“o império caiu”), mas deduzível pelas companhias políticas citadas.

Gabarito: E.

  • Resumo: O texto situa a ação dos trabalhadores na década de 1880, período final do Império. Ao se aliarem a republicanos (que queriam o fim da monarquia) e abolicionistas (que queriam o fim da escravidão, base da monarquia), os trabalhadores se inseriram no movimento de contestação do sistema imperial vigente.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Função Pedagógica: Identificar o “time” em que os trabalhadores jogaram.

Decodificação do Objetivo: A questão pergunta: “O que significou politicamente essa agitação dos trabalhadores no Rio de Janeiro?”. Eles estavam defendendo o Imperador ou atacando o sistema dele?

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine um time de futebol chamado “Império FC”.

Os “republicanos” e “abolicionistas” são a torcida rival, que quer derrubar o técnico (Imperador).

O texto diz que os “trabalhadores” (caixeiros) entraram em campo junto com a torcida rival.

Conclusão: Eles estavam ajudando a contestar o técnico (Monarquia).

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  • Identificar os aliados citados: Republicanos e Abolicionistas.
  • Lembrar o que esses grupos queriam: Fim da Monarquia e da Escravidão.
  • Concluir que os trabalhadores, ao se juntarem a eles, estavam contestando o regime.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender como uma reivindicação trabalhista virou um problema para o Imperador, vamos traçar o caminho lógico dessa união.

FLUXOGRAMA: A TEMPESTADE PERFEITA (DÉCADA DE 1880)

  1. 👷 O AGENTE (Quem?):
    • Os Caixeiros (Trabalhadores do comércio).
    • Ação Inicial: Organizaram-se e foram para as ruas lutar por direitos.

    ⬇️ A Convergência

  2. 🤝 A ALIANÇA (Com quem?):
    • Eles não foram sozinhos. Juntaram-se aos Republicanos (Contra o Rei) e Abolicionistas (Contra a Escravidão).
    • O Cenário: A rua virou palco de protesto conjunto.

    ⬇️ O Resultado Político

  3. 🔥 O SIGNIFICADO (O que isso gerou?):
    • Se você marcha ao lado de quem quer derrubar a Monarquia e a Escravidão, você está contestando o sistema vigente.
    • Conclusão: Contestação dos Princípios Monárquicos (Alternativa E).

Conceito Chave: A Crise Final do Império
O Império caiu porque perdeu suas bases de apoio. Quando os trabalhadores urbanos se uniram aos intelectuais republicanos e abolicionistas, formou-se uma frente ampla que isolou a Monarquia, levando à sua queda em 1889.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos rastrear as alianças no texto:

  • O Grupo: “Caixeiros do comércio”.
  • A Ação: “Ganharam as ruas” (Protesto/Manifestação).
  • As Companhias: “Com vários outros, como os republicanos e os abolicionistas”.

Raciocínio:
Se você marcha na rua ao lado de quem grita “Abaixo o Rei!” (republicanos) e “Abaixo a Escravidão!” (abolicionistas), você está participando de um movimento de contestação ao Rei e à Escravidão. O Império se baseava na monarquia e no trabalho escravo. Logo, atacar isso é atacar os princípios do Império.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A alternativa (D) (“consolidação das estruturas sindicais”) é um anacronismo tentador.

  • Por que seduz? Porque o texto fala de “associações” e “lutas por direitos”.
  • Por que está errada? Na década de 1880, o sindicato como conhecemos hoje (estrutura legal, CLT, unicidade) ainda não existia ou estava em fase embrionária (chamavam-se Ligas ou Associações de Socorro Mútuo). A “consolidação” sindical só ocorre na Era Vargas (anos 1930/40). Além disso, o foco da questão é a atuação política na capital do Império (o contexto macro), e não apenas a organização interna da classe.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A união de trabalhadores com grupos que queriam derrubar o sistema vigente (República/Abolição) configura um ataque à ordem monárquica.
  • Expectativa: A alternativa correta deve falar sobre crítica, oposição, contestação ou fim do Império/Monarquia.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) manutenção das regras patronais.
    • Diagnóstico do Erro: Oposto da Realidade.
    • Narrativa do Erro: Eles lutavam por direitos e exigiam intervenção pública. Isso é desafiar as regras dos patrões, não mantê-las.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) desprendimento das ideias liberais.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição Histórica.
    • Narrativa do Erro: Republicanos e abolicionistas eram, em sua maioria, influenciados pelo liberalismo (liberdade individual, fim da escravidão, república). O movimento abraçava ideias liberais radicais, não se desprendia delas.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) fortalecimento dos contratos laborais.
    • Diagnóstico do Erro: Anacronismo / Termo Inadequado.
    • Narrativa do Erro: “Contrato laboral” formal é um conceito mais moderno. Na época, a luta era mais básica (fechamento do comércio aos domingos, por exemplo). E o foco do texto é a aliança política (ruas), não a burocracia contratual.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) consolidação das estruturas sindicais.
    • Diagnóstico do Erro: Erro Cronológico.
    • Narrativa do Erro: Como explicado na armadilha, os sindicatos não estavam “consolidados” em 1880. Estavam nascendo. A consolidação é um processo do século XX.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) contestação dos princípios monárquicos.
    • Análise de Correspondência: Perfeito.
      • “Atuação”: Ganhar as ruas com republicanos.
      • “Republicanos”: Querem República (fim da Monarquia).
      • “Abolicionistas”: Querem trabalho livre (fim da base econômica da Monarquia).
      • Logo, eles estavam contestando o Império.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
No crepúsculo do Império, as ruas do Rio de Janeiro ferveram: ao unirem suas vozes às dos republicanos e abolicionistas, os trabalhadores transformaram suas reivindicações de classe em uma ampla contestação dos princípios monárquicos (Alternativa E), acelerando a queda de Dom Pedro II.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
O caixeiro saiu do balcão e foi para a rua derrubar o Rei.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este momento histórico (década de 1880) é o berço da Cidadania Moderna no Brasil. Foi quando a “plebe” (o povo urbano) começou a se ver como ator político, não mais como súdito passivo. A Proclamação da República (1889) foi, em parte, resultado dessa pressão, embora o golpe final tenha sido militar.

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