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Questão 53, caderno azul do ENEM 2022 D1

O número cada vez maior de mulheres letradas e interessadas pela literatura e pelas novelas, muitas divulgadas em capítulos, seções, classificadas comumente como folhetim, alçou a um gênero de ficção corrente já em 1840, fazendo parte do florescimento da literatura nacional brasileira, instigando a formação e a ampliação de um público leitor feminino, ávido por novidades, pelo apelo dos folhetins e “narrativas modernas” que encenavam “os dramas e os conflitos de uma mulher em processo de transformação patriarcal e provinciana que, progressivamente, começava a se abrir para modernizar seus costumes”. No Segundo Reinado, as mulheres foram se tornando público determinante na construção da literatura e da imprensa nacional. E não apenas público, porquanto crescerá o número de escritoras que colaboram para isso e emergirá uma imprensa feminina, editada, escrita e dirigida por e para mulheres.

ABRANTES, A. Do álbum de família à vitrine impressa: trajetos de retratos (PB, 1920),
Revista Temas em Educação, n. 24, 2015 (adaptado).

O registro das atividades descritas associa a inserção da figura feminina nos espaços de leitura e escrita do Segundo Reinado ao(à)

A) surgimento de novas práticas culturais.

B) contestação de antigos hábitos masculinos.

C) valorização de recentes publicações juvenis.

D) circulação de variados manuais pedagógicos.

E) aparecimento de diversas editoras comerciais.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • História do Brasil Império: O Segundo Reinado e a vida cultural.
  • Literatura Brasileira: O Romantismo e o Folhetim.
  • Sociologia da Leitura: Formação de público leitor e protagonismo feminino.

Tema/Objetivo Geral:
Compreender como a ascensão do gênero “Folhetim” no século XIX impulsionou a entrada das mulheres na esfera pública da cultura, tanto como leitoras ávidas quanto como escritoras e editoras, criando novas práticas culturais.

Nível da Questão: Médio.

  • Justificativa: O texto é denso e traz muita informação histórica. O aluno precisa sintetizar o processo descrito: mulheres lendo folhetins -> formação de público -> surgimento de escritoras -> imprensa feminina. A alternativa correta (A) é um termo “guarda-chuva” (novas práticas culturais) que abarca todos esses fenômenos.

Gabarito: A.

  • Resumo: O texto narra uma revolução silenciosa: o interesse das mulheres pelos romances de folhetim (novelas de jornal) criou um mercado literário no Brasil. Isso não só aumentou o número de leitoras, mas abriu portas para escritoras e para uma imprensa feita por e para mulheres. Tudo isso configura o surgimento de novas práticas culturais de consumo e produção literária.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Função Pedagógica: Identificar a transformação social descrita.

Decodificação do Objetivo: A questão pergunta: “O que permitiu que as mulheres começassem a ler e escrever publicamente no Brasil do século XIX?”. Foi briga com homens? Foi livro de escola? Ou foi uma nova moda cultural?

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine o surgimento das redes sociais hoje.

Antes, só jornalistas escreviam.

Com o Instagram/TikTok (nova prática cultural), todo mundo virou produtor de conteúdo, inclusive grupos antes silenciados.

No século XIX, o “Instagram” era o Folhetim. Ele permitiu que as mulheres entrassem no jogo literário.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  • Identificar o motor da mudança: “Folhetim” e “romances”.
  • Identificar a consequência: Mulheres lendo, escrevendo e editando.
  • Classificar isso como uma mudança nos hábitos culturais.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender como as mulheres deixaram de ser apenas “donas de casa” para se tornarem “donas da imprensa” no século XIX, vamos traçar o caminho dessa transformação cultural.

FLUXOGRAMA: A REVOLUÇÃO DO FOLHETIM

  1. 🗞️ O GATILHO (A Isca):
    • Jornais começam a publicar romances em capítulos (Folhetins).
    • Atração: Histórias de amor e dramas modernos.

    ⬇️ Consequência Imediata

  2. 👀 O CONSUMO (A Formação de Público):
    • Mulheres letradas se interessam e compram jornais/livros.
    • Nasce um público leitor feminino ávido por novidades.

    ⬇️ Evolução do Comportamento

  3. ✍️ A PRODUÇÃO (A Tomada de Espaço):
    • As mulheres deixam de apenas ler e começam a escrever e editar.
    • Surge a imprensa feminina (feita por e para mulheres).

    ⬇️ Resultado Final

  4. ✨ O NOVO CENÁRIO (A Resposta):
    • Isso não é apenas “ler um livro”; é o Surgimento de Novas Práticas Culturais (mulheres ocupando o espaço intelectual).

Conceito Chave: Da Passividade à Atividade
O texto descreve um movimento de emancipação intelectual. O folhetim foi a porta de entrada que transformou a mulher de consumidora passiva de cultura (leitora) em produtora ativa (escritora/editora).


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos rastrear a evolução descrita no texto:

  • Início:“Número cada vez maior de mulheres letradas e interessadas… alçou um gênero de ficção (folhetim)”.
    • A demanda feminina criou o mercado.
  • Meio:“Instigando a formação… de um público leitor feminino… ávido por novidades”.
    • A leitura virou um hábito, uma prática diária.
  • Fim:“Crescerá o número de escritoras… emergirá uma imprensa feminina”.
    • A prática de consumir cultura evoluiu para a prática de produzir cultura.

Síntese:
Isso não foi apenas “aparecimento de editoras” (E) ou “circulação de manuais” (D). Foi uma mudança profunda no comportamento da sociedade. Mulheres lendo e escrevendo romances era algo novo e revolucionário. Isso se chama surgimento de novas práticas culturais.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A alternativa (B) (“contestação de antigos hábitos masculinos”) é tentadora.

  • Por que seduz? Porque o texto fala de “mulher em transformação patriarcal”.
  • Por que está errada? O foco do texto não é o conflito direto ou a briga com os homens (contestação explícita), mas sim a construção de um espaço próprio (literatura e imprensa feminina). A contestação é uma consequência indireta, mas a causa da inserção feminina foi a nova prática cultural do folhetim, que atraiu as mulheres pelo interesse e identificação, não pelo combate.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O texto descreve o nascimento de um ecossistema literário feminino (leitoras -> escritoras -> imprensa) impulsionado pelo gênero folhetim.
  • Expectativa: A alternativa correta deve falar sobre cultura, hábitos, práticas ou comportamento social.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) surgimento de novas práticas culturais.
    • Análise de Correspondência: Perfeito. Ler folhetins, discutir novelas e escrever para jornais femininos eram hábitos que não existiam antes. São “novas práticas” que definiram a cultura do Segundo Reinado.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • B) contestação de antigos hábitos masculinos.
    • Diagnóstico do Erro: Foco no Conflito vs. Foco na Construção.
    • Narrativa do Erro: O texto fala de mulheres “modernizando seus costumes” e criando sua própria imprensa, não necessariamente atacando os homens. A inserção se deu pela criação de um nicho cultural, não apenas pela guerra dos sexos.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) valorização de recentes publicações juvenis.
    • Diagnóstico do Erro: Restrição de Público.
    • Narrativa do Erro: O texto fala de “mulheres letradas” e “público leitor feminino” em geral, não especificamente de jovens ou literatura juvenil. Os folhetins eram lidos por mulheres adultas também.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) circulação de variados manuais pedagógicos.
    • Diagnóstico do Erro: Erro de Gênero Textual.
    • Narrativa do Erro: O texto cita explicitamente “literatura, novelas, folhetim, ficção”. Manuais pedagógicos são livros de ensino. A mulher entrou na leitura pela porta da diversão (ficção), não da escola formal (pedagogia).
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) aparecimento de diversas editoras comerciais.
    • Diagnóstico do Erro: Confusão entre Meio e Fim.
    • Narrativa do Erro: Editoras comerciais surgiram, sim, mas o texto foca na atividade das mulheres (ler e escrever), não na estrutura empresarial das editoras. A inserção feminina foi cultural e autoral, não apenas comercial.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
O folhetim foi o cavalo de Troia da emancipação feminina no século XIX: através de histórias de amor e intriga, ele introduziu novas práticas culturais (Alternativa A) que permitiram às mulheres sair da invisibilidade doméstica e ocupar, pela primeira vez, o espaço público da imprensa e da literatura.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
A mulher largou o bordado e pegou o jornal. O folhetim mudou a sala de estar brasileira.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este fenômeno é o avô das Fanfics e dos Clubes do Livro atuais. A literatura de massa (como Crepúsculo ou Harry Potter) muitas vezes é criticada pela elite, mas historicamente é ela quem forma novos leitores e inclui grupos marginalizados na cultura letrada.

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