Na década de 1960, o governo Goulart tentara, de uma só vez, realizar um conjunto de “ajustes” políticos e sociais com a finalidade de incluir na Nação oficial, e na própria Constituição Federal, uma série de grupos que, em parte, a política e a história haviam deixado para trás, e que a nova conjuntura brasileira e internacional fazia emergir.
DAHÁS, N. O discurso da central hoje. Disponível em: www.revistadehistoria.com.br. Acesso em: 29 out. 2015.
Na conjuntura histórica abordada no texto, surgiu como protagonista no campo político o grupo social dos
A) empresários industriais.
B) trabalhadores rurais.
C) oligarcas regionais.
D) profissionais liberais.
E) religiosos católicos.

✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- História do Brasil (República Populista / Governo João Goulart)
- Sociologia (Movimentos Sociais no Campo)
- Tema/Objetivo Geral: Identificar o grupo social historicamente marginalizado que ganhou protagonismo político durante o governo de João Goulart, impulsionado pela pauta das Reformas de Base (especificamente a Reforma Agrária).
- Nível da Questão: Médio.
- Exige conhecimento histórico específico. O aluno precisa saber que, enquanto Vargas focou nos trabalhadores urbanos, a “novidade” explosiva da era Goulart foi a organização política do campo (Ligas Camponesas). Sem esse contexto, é fácil confundir com operários ou outros grupos.
- Gabarito: B
- A alternativa está correta. Os trabalhadores rurais, historicamente submetidos ao poder dos coronéis e sem direitos trabalhistas (CLT), emergiram como força política na década de 1960 através das Ligas Camponesas e da luta pela Reforma Agrária, pauta central do governo Jango.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: A missão é viajar para o Brasil do início dos anos 60 e responder: “Quem eram os ‘invisíveis’ que o presidente Jango tentou colocar na mesa de jantar da política nacional? Qual grupo, que antes era esquecido, começou a gritar por direitos e assustou as elites?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine o Brasil como uma fábrica.
- Getúlio Vargas (anos 30/40) já tinha dado capacete e carteira de trabalho para o operário da cidade (chão de fábrica).
- Mas o cara que plantava a comida no sítio (campo) continuava trabalhando como se estivesse no século XIX: sem lei, sem terra e sem voz.
O governo Goulart tentou dar o “capacete” para esse cara do campo. A questão quer saber quem é esse novo personagem que entrou em cena.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Interpretar “Deixado para trás”: Identificar quem estava fora do sistema de proteção social e política até 1960.
- Lembrar das Reformas de Base: Qual era a reforma mais polêmica de Jango? (A Agrária).
- Conectar o Grupo à Reforma: Quem se beneficia da Reforma Agrária?
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para visualizar a ascensão desse grupo, vamos usar um Fluxograma de Emergência Política.
FLUXOGRAMA: DO SILÊNCIO AO GRITO
- O Passado (Até 1950):
- Cenário: O Campo.
- Situação: Coronelismo, voto de cabresto, ausência de leis trabalhistas.
- Status: O trabalhador rural é Invisível.
- O Gatilho (Anos 50/60):
- Fatores: Mecanização, expulsão do campo, organização das Ligas Camponesas (Francisco Julião).
- Governo: Jango propõe a Reforma Agrária e o Estatuto do Trabalhador Rural.
- O Protagonismo:
- Ação: Ocupações de terra, comícios (Central do Brasil), pressão política.
- Novo Ator: O Trabalhador Rural vira sujeito político.
Conclusão da Ferramenta: A década de 60 é o momento em que o campo deixa de ser apenas cenário e vira palco de disputa.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar o texto à luz da História.
- “Incluir na Nação oficial”: O texto diz que esses grupos estavam fora. Os empresários (A) e os oligarcas (C) eram a nação oficial, eles detinham o poder. Os profissionais liberais (D) já tinham cidadania plena. Sobram os marginalizados.
- “Ajustes sociais… que a história havia deixado para trás”: Vargas incorporou o proletariado urbano. Quem sobrou? O proletariado rural. Até 1963 (Estatuto do Trabalhador Rural), o homem do campo não tinha férias, 13º ou aposentadoria. Eles eram os “esquecidos”.
- A “Nova Conjuntura”: O texto fala de contexto internacional. Estávamos na Guerra Fria. A Revolução Cubana (1959) começou no campo. Isso acendeu o alerta vermelho e deu visibilidade aos movimentos rurais no Brasil, que passaram a ser vistos ou como a solução para a desigualdade (pela esquerda) ou como uma ameaça comunista (pela direita). De qualquer forma, viraram protagonistas.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A armadilha mais comum é marcar a alternativa A (empresários industriais) por causa da palavra “desenvolvimentismo” associada a essa época (JK, 50 anos em 5). O aluno pensa: “Anos 60, indústria crescendo, eles são os protagonistas”. O erro é ignorar o trecho do texto que fala em “incluir grupos que a história deixou para trás”. Os industriais nunca foram deixados para trás; eles eram a elite econômica beneficiada desde Vargas. O texto fala de inclusão social de marginalizados, não de crescimento industrial.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O governo Goulart focou nas “Reformas de Base”. A mais urgente e conflituosa era a Reforma Agrária. O sujeito dessa reforma, que historicamente não tinha direitos, era o trabalhador do campo.
- Expectativa: Uma alternativa que cite “camponeses”, “trabalhadores rurais” ou “sem-terra”.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) empresários industriais.
- O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Status. Os industriais já eram protagonistas e detentores de poder econômico e influência política desde o início da industrialização (Era Vargas). Eles não precisavam ser “incluídos na Nação”, pois já a comandavam em grande parte.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
B) trabalhadores rurais.
- Análise de Correspondência: Perfeita. Eram o grupo majoritário da população, mas sem direitos trabalhistas e sem acesso à terra. A organização das Ligas Camponesas e a promessa de Reforma Agrária de Jango os colocaram no centro do furacão político de 1964.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
C) oligarcas regionais.
- O “Diagnóstico do Erro”: Contradição. Os oligarcas (coronéis, latifundiários) eram o grupo que “deixou os outros para trás”. Eles representavam o atraso e a estrutura arcaica que Goulart tentava reformar. Eles eram os antagonistas das reformas, não o grupo a ser incluído.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
D) profissionais liberais.
- O “Diagnóstico do Erro”: Anacronismo Social. Médicos, advogados e engenheiros (classe média urbana) já possuíam direitos políticos e sociais garantidos. Embora fossem politicamente ativos, não se encaixam na descrição de “grupo que a história deixou para trás” em termos de cidadania básica.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
E) religiosos católicos.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confusão de Papel. A Igreja Católica teve um papel importante (tanto a ala conservadora nas Marchas da Família quanto a ala progressista da Teologia da Libertação), mas os religiosos agiam como mediadores ou ativistas, não eram eles o grupo social excluído que necessitava de “ajustes sociais” para ser incluído na Constituição.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa B é a correta. O governo Goulart foi o momento em que o Brasil olhou para o campo e percebeu que a abolição da escravatura ainda não tinha terminado na prática.
Resumo-flash (A Imagem Mental): Sai o Operário de Vargas, entra o Camponês de Jango.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O medo da ascensão política dos trabalhadores rurais foi um dos estopins para o Golpe Militar de 1964. A elite agrária, temendo perder suas terras com a Reforma Agrária (“na lei ou na marra”, como dizia o slogan), apoiou a derrubada de Jango. A questão da terra no Brasil (MST, conflitos agrários) é uma ferida aberta que começou a ser tocada justamente nesse período abordado pela questão.