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Questão 46, caderno azul do ENEM 2024

TEXTO I

Um terremoto de magnitude 5,9 atingiu a cidade de Valparaíso, na costa chilena. O terremoto ocorreu a uma profundidade de 112 quilômetros.

Terremoto de magnitude 5,9 atinge Valparaíso, no Chile. Disponível em: www.cnnbrasil.com.br.
Acesso em: 6 nov. 2021 (adaptado).

TEXTO II

Um tremor de terra de magnitude 4,8 foi registrado no município de Atalaia do Norte, no interior do estado do Amazonas. O abalo é de magnitude considerada mediana para os níveis do Brasil. Os eventos dessa região costumam ser resultado das atividades da placa de Nazca.

Tremor de terra de magnitude 4,8 é registrado no interior do Amazonas. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 6 nov. 2021 (adaptado).

TEXTO III

Moradores usaram as redes sociais para relatar tremores de terra no interior de São Paulo. As atividades foram registradas nas cidades de Júlio Mesquita e Guaimbê e tiveram magnitude 3,0 na escala Richter, o que é considerado pequeno e sem previsão de danos.

Moradores do interior de SP relatam tremores de terra. Disponível em: https://noticias.r7.com.
Acesso em: 6 nov. 2021 (adaptado).

As diferenças entre os eventos geológicos relatados decorrem de distintas posições geográficas das cidades em relação a:

A) Planícies costeiras.

B) Bacias continentais.

C) Zonas de subducção.

D) Áreas de denudação.

E) Vertentes escarpadas.

✍ “Resolução Em Texto”

Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Geografia Física (Geologia e Geomorfologia).
Tectônica de Placas (Dinâmica Interna da Terra).
Cartografia Mental (Localização do Chile e do Brasil em relação às placas).

Tema/Objetivo Geral:
Compreender a dinâmica dos abalos sísmicos (terremotos) relacionando a intensidade dos eventos à localização geográfica das cidades em relação às bordas das placas tectônicas (zonas de encontro/choque).

Nível da Questão
Médio.
Exige que o aluno tenha o “mapa mental” das placas tectônicas na América do Sul. É preciso saber que o Chile está na borda (onde a ação acontece) e o Brasil está no centro da placa (onde há apenas reflexos ou acomodações).

Gabarito
Letra C.
A diferença de magnitude (força) dos terremotos deve-se à distância em relação à Zona de Subducção, que é o local onde a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana (na costa do Chile), gerando os abalos mais violentos.


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão apresenta três cenários de terremotos com forças diferentes:

  1. Chile: Forte (5,9).
  2. Amazonas: Médio (4,8).
  3. São Paulo: Fraco (3,0).
    A pergunta é: Qual fator geológico explica essa diferença de força? Por que no Chile a terra treme mais forte do que em São Paulo?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um acidente de carro (colisão).

  • Chile (Valparaíso): É o para-choque do carro. É onde a batida acontece de verdade. O impacto é brutal.
  • Amazonas e São Paulo: São os passageiros no banco de trás. Eles sentem o tranco, balançam, mas não recebem o impacto direto da lataria amassando.
    A “batida” geológica chama-se Subducção. O Chile está na zona da batida; o Brasil está na zona de conforto (centro da placa).

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  1. Localizar no Mapa: Visualizar onde ficam Chile, Amazonas e São Paulo.
  2. Identificar o Motor: O que causa terremotos nos Andes? (O choque de placas).
  3. Medir a Distância: Quem está perto do choque e quem está longe?

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Vamos usar a ferramenta da Tectônica de Placas.

Dossiê das Placas na América do Sul:

LocalizaçãoSituação TectônicaTipo de Abalo Sísmico
Costa do Pacífico (Chile/Peru)Borda de Placa (Convergente). Encontro da Placa de Nazca com a Sul-Americana.Violentos e Frequentes. Acontecem porque uma placa está “engolindo” a outra.
Interior do Continente (Brasil)Intraplaca (Centro da Placa). Estabilidade geológica relativa.Leves e Raros. Causados por acomodação de camadas internas ou reflexos (ecos) da batida nos Andes.

Conceito-Chave:
Zona de Subducção: É o nome técnico para o processo onde a placa oceânica (mais densa/pesada) mergulha por baixo da placa continental (mais leve). Esse atrito derrete rocha, cria vulcões e gera os maiores terremotos do mundo. Isso ocorre no litoral do Chile.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar os textos fornecidos:

  1. Texto I (Chile): Magnitude 5,9. Ocorre na costa. Motivo: Está bem em cima da Zona de Subducção. É o epicentro da atividade tectônica.
  2. Texto II (Amazonas): Magnitude 4,8. O texto diz: “resultado das atividades da placa de Nazca”. O Amazonas é vizinho dos Andes. A energia do choque no Chile viaja pela crosta e chega “amortecida” (mas ainda perceptível) no Amazonas.
  3. Texto III (São Paulo): Magnitude 3,0. São Paulo está muito longe da borda. Os tremores lá são apenas “acomodações de falhas geológicas” antigas.

Síntese:
A diferença fundamental é a proximidade com a briga das placas. Valparaíso está no ringue de luta (Zona de Subducção). As cidades brasileiras estão na arquibancada.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com a ideia de que “No Brasil não tem terremoto”.
O senso comum diz isso, mas os Textos II e III provam o contrário. O Brasil tem tremores, sim! Eles são assísmicos (não catastróficos) e de baixa magnitude, causados por falhas internas ou reflexos distantes. A questão não pergunta “onde tem terremoto”, mas sim “o que explica as diferenças” entre eles. A resposta é a posição em relação ao choque principal.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: Os eventos mais fortes ocorrem nas bordas convergentes de placas tectônicas (zonas de subducção), enquanto os mais fracos ocorrem no interior das placas (intraplaca).
  • Expectativa: A alternativa correta deve conter termos como “placas tectônicas”, “subducção”, “limites convergentes” ou “encontro de placas”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) Planícies costeiras.

  • Diagnóstico do Erro: Confusão entre Relevo e Estrutura.
  • Análise: Planície costeira é uma forma de relevo (superfície), geralmente formada por sedimentos marinhos. Ela não causa terremotos. O Chile tem montanhas na costa, não apenas planícies. A causa é subterrânea, não superficial.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) Bacias continentais.

  • Diagnóstico do Erro: Causa Errada.
  • Análise: Bacias são áreas rebaixadas onde se acumulam sedimentos (como a Bacia Amazônica). Embora possam ter pequenas acomodações de terra, elas não são o motor dos grandes terremotos descritos no Chile.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) Zonas de subducção.

  • Análise de Correspondência: Perfeita.
  • Definição: É o local de mergulho de uma placa sob a outra.
  • Aplicação: O Chile está na zona de subducção. O Brasil está longe dela. Essa diferença de posição geográfica explica por que no Chile o tremor é 5,9 e no Brasil é 3,0 ou 4,8 (eco).
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

D) Áreas de denudação.

  • Diagnóstico do Erro: Processo Exógeno vs. Endógeno.
  • Análise: Denudação é erosão (desgaste do relevo pela chuva, vento). É um processo externo (exógeno). Terremoto é um processo interno (endógeno). A erosão não faz a terra tremer a 112 km de profundidade.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) Vertentes escarpadas.

  • Diagnóstico do Erro: Foco na Consequência ou Forma.
  • Análise: Escarpas (paredões, serras) podem até sofrer deslizamentos durante um terremoto, mas elas não causam o terremoto tectônico. Elas são formas de relevo, não o motor geológico.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A alternativa C é a correta pois identifica o motor geológico dos Andes: a subducção da Placa de Nazca, que gera alta sismicidade no Chile e apenas reflexos atenuados no interior do território brasileiro.

Resumo-flash:
Chile está na linha de frente do choque; Brasil está na retaguarda.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Esse conhecimento é vital para a Engenharia Civil. No Chile e no Japão (zonas de subducção), os prédios são construídos com amortecedores gigantes nas fundações e materiais flexíveis para dançar conforme o terremoto. No Brasil, não precisamos dessa tecnologia cara porque estamos no centro da Placa Sul-Americana, uma zona geologicamente estável (embora não imune a sustos).

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