TEXTO I
Um terremoto de magnitude 5,9 atingiu a cidade de Valparaíso, na costa chilena. O terremoto ocorreu a uma profundidade de 112 quilômetros.
Terremoto de magnitude 5,9 atinge Valparaíso, no Chile. Disponível em: www.cnnbrasil.com.br.
Acesso em: 6 nov. 2021 (adaptado).
TEXTO II
Um tremor de terra de magnitude 4,8 foi registrado no município de Atalaia do Norte, no interior do estado do Amazonas. O abalo é de magnitude considerada mediana para os níveis do Brasil. Os eventos dessa região costumam ser resultado das atividades da placa de Nazca.
Tremor de terra de magnitude 4,8 é registrado no interior do Amazonas. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 6 nov. 2021 (adaptado).
TEXTO III
Moradores usaram as redes sociais para relatar tremores de terra no interior de São Paulo. As atividades foram registradas nas cidades de Júlio Mesquita e Guaimbê e tiveram magnitude 3,0 na escala Richter, o que é considerado pequeno e sem previsão de danos.
Moradores do interior de SP relatam tremores de terra. Disponível em: https://noticias.r7.com.
Acesso em: 6 nov. 2021 (adaptado).
As diferenças entre os eventos geológicos relatados decorrem de distintas posições geográficas das cidades em relação a:
A) Planícies costeiras.
B) Bacias continentais.
C) Zonas de subducção.
D) Áreas de denudação.
E) Vertentes escarpadas.

✍ “Resolução Em Texto”
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Geografia Física (Geologia e Geomorfologia).
Tectônica de Placas (Dinâmica Interna da Terra).
Cartografia Mental (Localização do Chile e do Brasil em relação às placas).
Tema/Objetivo Geral:
Compreender a dinâmica dos abalos sísmicos (terremotos) relacionando a intensidade dos eventos à localização geográfica das cidades em relação às bordas das placas tectônicas (zonas de encontro/choque).
Nível da Questão
Médio.
Exige que o aluno tenha o “mapa mental” das placas tectônicas na América do Sul. É preciso saber que o Chile está na borda (onde a ação acontece) e o Brasil está no centro da placa (onde há apenas reflexos ou acomodações).
Gabarito
Letra C.
A diferença de magnitude (força) dos terremotos deve-se à distância em relação à Zona de Subducção, que é o local onde a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana (na costa do Chile), gerando os abalos mais violentos.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão apresenta três cenários de terremotos com forças diferentes:
- Chile: Forte (5,9).
- Amazonas: Médio (4,8).
- São Paulo: Fraco (3,0).
A pergunta é: Qual fator geológico explica essa diferença de força? Por que no Chile a terra treme mais forte do que em São Paulo?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um acidente de carro (colisão).
- Chile (Valparaíso): É o para-choque do carro. É onde a batida acontece de verdade. O impacto é brutal.
- Amazonas e São Paulo: São os passageiros no banco de trás. Eles sentem o tranco, balançam, mas não recebem o impacto direto da lataria amassando.
A “batida” geológica chama-se Subducção. O Chile está na zona da batida; o Brasil está na zona de conforto (centro da placa).
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Localizar no Mapa: Visualizar onde ficam Chile, Amazonas e São Paulo.
- Identificar o Motor: O que causa terremotos nos Andes? (O choque de placas).
- Medir a Distância: Quem está perto do choque e quem está longe?
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos usar a ferramenta da Tectônica de Placas.
Dossiê das Placas na América do Sul:
| Localização | Situação Tectônica | Tipo de Abalo Sísmico |
| Costa do Pacífico (Chile/Peru) | Borda de Placa (Convergente). Encontro da Placa de Nazca com a Sul-Americana. | Violentos e Frequentes. Acontecem porque uma placa está “engolindo” a outra. |
| Interior do Continente (Brasil) | Intraplaca (Centro da Placa). Estabilidade geológica relativa. | Leves e Raros. Causados por acomodação de camadas internas ou reflexos (ecos) da batida nos Andes. |
Conceito-Chave:
Zona de Subducção: É o nome técnico para o processo onde a placa oceânica (mais densa/pesada) mergulha por baixo da placa continental (mais leve). Esse atrito derrete rocha, cria vulcões e gera os maiores terremotos do mundo. Isso ocorre no litoral do Chile.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar os textos fornecidos:
- Texto I (Chile): Magnitude 5,9. Ocorre na costa. Motivo: Está bem em cima da Zona de Subducção. É o epicentro da atividade tectônica.
- Texto II (Amazonas): Magnitude 4,8. O texto diz: “resultado das atividades da placa de Nazca”. O Amazonas é vizinho dos Andes. A energia do choque no Chile viaja pela crosta e chega “amortecida” (mas ainda perceptível) no Amazonas.
- Texto III (São Paulo): Magnitude 3,0. São Paulo está muito longe da borda. Os tremores lá são apenas “acomodações de falhas geológicas” antigas.
Síntese:
A diferença fundamental é a proximidade com a briga das placas. Valparaíso está no ringue de luta (Zona de Subducção). As cidades brasileiras estão na arquibancada.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com a ideia de que “No Brasil não tem terremoto”.
O senso comum diz isso, mas os Textos II e III provam o contrário. O Brasil tem tremores, sim! Eles são assísmicos (não catastróficos) e de baixa magnitude, causados por falhas internas ou reflexos distantes. A questão não pergunta “onde tem terremoto”, mas sim “o que explica as diferenças” entre eles. A resposta é a posição em relação ao choque principal.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: Os eventos mais fortes ocorrem nas bordas convergentes de placas tectônicas (zonas de subducção), enquanto os mais fracos ocorrem no interior das placas (intraplaca).
- Expectativa: A alternativa correta deve conter termos como “placas tectônicas”, “subducção”, “limites convergentes” ou “encontro de placas”.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) Planícies costeiras.
- Diagnóstico do Erro: Confusão entre Relevo e Estrutura.
- Análise: Planície costeira é uma forma de relevo (superfície), geralmente formada por sedimentos marinhos. Ela não causa terremotos. O Chile tem montanhas na costa, não apenas planícies. A causa é subterrânea, não superficial.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) Bacias continentais.
- Diagnóstico do Erro: Causa Errada.
- Análise: Bacias são áreas rebaixadas onde se acumulam sedimentos (como a Bacia Amazônica). Embora possam ter pequenas acomodações de terra, elas não são o motor dos grandes terremotos descritos no Chile.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
C) Zonas de subducção.
- Análise de Correspondência: Perfeita.
- Definição: É o local de mergulho de uma placa sob a outra.
- Aplicação: O Chile está na zona de subducção. O Brasil está longe dela. Essa diferença de posição geográfica explica por que no Chile o tremor é 5,9 e no Brasil é 3,0 ou 4,8 (eco).
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
D) Áreas de denudação.
- Diagnóstico do Erro: Processo Exógeno vs. Endógeno.
- Análise: Denudação é erosão (desgaste do relevo pela chuva, vento). É um processo externo (exógeno). Terremoto é um processo interno (endógeno). A erosão não faz a terra tremer a 112 km de profundidade.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
E) Vertentes escarpadas.
- Diagnóstico do Erro: Foco na Consequência ou Forma.
- Análise: Escarpas (paredões, serras) podem até sofrer deslizamentos durante um terremoto, mas elas não causam o terremoto tectônico. Elas são formas de relevo, não o motor geológico.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
A alternativa C é a correta pois identifica o motor geológico dos Andes: a subducção da Placa de Nazca, que gera alta sismicidade no Chile e apenas reflexos atenuados no interior do território brasileiro.
Resumo-flash:
Chile está na linha de frente do choque; Brasil está na retaguarda.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Esse conhecimento é vital para a Engenharia Civil. No Chile e no Japão (zonas de subducção), os prédios são construídos com amortecedores gigantes nas fundações e materiais flexíveis para dançar conforme o terremoto. No Brasil, não precisamos dessa tecnologia cara porque estamos no centro da Placa Sul-Americana, uma zona geologicamente estável (embora não imune a sustos).