15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 39, caderno azul ENEM 2020

Hino à Bandeira

Em teu formoso retratas
Este céu de puríssimo azul, 
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira,
Pavilhão da justiça e do amor!

BILAC, O.; BRAGA F. Disponível em: www/2.planalto.gov.br.
Acesso em: 10 dez. 2017 (fragmento)

No Hino à Bandeira, a descrição é um recurso utilizado para exaltar o símbolo nacional na medida em que:

A) remete a um momento futuro.

B) promove a união dos cidadãos. 

C) valoriza os seus elementos.

D) emprega termos religiosos.

E) recorre à sua história.

✍ Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Texto Poético
    • Análise Literária (Recursos Descritivos, Figuras de Linguagem)
    • Gêneros Textuais (Hino)
  • Tema/Objetivo Geral: Analisar a função do recurso da descrição em um hino patriótico, entendendo como ele é utilizado para exaltar e conferir valor ao símbolo nacional.
  • Nível da Questão: Fácil.
    • A questão se resolve pela leitura direta e interpretação da primeira estrofe. O poema é explícito ao descrever o que a bandeira “retrata” (o céu, as matas, as estrelas) e ao qualificar esses elementos com adjetivos positivos (“puríssimo”, “sem par”, “esplendor”), tornando a função de “valorização” evidente.
  • Gabarito: C
    • A alternativa está correta porque a principal estratégia do hino para exaltar a bandeira é descrever seus componentes (o azul, o verde, as estrelas) e associá-los a elementos grandiosos e belos da nação (“céu de puríssimo azul”, “verdura sem par destas matas”, “esplendor do Cruzeiro do Sul”), ou seja, o hino valoriza os seus elementos.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “O Hino à Bandeira usa a descrição para exaltar o símbolo nacional. Como, exatamente, essa descrição funciona para atingir esse objetivo de exaltação?”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que você quer elogiar (exaltar) um amigo. Você não diz apenas “Você é legal”. Você usa a descrição para dar força ao seu elogio: “Seus olhos são como o céu azul (lindos), seu cabelo tem o brilho do sol (radiante) e seu coração é forte como uma rocha (confiável)”. Ao descrever as partes do seu amigo e associá-las a coisas positivas e grandiosas, você está valorizando os seus elementos para construir a imagem de uma pessoa incrível. O Hino à Bandeira faz exatamente isso com a bandeira.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Isolar a Evidência: Vamos focar na primeira estrofe, que é onde a descrição é mais explícita.
  • Analisar a Técnica Descritiva: Vamos criar uma tabela para mapear como cada parte da bandeira é descrita e qualificada.
  • Determinar a Função da Técnica: Qual é o efeito dessa descrição cheia de adjetivos positivos?
  • Realizar a Autópsia: Vamos analisar cada alternativa para ver qual delas melhor descreve essa função.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a melhor ferramenta é uma Tabela de Análise Descritiva. Ela nos ajudará a decompor a primeira estrofe e a visualizar o mecanismo de valorização.

Elemento da Bandeira (Implícito) Descrição no Hino (A Evidência) Qualificação / Valorização
O Azul “Este céu de puríssimo azul” O azul da bandeira não é um azul qualquer; é “puríssimo”, associado à pureza e à imensidão do céu.
O Verde “A verdura sem par destas matas” O verde não é apenas verde; é “sem par” (incomparável), associado à exuberância única das florestas brasileiras.
As Estrelas (Branco) “E o esplendor do Cruzeiro do Sul” As estrelas não são apenas pontos brancos; elas são o “esplendor” da constelação mais icônica do hemisfério sul.

Conclusão Forense: A tabela mostra que a descrição não é neutra. O poeta não diz “a bandeira tem azul, verde e branco”. Ele pega cada um desses elementos, os associa a uma parte grandiosa do Brasil e os qualifica com adjetivos superlativos (“puríssimo”, “sem par”, “esplendor”). A função da descrição é, portanto, valorizar os elementos da bandeira.


PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Nossa tabela já resolveu o caso. A exaltação é construída tijolo por tijolo, elemento por elemento.

  • A bandeira se torna um microcosmo do Brasil. Cada cor e forma nela contida é um símbolo de uma qualidade da nação.
  • Ao descrever esses elementos de forma tão positiva, o hino transfere essa positividade para o símbolo como um todo. A bandeira se torna “formosa” (bonita) porque seus componentes são descritos como belos e valiosos.

A descrição, portanto, é o recurso usado para valorizar os elementos que compõem a bandeira.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨

CUIDADO! A armadilha mais sedutora é a alternativa (B), “promove a união dos cidadãos”. Hinos nacionais e símbolos pátrios de fato têm a função social de promover a união. O erro é não perceber que a questão pergunta sobre o recurso da descrição dentro do texto. O texto descreve os elementos da bandeira para valorizá-la (C). A consequência de ter um símbolo valorizado é que ele pode, então, promover a união (B). A alternativa (C) descreve a ação interna do poema, enquanto a (B) descreve um efeito externo. (C) é a resposta mais direta sobre o mecanismo do texto.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A investigação mostra que o hino descreve as cores e formas da bandeira, associando-as a elementos naturais do Brasil e qualificando-as com adjetivos positivos.
  • Expectativa: A alternativa correta deve apontar para essa estratégia de valorização dos componentes do símbolo.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora interrogar cada um dos suspeitos.

  • A) remete a um momento futuro.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode focar no verso “Poderoso e feliz há de ser!”.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Foco Incorreto. A questão é sobre o recurso da descrição. A descrição da bandeira (primeira estrofe) é sobre o presente, sobre o que ela é e retrata. A menção ao futuro é uma promessa, não parte da descrição do símbolo em si.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • B) promove a união dos cidadãos.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato cai na “Armadilha Clássica”, focando na função social geral de um hino.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Meio com Fim. O poema não descreve a união. Ele descreve a bandeira. A promoção da união é um efeito posterior e externo ao mecanismo poético da descrição.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • C) valoriza os seus elementos.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. Ela descreve perfeitamente o que a primeira estrofe faz: pega os elementos da bandeira (cores, estrelas) e os valoriza através de associações e adjetivos.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
  • D) emprega termos religiosos.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato foca na palavra “sagrado”.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo. Embora a palavra “sagrado” seja usada, ela está no contexto de um patriotismo cívico (uma “religião cívica”), e não de uma teologia específica. Mais importante, o recurso principal da primeira estrofe (que é a mais descritiva) não é religioso, mas a associação com a natureza.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • E) recorre à sua história.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato assume que um hino a um símbolo nacional deve falar de sua história.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Falsa Premissa. O hino é notavelmente a-histórico. Ele não menciona a Proclamação da República, o Império, ou qualquer evento ligado à criação da bandeira. A descrição foca na geografia e na simbologia, não na história.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa C é a correta. Este caso ilustra como o patriotismo é construído poeticamente: não através de argumentos lógicos, mas pela valorização simbólica de elementos concretos, transformando um pedaço de pano em uma relíquia sagrada.

Resumo-flash (A Imagem Mental): O poeta não descreve a bandeira, ele a decora com as joias do Brasil.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de valorizar um produto descrevendo seus elementos e associando-os a origens nobres ou desejáveis é a base do Marketing de Produtos de Luxo. Uma marca de perfume não diz “nosso perfume cheira bem”. Ela descreve seus elementos: “Com notas de jasmim colhido ao amanhecer em Grasse, um coração de rosas da Bulgária e um fundo de sândalo da Índia…”. Ao valorizar seus elementos, a marca constrói uma narrativa de exclusividade e preciosidade para o produto final. A técnica de Olavo Bilac para “vender” o patriotismo é a mesma de um mestre perfumista para vender um perfume.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.