15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 33, caderno azul do ENEM 2023 – DIA 1

Texto II

Em 1933, a obra Eternos caminhantes ingressou em uma das primeiras edições das exposições de Arte Degenerada, promovida por membros do partido nazista alemão. Nos anos seguintes, ela voltaria a ser exibida na mostra denominada Exposição da Vergonha, promovida por pequenos grupos abastados. Em 1937, essa obra foi confiscada pelo Ministério da Propaganda daquele país, na grande ação nacional-socialista contra a “Arte Degenerada”.

SCHWARTZ, J. Perseguição à Arte Moderna em tempos de amarra São Paulo: Museu Lasar Segall, 2018 (adaptado)

Quase cinquenta obras de Lasar Segall foram confiscadas pelo regime totalitário alemão na primeira metade do século XX, entre elas a obra Eternos caminhantes, considerada degenerada por

a) representar uma estética tida como inconveniente para o ideário político vigente.

b) manifestar um posicionamento político-cultural concebido por grupos de oposição.

c) expressar a cultura artística por meio da representação parcial do corpo humano.

d) apresentar uma composição que antecipa o imaginário artístico germânico.

e) estimular discussões sobre o papel da arte na construção coletiva de cultura.

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Texto Verbal e Não Verbal (Imagem)
    • História (Alemanha Nazista, Arte Moderna, “Arte Degenerada”)
    • História da Arte (Expressionismo, Cubismo)
  • Tema/Objetivo Geral: Analisar os critérios ideológicos de um regime totalitário para a perseguição e censura de manifestações artísticas que não se alinham à sua estética oficial.
  • Nível da Questão: Médio.
    • Justificativa: A questão é de nível médio porque exige que o candidato conecte a estética da pintura (Texto I) com o contexto histórico da perseguição (Texto II). É preciso entender o que o nazismo valorizava em arte (realismo heroico, classicismo) para compreender por que a obra de Segall, com suas formas distorcidas e angulosas, era vista como o oposto disso, uma ameaça ao seu projeto ideológico.
  • Gabarito: A) representar uma estética tida como inconveniente para o ideário político vigente.
    • Explicação Resumida: A alternativa está correta porque a arte moderna, com sua liberdade de forma, distorção e foco no sofrimento humano (como na obra de Segall), era vista pelo nazismo como “doentia” e “corrupta”, uma estética que contrariava seu ideal de uma arte heroica, racialmente pura e de fácil compreensão, que servisse como propaganda para o regime.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Em bom português, a missão é a seguinte: o Texto I nos mostra a pintura “Eternos caminhantes”. O Texto II nos conta que os nazistas odiaram essa pintura, a chamaram de “degenerada” e a confiscaram. A pergunta é: o que havia de tão “errado” com essa pintura, na visão dos nazistas?

Simplificando, imagine um regime que só permite que se pintem quadros de soldados fortes, famílias loiras e paisagens perfeitas. De repente, aparece um pintor que retrata pessoas sofridas, com rostos angulosos e cores sombrias. O regime imediatamente proíbe e confisca a obra. Por quê? Porque aquele estilo de pintura, aquela estética, não se encaixa na propaganda do mundo perfeito que o regime quer vender. A questão quer que a gente explique por que a pintura de Lasar Segall foi “proibida” da mesma forma.

Roteiro da Investigação (O Plano de Ataque): Para resolver este enigma, nosso plano será metódico e preciso:

  • 1. Analisar a Estética da Obra (Texto I): Vamos observar a pintura e descrever seu estilo. As formas são realistas ou distorcidas? As cores são alegres ou sombrias?
  • 2. Entender a Ideologia Nazista para a Arte (Contexto): Vamos definir o que era o “ideário político vigente” do nazismo em relação à arte. O que eles consideravam “boa” arte?
  • 3. Confrontar a Obra com a Ideologia: Vamos comparar a estética da pintura com a estética oficial nazista para encontrar o ponto de conflito.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

A ferramenta essencial aqui é um Dossiê Comparativo de Estéticas, que colocará a arte de Segall em oposição direta à arte oficial do Terceiro Reich.

Dossiê do Conflito Estético:

  • A Obra de Lasar Segall (“Arte Degenerada”):
    • Estilo: Expressionismo com influências do Cubismo.
    • Características Visuais: Formas geométricas, rostos angulosos e alongados, distorção da figura humana, cores não-realistas, atmosfera sombria e melancólica.
    • Visão de Mundo: Foco na subjetividade, na angústia, no sofrimento e na condição humana universal (os “eternos caminhantes” podem ser migrantes, exilados, etc.).
  • A Arte Oficial Nazista (“Arte Heroica”):
    • Estilo: Realismo Acadêmico, Neoclassicismo.
    • Características Visuais: Formas realistas e idealizadas, corpos “perfeitos” (atléticos, arianos), cenas claras e de fácil leitura, temas de heroísmo, família, trabalho e poderio militar.
    • Visão de Mundo: Propaganda do Estado. A arte deve celebrar a “pureza da raça ariana”, a força da nação e os valores do regime.

Veredito do Detetive: A obra de Segall é o exato oposto de tudo o que a ideologia nazista pregava para a arte. Onde o nazismo queria ordem, Segall mostrava caos. Onde o nazismo queria beleza idealizada, Segall mostrava a beleza da angústia. Onde o nazismo queria propaganda, Segall oferecia reflexão.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

A execução do nosso plano nos leva a entender que, para um regime totalitário, a arte nunca é apenas arte. Ela é uma ferramenta de propaganda ou uma ameaça.

O nazismo tinha um projeto de sociedade total, que incluía o controle sobre a cultura e a estética. A “boa” arte era aquela que reforçava o “ideário político vigente”: a superioridade racial, a força, a ordem.

A arte moderna, como o Expressionismo de Segall, era vista como “inconveniente” e perigosa por vários motivos:

  1. Era internacional: Movimentos como o Cubismo e o Expressionismo não tinham fronteiras, o que contrariava o nacionalismo extremo do regime.
  2. Era subjetiva e complexa: Exigia interpretação, o que abria espaço para o pensamento crítico. A arte nazista deveria ser óbvia.
  3. Focava no sofrimento: Retratava a angústia e a fragilidade humana, o que era visto como “doentio” e contrário à imagem do “super-homem” ariano.
  4. Era inovadora: Quebrava com as tradições, o que era visto como uma forma de corrupção cultural.

Portanto, a condenação de “Eternos caminhantes” não foi um ato de crítica de arte, mas um ato de polícia política.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha aqui é a alternativa (B) “manifestar um posicionamento político-cultural concebido por grupos de oposição”. O erro é pensar que a arte, para ser perseguida, precisa ser um panfleto político explícito. A obra de Segall não é um cartaz anti-nazista. Sua “política” está em sua própria forma, em sua estética. O regime não a perseguiu por causa de uma mensagem de oposição direta, mas porque seu estilo, sua forma de ver o mundo, era em si uma negação da estética e dos valores nazistas. A ameaça era estética antes de ser política.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A investigação revela que a obra de Segall foi condenada não por uma mensagem política explícita, mas porque seu estilo modernista era fundamentalmente incompatível com a ideologia e a estética de propaganda do regime nazista.
    • Expectativa: A alternativa correta deve focar nessa incompatibilidade entre a estética da obra e a ideologia política do regime.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Com nosso perfil da causa da condenação em mãos, vamos interrogar os suspeitos.

a) representar uma estética tida como inconveniente para o ideário político vigente.
Análise de Correspondência: Esta alternativa é o alvo. “Estética […] inconveniente” (o Expressionismo, a distorção) para o “ideário político vigente” (a ideologia nazista de pureza e ordem). A descrição é precisa e vai ao cerne da questão.
Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

b) manifestar um posicionamento político-cultural concebido por grupos de oposição.
Esta é a armadilha que desarmamos. O erro é assumir que a obra era um manifesto de um grupo de oposição. A oposição era inerente à sua forma, não necessariamente a uma filiação política.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

c) expressar a cultura artística por meio da representação parcial do corpo humano.
O erro é Imprecisão. O problema não era a representação ser “parcial”, mas sim “distorcida” e “não-idealizada”, o que é diferente. Além disso, essa é uma descrição da obra, não a razão ideológica da sua condenação.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

d) apresentar uma composição que antecipa o imaginário artístico germânico.
O erro é uma Contradição Direta. A obra era o oposto do imaginário “germânico” que o nazismo queria construir, que era baseado em um retorno ao classicismo.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

e) estimular discussões sobre o papel da arte na construção coletiva de cultura.
O erro é Foco Incorreto. Embora a arte moderna estimule discussões, essa não era a razão da perseguição. O regime não tinha medo da “discussão”, tinha medo da “contaminação” por uma estética que considerava impura e subversiva.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.


5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Confirmamos que a alternativa A é a correta. O confisco de “Eternos caminhantes” é um exemplo trágico de como regimes totalitários temem a liberdade da arte, perseguindo qualquer estética que seja inconveniente para seu ideário político de controle total.

  • Resumo-flash (A Imagem Mental): O nazismo queria que a arte fosse um espelho que refletisse apenas a imagem idealizada do regime; a arte moderna era um martelo que quebrava esse espelho.
  • 🧠 Para ir Além (Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de que um “ideário político vigente” tenta suprimir uma “estética inconveniente” é visível hoje no mundo da Arquitetura e do Urbanismo em regimes autoritários. Governos totalitários frequentemente promovem um estilo arquitetônico monumental, simétrico e grandiloquente para expressar poder e ordem (a “arte heroica” em forma de prédio). Por outro lado, arquiteturas mais “degeneradas” — como habitações sociais autoconstruídas em favelas, com sua estética do improviso, da desordem e da necessidade — são vistas como “inconvenientes” para a imagem da cidade ideal e são frequentemente alvo de políticas de remoção. A luta entre a estética oficial do poder e as estéticas orgânicas da vida real continua a ser travada nas nossas cidades.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.