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Questão 33, caderno azul do ENEM 2021 – DIA 1

Questão 033 - Enem 2021 -

LEMOS, A. Artistas brasileiras. Belo Horizonte, Miguilim, 2018.

O que assegura o reconhecimento desse texto em quadrinhos como prefácio é o (a)

A) função de apresentação do livro.

B) apelo emocional apoiado nas imagens.

C) descrição do processo criativo da autora.

D) referência à mescla dos trabalhos manual e digital.

E) uso de elementos gráficos voltados para o público-alvo.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto Multimodal (História em Quadrinhos)
  • Gêneros Textuais (Características do Prefácio)
  • Funções da Linguagem

Tema/Objetivo Geral: Analisar a função de um texto com base em sua estrutura, conteúdo e propósito comunicativo, identificando-o como pertencente a um gênero específico.

Nível da Questão: Médio.

  • Por quê? A questão exige a compreensão da função de um texto, e não apenas de seu conteúdo. A isca da alternativa (C) (“descrição do processo criativo”) é extremamente forte, pois descreve o que o texto faz, mas não o porquê ele faz. Diferenciar o meio do fim é o desafio central aqui.

Gabarito: A) função de apresentação do livro.

  • Resumo da Justificativa: O gabarito está correto porque, apesar de descrever o processo criativo, o objetivo final da HQ é introduzir a obra principal ao leitor, contextualizá-la e convidá-lo à leitura, que é a função essencial de um prefácio.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: Em bom português, a questão nos pergunta: “Qual é a característica que faz a gente olhar para essa HQ e dizer, sem dúvida, ‘Isso é um prefácio!’?”.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense neste prefácio em quadrinhos como o trailer de um filme. Um bom trailer muitas vezes mostra cenas de bastidores, o “making of”, a dedicação dos atores e diretores. Mas o objetivo final de mostrar tudo isso não é apenas documentar o processo; é criar antecipação, gerar uma conexão com a obra e, no final, fazer um convite claro: “Assista ao filme!”. O verdadeiro desafio aqui é entender que a HQ não é um documentário sobre si mesma; é um trailer que aponta para o “filme” principal: o livro.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:
    1. Analisar a Narrativa: Vamos seguir a história contada pela HQ, o “making of” do livro.
    2. Identificar o Clímax: Qual é a mensagem final, o “call to action” da história em quadrinhos?
    3. Conectar a Estrutura à Função: Vamos entender como a narrativa e o clímax juntos cumprem o papel de um prefácio.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a ferramenta ideal é um Fluxograma do Prefácio em Ação, que nos mostrará como o conteúdo da HQ serve a um propósito maior.

O Fluxograma do Prefácio em Ação:

[ETAPA 1: O “COMO FOI FEITO” (Contextualização)]

  • Ações: “A pesquisa foi o primeiro passo…”, “seleção das informações e elaboração de um roteiro”, “desenho feito a tinta”, “editado e colorizado digitalmente”.
  • Efeito no Leitor: Cria uma valorização do trabalho e um entendimento da origem da obra.

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[ETAPA 2: A TRANSIÇÃO (O Fim do Trabalho)]

  • Ação: A autora, exausta, termina o livro: “Depois de todo trabalho…”
  • Efeito no Leitor: Gera empatia e a sensação de que um ciclo se completou.

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[ETAPA 3: A RAZÃO DE SER (O Convite)]

  • Ação: A autora entrega o livro ao leitor. O texto diz que o livro “só precisa de mais uma coisa: SER LIDO.
  • Efeito no Leitor: É um chamado direto à ação. A obra só se completa com a participação do leitor.

CONCLUSÃO DO FLUXOGRAMA: A estrutura inteira não é sobre o passado (a criação), mas sobre o futuro (a leitura). Ela serve para apresentar o livro e convidar o leitor a cumprir seu papel.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

A HQ narra, de forma metalinguística, a própria gênese. Ela diz “na produção deste livro“, apontando para a obra que temos em mãos. Ela mostra o suor, a dedicação, a mistura de técnicas. Isso é o conteúdo.

Mas qual é a função? O último quadro é a chave de tudo. Depois de mostrar todo o esforço, a conclusão não é “e assim o livro ficou pronto”. A conclusão é uma quebra da quarta parede, um diálogo direto com quem está lendo: o livro precisa “SER LIDO”.

Essa frase final transforma tudo o que veio antes. A história do processo criativo não era o fim, era o meio. O meio para nos dizer: “Veja quanto trabalho e carinho foram colocados nesta obra. Agora, ela é sua. A jornada dela só se completa com você”. Essa é a definição perfeita da função de apresentação de um prefácio.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais sedutora aqui é a alternativa (C): “descrição do processo criativo da autora”. O leitor olha para a HQ e vê, corretamente, uma descrição do processo criativo. A armadilha é parar aí e confundir o conteúdo com a função. A descrição do processo criativo é a ferramenta, o meio pelo qual o prefácio cumpre sua função de apresentar a obra. Não é a função em si. É como dizer que a função de um martelo é “ser feito de metal e madeira”. Não, essa é sua composição. Sua função é “bater pregos”. A função da HQ é “apresentar o livro”.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A investigação revela que a narrativa sobre o processo de criação é apenas um preâmbulo para a conclusão principal: o convite à leitura. A estrutura da HQ serve a um propósito maior que transcende a mera descrição de suas etapas.
    • Expectativa: A alternativa correta deve, portanto, focar no propósito final, na função comunicativa de introduzir e apresentar a obra, e não apenas no conteúdo descritivo da HQ.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos confrontar nossa Expectativa com os suspeitos.

A) função de apresentação do livro.

  • Análise de Correspondência: Encaixe perfeito. Esta alternativa captura o propósito, a razão de ser de um prefácio. A HQ existe para apresentar o livro que se segue.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

B) apelo emocional apoiado nas imagens.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor foca na expressividade das personagens.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Descrever o Meio, não o Fim. O apelo emocional é um dos recursos usados para cumprir a função de apresentação, mas não é a função em si.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) descrição do processo criativo da autora.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor cai na “Armadilha Clássica”.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Descrever o Meio, não o Fim. Este é o conteúdo da HQ, a estratégia usada para cumprir sua função principal, que é a de apresentar o livro.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) referência à mescla dos trabalhos manual e digital.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor foca em um detalhe específico do processo criativo.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo (Descrever a parte, não o todo). Este é apenas um dos muitos detalhes do processo criativo descrito, e certamente não é a função geral da HQ como prefácio.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) uso de elementos gráficos voltados para o público-alvo.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor faz uma suposição sobre a adequação ao público.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Descrever uma Característica, não a Função Principal. Todo texto bem-sucedido usa elementos voltados para seu público. Isso não define o texto como um prefácio.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa (A) é a correta, pois o quadrinho usa a jornada dos bastidores não como um fim em si mesma, mas como um tapete vermelho estendido para o verdadeiro evento principal: a leitura do livro.

Resumo-flash (A Imagem Mental): Este prefácio não é uma porta fechada para o ateliê do artista; é a porta de entrada para o mundo que ele criou.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): A função desta HQ como prefácio se conecta diretamente ao conceito de “Pacto de Leitura” da teoria literária. Um prefácio é o primeiro lugar onde o autor e o leitor negociam as “regras do jogo”. Ao mostrar o processo (pesquisa, roteiro, arte manual e digital), a autora está, implicitamente, estabelecendo um pacto: “Leitor, esta é uma obra feita com cuidado, que mistura tradições e tecnologias. Eu fiz a minha parte; agora, peço que você faça a sua, que é ler com a mente aberta”. A HQ não é apenas uma apresentação; é o aperto de mão inicial, o contrato simbólico que dá início à relação entre o livro e quem o lê.

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