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Questão 32, caderno azul do ENEM 2014

Em 1879, cerca de cinco mil pessoas reuniram-se para solicitar a D. Pedro II a revogação de uma taxa de 20 réis, um vintém, sobre o transporte urbano. O vintém era a moeda de menor valor da época. A polícia não permitiu que a multidão se aproximasse do palácio. Ao grito de “Fora o vintém!”, os manifestantes espancaram condutores, esfaquearam mulas, viraram bondes e arrancaram trilhos. Um oficial ordenou fogo contra a multidão. As estatísticas de mortos e feridos são imprecisas. Muitos interesses se fundiram nessa revolta, de grandes e de políticos, de gente miúda e de simples cidadãos. Desmoralizado, o ministério caiu. Uma grande explosão social, detonada por um pobre vintém.

Disponível em: www.revistadehistoria.com.br. Acesso em: 4 abr. 2014 (adaptado).

A leitura do trecho indica que a coibição violenta das manifestações representou uma tentativa de

A) capturar os ativistas radicais.

B) proteger o patrimônio privado.

C) salvaguardar o espaço público.

D) conservar o exercício do poder.

E) sustentar o regime democrático.

Resolução em texto

Matérias Necessárias:

  • História do Brasil (Período Regencial e Segundo Reinado)
  • Movimentos Sociais e Rebeliões Urbanas
  • Ciência Política (Poder e Repressão)

Nível da Questão: Médio

Gabarito: D

Objetivo Geral: Demonstrar que a repressão violenta visava manter o governo no controle, conservando o exercício do poder.


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

1.1 📌 Transcrição Essencial

“Um oficial ordenou fogo contra a multidão. … Desmoralizado, o ministério caiu.”

1.2 📌 O que está sendo pedido?
Identificar qual era a intenção política por trás da repressão violenta das manifestações.

1.3 📌 Objetivo Cristalino
Mostrar que a coibição violenta foi uma manobra para conservar o exercício do poder pelos governantes, contê-los para evitar derrubada imediata.

1.4 ✔ Pergunta de Atenção
Você lembra que, quando um governo usa força letal contra manifestantes, costuma ser para garantir sua própria estabilidade, e não para proteger bondes ou capturar líderes específicos?


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

2.1 📌 Definições e Fórmulas

  • Repressão Violenta: Uso de força militar ou policial para dispersar protestos, muitas vezes com armas de fogo.
  • Exercício do Poder: Capacidade de um governo manter-se no comando e impor suas decisões.
  • Queda de Ministérios: Em regimes monárquicos ou parlamentares, ministérios “caem” quando perdem apoio político ou são desmoralizados por crises.

2.2 ❓✔ Armadilha Clássica

  • Possível Confusão: Pensar que o disparo visava proteger bondes ou ferir “ativistas radicais” especificamente.
  • Esclarecimento: O objetivo, segundo o texto, era conter o levante social e conservar o ministério no poder, já que a repressão visa manter a ordem política.

Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

3.1 📌 Contextualização Simplificada
Em 1879, o aumento da tarifa do bonde (o “vintém”) gerou protestos violentos em todo o Rio. A polícia abriu fogo para dispersar a multidão, demonstrando que o governo preferia usar força letal a ceder à pressão.

3.2 📌 Estratégia Geral

  1. Relacionar a ordem de “fogo contra a multidão” ao uso de violência estatal para manter a autoridade.
  2. Identificar que essa violência se destina a impedir a derrubada do governo e a queda de ministros.

Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

4.1 📌 Passo a Passo Detalhado

  1. Contexto do protesto:
    • Manifestantes exigiam revogação do vintém. A polícia bloqueou acesso ao palácio.
  2. Repressão armada:
    • Oficial ordenou atirar contra o povo — medida extrema de Estado.
  3. Efeito político:
    • A violência visava deter o levante para preservar o ministério e a autoridade real.
  4. Queda do ministério:
    • Apesar da repressão, o ministério foi desmoralizado e caiu — mas a intenção original era justamente evitar tal desfecho.

4.2 📌 Verificação Intermediária

  • Confirme que nenhuma alternativa aponta “manter bondes” ou “capturar líderes”, mas sim a manutenção do governo em si.

Passo 5: Análise das Alternativas

5.1 Listagem das Alternativas
A) capturar os ativistas radicais.
B) proteger o patrimônio privado.
C) salvaguardar o espaço público.
D) conservar o exercício do poder.
E) sustentar o regime democrático.

5.2 Justificativa Individual

  • A) ❌
    – Não há menção a buscas por “radicais” específicos; visava dispersar todos.
  • B) ❌
    – Embora bondes tenham sido atacados, o foco foi controlar o povo, não resguardar carros ou trilhos.
  • C) ❌
    – “Espaço público” não é alvo: a praça foi ocupada pelos manifestantes; a repressão mirou manter governo, não espaço urbano.
  • D) ✅
    – O uso de força extrema busca garantir que o ministério e a coroa mantenham seu poder.
  • E) ❌
    – Disparar contra o povo não é sustentar a democracia, mas sim silenciar oposição fora dos canais institucionais.

Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

6.1 📌 Resumo do Raciocínio
A ordem de atirar nos manifestantes foi um recurso de Estado para conter a insurgência popular e tentar manter o ministério no cargo — isto é, para conservar o exercício do poder.

6.2 📌 Gabarito Reafirmado
Alternativa correta: D) conservar o exercício do poder.

6.3 🔍 Resumo Final para Revisão
Sempre que um governo reage com violência extrema a protestos populares, saiba: é uma tentativa de manter sua própria autoridade, não de defender patrimônio ou promover a democracia.

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