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Questão 32, caderno azul do ENEM 2013

Ninguém desconhece a necessidade que todos os fazendeiros têm de aumentar o número de seus trabalhadores. E como até há pouco supriam-se os fazendeiros dos braços necessários? As fazendas eram alimentadas pela aquisição de escravos, sem o menor auxílio pecuniário do governo. Ora, se os fazendeiros se supriam de braços à sua custa, e se é possível obtê-los ainda, posto que de outra qualidade, por que motivo não hão de procurar alcançá-los pela mesma maneira, isto é, à sua custa?

Resposta de Manuel Felizardo de Sousa e Mello, diretor geral das Terras Públicas, ao Senador Vergueiro. In: ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1998 (adaptado).

O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do Império refere-se às mudanças então em curso no campo brasileiro, que confrontaram o Estado e a elite agrária em torno do objetivo de:

A) fomentar ações públicas para ocupação das terras do interior.

B) adotar o regime assalariado para proteção da mão de obra estrangeira.

C) definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração.

D) regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para sobrevivência das fazendas.

E) financiar a fixação de famílias camponesas para estímulo da agricultura de subsistência.

Resolução em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão: História do Brasil (Império), Abolição do Trabalho Escravo, Imigração Europeia

📝 Tema/Objetivo Geral: Analisar a transição do trabalho escravo para o trabalho livre e as disputas entre Estado e elite agrária

📊 Nível da Questão: Médio — exige interpretação histórica e leitura crítica do texto político

🎯 Gabarito: C


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📌 No trecho apresentado, Manuel Felizardo argumenta que, como os fazendeiros sempre arcaram sozinhos com os custos para obter escravizados, também deveriam pagar pela nova mão de obra disponível — os imigrantes. A crítica é feita a uma proposta do senador Vergueiro, que buscava auxílio estatal para viabilizar essa substituição da força de trabalho.

🧠 O que está sendo pedido? Identificar o debate central entre fazendeiros e governo quanto à responsabilidade de financiar a nova mão de obra no campo após o declínio da escravidão.

🎯 Objetivo cristalino: Compreender que o texto trata da discussão sobre subsídios governamentais para a imigração como solução para a escassez de mão de obra pós-escravidão.

🤔 Quem deveria pagar pelos novos trabalhadores: o governo ou os próprios fazendeiros?


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

🏛 Durante o Segundo Reinado, o Brasil começou a enfrentar uma crise no sistema escravocrata, especialmente após a proibição do tráfico internacional (Lei Eusébio de Queirós, 1850). Com isso, surgiram debates sobre como suprir a mão de obra nas lavouras, especialmente nas fazendas de café em expansão.

👨‍🌾 O senador Nicolau Vergueiro foi um dos defensores da imigração europeia subvencionada, ou seja, com ajuda do Estado. Isso gerou controvérsias, pois parte da elite agrária queria que o governo arcasse com os custos, enquanto outros, como o diretor das Terras Públicas no texto, defendiam que os fazendeiros continuassem pagando por essa mão de obra.

🚢 A vinda de imigrantes europeus (italianos, principalmente) passou a ser vista como uma alternativa viável ao trabalho escravo, mas a forma de viabilizar isso — pública ou privada — era o cerne da disputa.

💡 Muitos pensam que a transição foi imediata e organizada, mas o que vemos aqui é justamente a negociação tensa sobre quem financiaria essa transformação.


Passo 3: Interpretação do Texto e Desenvolvimento do Raciocínio

📜 O discurso de Manuel Felizardo reflete a tensão entre governo e proprietários rurais sobre quem deveria arcar com os custos do novo modelo de trabalho. Ele argumenta que os fazendeiros sempre assumiram os custos de aquisição de escravos, e que agora, mesmo com a mudança da natureza da mão de obra (de escrava para livre), deveriam continuar assumindo esses custos — ou seja, pagar pela contratação de imigrantes.

💬 O trecho critica a tentativa de fazer o Estado bancar esse processo, dizendo: “Ora, se os fazendeiros se supriam de braços à sua custa […] por que motivo não hão de procurá-los pela mesma maneira?”

🔄 Isso mostra que está em jogo a definição de uma política pública de incentivo à imigração, com o embate entre o interesse dos fazendeiros (subvenção) e a posição de setores do governo (não-intervenção financeira).

🔎 O centro do debate, portanto, não é apenas a substituição do escravo por trabalhador livre, mas como e com que recursos isso seria feito — foco exato da alternativa C.


Passo 4: Análise das Alternativas e Resolução

A) Fomentar ações públicas para ocupação das terras do interior.
❌ Incorreta. O texto trata da contratação de mão de obra, não da ocupação de novas áreas geográficas.

B) Adotar o regime assalariado para proteção da mão de obra estrangeira.
❌ Errada. A discussão é sobre o financiamento da imigração, não sobre proteção ao trabalhador.

C) Definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração.
✅ Correta. O texto critica justamente a proposta de que o governo subvencionasse a imigração — ou seja, que o Estado pagasse para trazer imigrantes para as lavouras, algo que o autor diz que deve continuar sendo feito pelos próprios fazendeiros.

D) Regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para sobrevivência das fazendas.
❌ Errada. Esse não é o foco do texto, que já discute outra forma de trabalho após o fim do tráfico internacional.

E) Financiar a fixação de famílias camponesas para estímulo da agricultura de subsistência.
❌ Incorreta. O trecho fala sobre mão de obra para fazendas comerciais, como as de café — e não sobre agricultura de subsistência.


Passo 5: Conclusão e Justificativa Final

📌 O trecho apresenta um momento-chave na história do Brasil: a transição do trabalho escravo para o trabalho livre, e o debate político sobre como financiar essa transformação. O diretor das Terras Públicas contesta a ideia de o Estado custear a vinda de imigrantes, defendendo que os fazendeiros devem continuar arcando com os custos da mão de obra — como já faziam com os escravizados.

🧾 Assim, a única alternativa que expressa corretamente esse conflito entre governo e elite agrária é a letra C: “Definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração.”

🔍 Resumo Final:
O texto mostra a discussão sobre o financiamento da substituição do trabalho escravo por trabalhadores livres, especialmente imigrantes europeus. Ao defender que os fazendeiros arquem com os custos, o autor critica uma política de subsídios públicos. Por isso, a alternativa correta é C.

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