Questão 28, caderno azul do ENEM 2021 PPL

Bola na rede

Futebol de várzea, pelada, baba, racha, rachão. Os nomes podem ser diferentes em cada pedaço do Brasil, mas bater uma bolinha é mesmo uma paixão nacional. Os dados do suplemento de esporte da PNAD 2015 mostraram que o futebol foi a principal modalidade esportiva praticada no Brasil, com 15,3 milhões de adeptos.

É claro que o fato de o nosso país ter um futebol profissional consagrado, com times que arrebatam torcidas e revelam jogadores, é uma influência positiva, mas a maioria dessa galera que gosta de correr atrás da bola não tem nenhuma pretensão profissional com o esporte. Para eles, tão bom quanto marcar um gol é juntar velhos amigos, fazer novos amizades e se divertir muito.

BENEDITO, M.; MARLI, M. Retratos: a revista do IBGE, n. 2, ago. 2017 (adaptado).

Ao abordar a temática do futebol no Brasil, o texto apresenta diferentes nomes para uma partida do esporte. Ao fazer isso, fica evidente que

A) os torcedores enaltecem seus times favoritos.
B) o futebol é um esporte presente em todo o Brasil.
C) a linguagem do futebol reaproxima pessoas distantes.
D) os campeonatos da modalidade propiciam a integração do Brasil.
E) as regiões do país imprimem um estilo próprio para o jogo de futebol.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Língua Portuguesa (Variação Linguística Diatópica/Regional).
  • Interpretação de Texto.
  • Sociologia (Identidade Cultural e Esporte).

Tema/Objetivo Geral:
Identificar como a variação do vocabulário (diferentes nomes para a mesma coisa) comprova a disseminação territorial de uma prática cultural (o futebol).

Nível da Questão
Fácil.
Por que? O texto estabelece uma relação direta de causa e consequência: se existem nomes para o futebol em “cada pedaço do Brasil”, logo, o futebol existe em todo o Brasil. Não há metáforas complexas ou teorias profundas para desvendar.

Gabarito
Alternativa B.
A lista de nomes regionais (“baba”, “pelada”, “racha”) serve como prova documental de que o futebol penetrou em todas as regiões do território nacional, adaptando-se ao falar local de cada comunidade.


📖 Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
O comando pergunta: “O texto listou vários nomes diferentes para o futebol (baba, racha, pelada). O que essa lista prova sobre a presença desse esporte no país?”

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Pense na Mandioca.
No Brasil, ela chama Mandioca, Aipim ou Macaxeira.
Por que temos três nomes? Porque ela é comida no Sul, no Sudeste e no Nordeste. Se ela só existisse em uma cidade, teria apenas um nome.
A variedade de nomes é a “impressão digital” de que a coisa está espalhada por todo o mapa. A questão quer que você aplique essa mesma lógica ao futebol.

Plano de Ataque:

  1. Analisar a lista: Observar os termos regionais citados.
  2. Ligar ao mapa: Perceber que “cada pedaço do Brasil” tem seu jeito de falar.
  3. Concluir a abrangência: Se tem nome em todo lugar, tem jogo em todo lugar.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Vamos usar o conceito de Variação Linguística Regional para entender o fenômeno:

📁 DOSSIÊ: O FUTEBOL E A LÍNGUA

Região (Exemplo) Nome da “Pelada” O que isso significa?
Bahia/Nordeste “Baba” O futebol está lá.
Rio de Janeiro “Pelada” O futebol está lá.
São Paulo “Racha/Rachão” O futebol está lá.
Interior/Várzea “Futebol de Várzea” O futebol está lá.

Conceito Chave:
A língua é viva. Quando um povo adota uma prática (como o futebol) com muita intensidade, ele “batiza” essa prática com um nome próprio da sua região. A multiplicidade de batismos prova a popularidade nacional.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Investigação Textual:
O texto diz: “Os nomes podem ser diferentes em cada pedaço do Brasil”.
Logo em seguida, diz: “mas bater uma bolinha é mesmo uma paixão nacional”.

Síntese do Detetive:
O autor usa a lista de nomes como um argumento para sustentar a tese de que o esporte é onipresente. Ele não está discutindo como se joga (se é agressivo ou técnico), nem para quem se torce (Flamengo ou Corinthians). Ele está discutindo a geografia da prática: ela está em todo lugar.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! (Focar na Torcida ou na Amizade) 🚨
O texto menciona “times que arrebatam torcidas” e “fazer novos amigos”.
Cuidado! Isso são detalhes secundários. O comando da questão foca especificamente no ato de “apresentar diferentes nomes”.
Pergunte-se: “Chamar o jogo de ‘baba’ serve para fazer amigos?”. Não, serve para nomear o jogo. O que faz amigos é jogar. O que a mudança de nome prova é a regionalização.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese: Muitos nomes = Muitos lugares.
  • Expectativa: Uma alternativa que fale sobre a presença do esporte no território nacional ou sua abrangência.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) os torcedores enaltecem seus times favoritos.
    • Diagnóstico do Erro: Desvio de Foco. O texto fala sobre a prática amadora (“não tem nenhuma pretensão profissional”), não sobre o fanatismo por clubes profissionais. Além disso, a mudança de nome (racha/pelada) não tem relação com torcer para times.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

  • B) o futebol é um esporte presente em todo o Brasil.
    • Análise: Perfeita. Se “em cada pedaço do Brasil” existe um nome específico para o jogo, isso evidencia que o jogo faz parte do cotidiano de todas essas regiões. A variação linguística ratifica a abrangência territorial.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

  • C) a linguagem do futebol reaproxima pessoas distantes.
    • Diagnóstico do Erro: Extrapolação Poética. O texto diz que o futebol junta amigos e faz novas amizades (pessoas próximas fisicamente, no campo). Não diz que a linguagem (as palavras “baba” ou “racha”) serve para conectar pessoas distantes geograficamente.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

  • D) os campeonatos da modalidade propiciam a integração do Brasil.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição com o Texto. O texto foca no futebol informal (“futebol de várzea”, “pelada”), explicitando que a maioria “não tem nenhuma pretensão profissional”. Não está falando de campeonatos nacionais integradores (como o Brasileirão).
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

  • E) as regiões do país imprimem um estilo próprio para o jogo de futebol.
    • Diagnóstico do Erro: Confusão entre Nome e Forma. O texto diz que os nomes são diferentes, não que o jeito de jogar (o estilo, a tática) é diferente. Uma “pelada” no Rio e um “baba” na Bahia são jogados basicamente do mesmo jeito (amador, divertido).
    • Conclusão: 🟡 PARCIALMENTE CORRETA (Distrator Perigoso). É verdade na realidade (o futebol gaúcho é diferente do carioca), mas o texto não aborda estilo técnico, apenas a nomenclatura.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
O futebol no Brasil é poliglota: ele fala a língua do pampa, do sertão e da favela, provando que a bola rola onde quer que haja um brasileiro.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
🗺️ O Mapa da Bola: Imagine o mapa do Brasil. Em cada estado, uma etiqueta diferente (“Baba”, “Racha”, “Pelada”), mas debaixo de todas as etiquetas, o mesmo desenho: uma bola de futebol.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Isso se conecta com a Sociolinguística. O mesmo fenômeno acontece com a “Pipa” (Papagaio, Arraia, Pandorga) ou com o “Pão Francês” (Cacetinho, Pão de Sal). Estudar essas variações (dialetos) é estudar a história da ocupação do território brasileiro.

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