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Questão 27 caderno azul do ENEM 2022 PPL – Dia 1

Preconceito: do latim prae, antes, e conceptus, conceito, esse termo pode ser definido como o conjunto de crenças e valores aprendidos, que levam um indivíduo ou um grupo a nutrir opiniões a favor ou contra os membros de determinados grupos, antes de uma efetiva experiência com eles. Tecnicamente, portanto, existe um preconceito positivo e um negativo, embora, nas relações raciais e étnicas, o termo costume se referir ao aspecto negativo de um grupo herdar ou gerar visões hostis a respeito de um outro, distinguível com base em generalizações. Essas generalizações derivam invariavelmente da informação incorreta ou incompleta a respeito do outro grupo.

CASHMORE, E. Dicionário de relações étnicas e raciais. São Paulo: Selo Negro, 2000 (adaptado).

Nesse verbete de dicionário, a apropriação adequada do uso padrão da língua auxilia no estabelecimento

A) da precisão das informações veiculadas.
B) da linguagem conotativa característica desse gênero.
C) das marcas do interlocutor como uma exigência para a validade das ideias.
D) das sequências narrativas como recurso de progressão textual.
E) do processo de contraposição argumentativa para conseguir a adesão do leitor.

✍ Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Língua Portuguesa (Gêneros Textuais e Variação Linguística)
    • Semântica (Denotação vs. Conotação)
  • Tema/Objetivo Geral: Compreender a função social do gênero “verbete de dicionário” e por que ele exige o uso da norma padrão da língua.
  • Nível da Questão: Médio.
    • É acessível para quem conhece as características básicas dos gêneros textuais, mas exige atenção para não confundir “definição técnica” com “argumentação”.
  • Gabarito: A
    • A alternativa está correta. A norma padrão, por ser regulamentada e estável, garante que a definição do termo seja compreendida com exatidão, sem as ambiguidades da gíria ou da linguagem coloquial.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A questão pergunta: “Por que um dicionário precisa ser escrito em português formal e corretinho, em vez de usar gírias ou linguagem de internet?”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que você comprou um manual para montar um motor de avião.

  • Se o manual disser: “Mano, pega aquele troço ali e encaixa na parada tal”, o avião cai.
  • Se o manual disser: “Insira o parafuso de 5mm na válvula de admissão”, o avião voa.
    O dicionário é como esse manual: ele precisa descrever o conceito com exatidão cirúrgica.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Identificar o Gênero: Reconhecer que estamos lidando com um verbete (texto expositivo/descritivo).
  • Analisar a Linguagem: Perceber que o texto é sério, técnico e impessoal.
  • Relacionar Forma e Função: Entender que essa seriedade serve para garantir que a informação chegue limpa e precisa ao leitor.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender a escolha da linguagem, vamos usar uma Tabela Comparativa de Funções.

TABELA: O PORQUÊ DA NORMA PADRÃO NO DICIONÁRIO

Tipo de Linguagem Características Onde é usada? Serve para um Dicionário?
Linguagem Informal/Coloquial Cheia de gírias, emotiva, varia de região para região, pode ter duplo sentido. WhatsApp, conversas de bar, letras de música. Não. Causaria confusão e falta de clareza na definição.
Linguagem Literária/Conotativa Subjetiva, poética, aberta a interpretações pessoais. Poemas, romances, crônicas. Não. O dicionário não quer “emoção”, quer “fato”.
Norma Padrão/Culta Segue a gramática rigorosa, vocabulário preciso, universal (todos os falantes escolarizados entendem), objetiva. Documentos oficiais, manuais técnicos, Verbetes. Sim. Garante a precisão da informação.

Conclusão da Ferramenta: O dicionário é uma ferramenta de consulta. Ferramentas precisam ser precisas. Logo, a linguagem usada deve ser a mais estável possível (a norma padrão).


PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos olhar para o texto com olhos de detetive:

  • Abertura: “Preconceito: do latim prae, antes, e conceptus, conceito…” -> Note a precisão etimológica. Não há “eu acho”. É fato.
  • O Corpo: “Tecnicamente, portanto, existe um preconceito positivo e um negativo…” -> O uso de conectivos lógicos (“portanto”) e advérbios (“tecnicamente”) estrutura o pensamento de forma racional.
  • O Objetivo: O autor quer explicar o que é “preconceito” tanto do ponto de vista da palavra quanto da sociologia. Ele não está tentando te emocionar ou contar uma história; ele está te dando dados.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨

A armadilha aqui é a alternativa E. O aluno lê sobre “preconceito” (um tema polêmico) e pensa: “Ah, o autor está argumentando contra o preconceito”. Cuidado! Embora o preconceito seja algo ruim, o texto é um verbete. Ele está definindo o que é, e não debatendo ou tentando te convencer (embora a definição mostre que o preconceito é baseado em erro). O foco é a informação, não a persuasão.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O texto usa a norma culta para ser um espelho limpo, refletindo o significado da palavra sem distorções.
  • Expectativa: Buscamos uma palavra que seja sinônimo de “clareza”, “exatidão” ou “fidelidade aos fatos”.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) da precisão das informações veiculadas.

  • Análise de Correspondência: Perfeita. A “precisão” é a alma do dicionário. A norma padrão elimina ambiguidades e garante que “preconceito” seja entendido exatamente como descrito, sem margem para dúvidas.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

B) da linguagem conotativa característica desse gênero.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição de Definição. Dicionários usam linguagem Denotativa (sentido real/literal). Linguagem Conotativa (figurada) é coisa de poesia. Se o dicionário fosse conotativo, a definição de “Coração” seria “o templo do amor” e não “órgão muscular oco”.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

C) das marcas do interlocutor como uma exigência para a validade das ideias.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Gênero Textual. Verbetes são impessoais. Não há “marcas do interlocutor” (conversar com o leitor, usar “você” ou “eu”). A validade vem da pesquisa, não da conversa.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

D) das sequências narrativas como recurso de progressão textual.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Confusão de Tipologia. O texto é Expositivo/Descritivo (explica o que é). Não é Narrativo (não conta a história de um personagem chamado Preconceito que saiu para passear).
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

E) do processo de contraposição argumentativa para conseguir a adesão do leitor.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Confusão de Intencionalidade. O objetivo não é “conseguir adesão” (convencer você a votar em alguém ou comprar algo), mas sim “informar o significado”. Não é um artigo de opinião, é uma definição técnica.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos a alternativa A. Em textos de referência, a norma padrão funciona como um bisturi: uma ferramenta afiada para dissecarmos a realidade com precisão máxima.

Resumo-flash (A Imagem Mental): O dicionário é o GPS da língua: precisa dar a rota exata (norma culta), e não dizer “vira lá onde o vento faz a curva” (linguagem informal).

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Essa mesma lógica se aplica ao Direito e à Ciência. Um contrato jurídico ou um relatório de laboratório usam a norma culta não por “snobismo”, mas por segurança jurídica e científica. Uma vírgula mal colocada ou uma gíria num contrato pode custar milhões ou mudar o resultado de uma pesquisa. A precisão da linguagem é a precisão do pensamento.

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