Questão 17 do Enem 2021 PPL: arte japonesa – resolução comentada (caderno azul)

A questão 17 do Enem 2021 PPL (caderno azul, Dia 1) é de Linguagens e cobra a relação entre zen-budismo e pintura japonesa. O gabarito é a alternativa B. Abaixo você confere o enunciado, a resolução passo a passo e por que cada alternativa errada engana tantos candidatos.

Enunciado da questão 17 do Enem 2021 PPL

Figura do enunciado da questão 17 do Enem 2021 PPL

TEXTO II

Arte japonesa

O zen (chán, em chinês) enfatiza a autoconfiança e a meditação, rejeitando os estudos tradicionais das escrituras budistas e a realização de complicados rituais. O zen foi introduzido no Japão no século XIII por monges japoneses que viajaram à China a fim de estudar as mais recentes doutrinas. A simplicidade e a autodisciplina rígida ensinadas pelos mestres zen atraíram a classe dos samurais (guerreiros), e muitos templos zen foram construídos no Japão entre os séculos XIII e XV.

ARICHI, M. In: FARTHING, S. (Ed.). Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011 (adaptado).

A obra Floresta de pinheiros, do artista Hasegawa Tohaku, expressa influências do zen-budismo ao

A) apresentar uma cena completa ao espectador.

B) criar uma atmosfera propícia à contemplação.

C) transmitir os valores de um ideal guerreiro.

D) desafiar os paradigmas estéticos vigentes.

E) mimetizar espaços de culto religioso.

Resolução da questão 17 do Enem 2021 PPL

Resolução comentada da questão 17

Matérias necessárias para resolver a questão

  • História da Arte (Arte Oriental/Japonesa).
  • Interpretação de Texto e Imagem.
  • Filosofia e Cultura (Conceitos de Zen-Budismo).

Tema e objetivo geral

Identificar a relação intrínseca entre uma filosofia religiosa (Zen-Budismo) e sua manifestação estética visual (Pintura Sumi-e), focando na simplicidade e no vazio como ferramentas de expressão.

Nível da questão

Médio.
Por que? Exige que o aluno faça uma “transcodificação”: ler um texto sobre filosofia (abstrato) e identificar esses princípios em uma imagem (concreto). Além disso, o distractor que menciona “guerreiros” (Alternativa C) é forte, pois a palavra “samurais” aparece explicitamente no texto, exigindo atenção para não confundir o público-alvo da arte com o conteúdo da arte.

Gabarito da questão 17: alternativa B

Alternativa B.
A obra reflete visualmente a prática da meditação citada no texto. O uso de espaços vazios e a natureza difusa criam o silêncio visual necessário para a prática introspectiva do Zen.


Resolução Passo a Passo

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Passo 1: o que a questão pede (o mapa da mina)

Decodificação do Objetivo:
A questão quer que você olhe para a pintura de pinheiros (Texto I) e diga: “Como esta imagem traduz visualmente os valores do Zen-Budismo descritos no Texto II?”.

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine a diferença entre uma Feira Livre lotada e uma Sala Branca vazia.

  • A arte barroca ou ocidental clássica muitas vezes é a “Feira”: cheia de detalhes, cores, histórias e movimento.
  • A arte Zen é a “Sala Branca”: poucos móveis, silêncio, espaço para respirar.
    O desafio é identificar que a pintura de Tohaku é essa “Sala Branca” visual projetada para acalmar a mente.

Plano de Ataque:

  1. Extrair os valores do Texto II: Quais são as palavras-chave do Zen?
  2. Analisar a Estética do Texto I: O que a pintura não mostra é tão importante quanto o que ela mostra.
  3. Cruzar os Dados: Qual alternativa conecta a filosofia (meditação) com a técnica (névoa/vazio)?

Passo 2: arte japonesa

Vamos montar o Dossiê Zen para não sermos enganados pelos distratores.

📁 DOSSIÊ TÉCNICO: ESTÉTICA ZEN

Conceito no TextoTradução Visual na ObraSignificado
“Meditação”Espaços vazios (O Vazio fértil)O espaço em branco permite que a mente “respire”.
“Simplicidade”Poucas árvores, sem cores vibrantesMenos informação visual = Menos distração mental.
“Rejeitando estudos tradicionais”Pinceladas rápidas e espontâneasFoco na intuição do momento, não na cópia rígida.
“Samurais”(Não aparece na imagem)Cuidado! Samurais gostavam dessa arte, mas a arte não é sobre luta.

Ilustração Mental:
Pense no conceito japonês de “Ma” (間). É o espaço entre as coisas. Na música, é o silêncio entre as notas. Nesta pintura, é a névoa entre os pinheiros. O Zen valoriza esse intervalo.


Passo 3: resolução passo a passo (mão na massa)

Análise Visual (O Olhar do Detetive):
Olhe para a imagem. Você vê uma floresta densa e detalhada? Não.
Você vê pinheiros que parecem desaparecer na neblina. Há muito espaço “em branco” (o papel).

  • A imagem não te dá tudo pronto.
  • Ela pede que você complete a paisagem com sua imaginação.
  • Ela pede calma.

Conexão com o Texto:
O texto diz que o Zen enfatiza a meditação.
Para meditar, você precisa de calma e foco. Uma imagem cheia de guerreiros, sangue ou ouro (distrações) atrapalharia. Uma imagem de neblina e árvores simples ajuda.

Figura da resolução da questão 17 do Enem 2021 PPL

O SEGREDO DO VAZIO NA ARTE ZEN 🎋

Legenda:
Você olhou para a questão e pensou que a pintura estava “incompleta” ou “mal acabada”? 🛑 Cuidado, essa é a armadilha!

Na arte ocidental, estamos acostumados com o excesso: muitas cores, detalhes e informações (Lado A). Mas o Zen-Budismo busca a paz mental.

Observe o Lado B:

  1. A Neblina: Ela não está lá para esconder a floresta, mas para limpar sua visão.
  2. O Espaço em Branco: Não é falta de tinta. É SILÊNCIO VISUAL.

A obra não quer te contar uma história fechada (Cena Completa ❌), ela quer criar um ambiente calmo para sua mente entrar e descansar (Atmosfera de Contemplação ✅).

Resumo: O vazio na arte é o espaço para você respirar. 🧘‍♂️✨

ARMADILHA CLÁSSICA! (A Isca do Guerreiro)
O texto diz: “atraíram a classe dos samurais”.
O cérebro apressado pensa: “Opa, Samurai! Então a resposta tem que ter a ver com guerra, luta ou ideal guerreiro!”.
ERRADO. O Samurai buscava o Zen para equilibrar a mente, para ter foco e frieza. A arte que ele consumia era calma, justamente para contrapor a violência da sua profissão. Não confunda o consumidor (Samurai) com o produto (Paz/Contemplação).

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese: A obra é uma ferramenta visual para atingir o estado mental descrito no texto (meditação).
  • Expectativa: A alternativa correta deve falar sobre contemplação, silêncio ou atmosfera.

Passo 4: alternativas comentadas (a autópsia)

  • A) apresentar uma cena completa ao espectador.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição Direta. A arte Zen é famosa justamente por ser incompleta, sugerida, cheia de vazios. A “cena completa” é típica do Realismo ocidental.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.


  • B) criar uma atmosfera propícia à contemplação.
    • Análise: Perfeita.
      • O texto fala em “meditação”.
      • A imagem é etérea, vazia, silenciosa.
      • A função da obra não é decorar, é induzir um estado mental contemplativo.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.


  • C) transmitir os valores de um ideal guerreiro.
    • Diagnóstico do Erro: Associação Indevida (Dissonância Cognitiva). O aluno lê “samurai” no texto e marca essa. Mas a imagem é de árvores, não de batalhas. O Zen servia ao guerreiro pela disciplina mental, não pela exaltação da guerra.
    • Conclusão: 🟡 PARCIALMENTE CORRETA (Conceitualmente perigosa). O Zen tem valores (disciplina) que servem ao guerreiro, mas a obra de arte específica (pinheiros na neblina) não transmite “ideais guerreiros” (força, violência, honra), transmite paz.


  • D) desafiar os paradigmas estéticos vigentes.
    • Diagnóstico do Erro: Anacronismo/Generalização. O texto diz que o Zen rejeitava “estudos tradicionais das escrituras”, não necessariamente a estética visual vigente da época. Além disso, essa pintura definiu o paradigma estético japonês por séculos, não foi apenas um desafio rebelde momentâneo.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.


  • E) mimetizar espaços de culto religioso.
    • Diagnóstico do Erro: Literalidade. “Mimetizar” significa copiar/imitar. A pintura não é um retrato de um templo (prédio). Ela é uma paisagem natural que evoca o sentimento religioso/espiritual, mas não imita a arquitetura do culto.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

Passo 5: resumo e aprendizagem expandida

Frase de Fechamento:
A Arte Zen não é sobre o que está pintado, mas sobre o espaço vazio que permite à sua mente entrar na obra; Hasegawa Tohaku pintou o silêncio.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
🌫️ Menos é Mais: Na neblina do Zen, o vazio não é ausência, é convite para a mente descansar.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Você usa produtos da Apple ou gosta de design minimalista? Agradeça ao Zen. Steve Jobs era praticante do Zen Budismo e aplicou exatamente esse conceito (simplicidade, eliminar o inútil, foco na experiência) no design do iPhone. A obra “Floresta de Pinheiros” é o “iPhone” do século XVI: interface limpa para uma experiência profunda.


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