
TEXTO II
O grupo Jovens Artistas Britânicos (YABs), que surgiu no final da década de 1980, possui obras diversificadas
que incluem fotografias, instalações, pinturas e carcaças desmembradas. O trabalho desses artistas chamou
a atenção no final do período da recessão, por utilizar materiais incomuns, como esterco de elefantes, sangue
e legumes, o que expressava os detritos da vida e uma atmosfera de niilismo, temperada por um humor mordaz.
Disponível em: http://damienhirst.com. Acesso em: 15 jul. 2015.
FARTHING, S. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011 (adaptado).
A provocação desse grupo gera um debate em torno da obra de arte pelo(a)
A) recusa a crenças, convicções, valores morais, estéticos e políticos na história moderna.
B) frutífero arsenal de materiais e formas que se relacionam com os objetos construídos.
C) economia e problemas financeiros gerados pela recessão que tiveram grande impacto no mercado.
D) influência desse grupo junto aos estilos pós-modernos que surgiram nos anos 1990.
E) interesse em produtos indesejáveis que revela uma consciência sustentável no mercado.

✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- História da Arte (Arte Contemporânea, YBAs)
- Interpretação de Texto
- Análise de Gênero Textual (Texto Crítico de Arte)
- Tema/Objetivo Geral: Identificar, com base nos textos, o elemento central e mais direto que causa a provocação e o debate em torno das obras do grupo Young British Artists.
- Nível da Questão: Médio.
- A questão exige que o candidato identifique a causa mais explícita da provocação, conforme apontado pelo texto. A dificuldade está em diferenciar a causa direta (o que eles fazem) das consequências ou interpretações (o que isso significa), pois várias alternativas tocam em aspectos verdadeiros, mas secundários, do movimento.
- Gabarito: B
- A alternativa está correta porque o Texto II afirma explicitamente que o trabalho dos YBAs “chamou a atenção […] por utilizar materiais incomuns” e menciona suas “carcaças desmembradas”. É esse “arsenal de materiais e formas” chocantes que, em primeiro lugar, gera o debate sobre o que pode ou não ser considerado arte.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “O texto descreve o grupo de artistas YBAs e mostra um exemplo de obra deles. A pergunta é: qual é a causa principal e mais direta da polêmica e do debate que essas obras geram?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine um programa de culinária onde um chef, em vez de cozinhar, coloca um peixe cru dentro de um liquidificador e o serve para os jurados. O que vai gerar o debate imediato? Não será uma discussão filosófica sobre o “niilismo da gastronomia”. O debate começará com a ação concreta: “Ele pode fazer isso? Usar um liquidificador assim é cozinhar? Um peixe cru e triturado pode ser considerado um prato?”. A polêmica nasce do método e dos materiais usados, que quebram todas as expectativas. A questão nos pede para identificar esse ponto de ruptura.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Isolar a Pista Principal: Vamos encontrar a frase no Texto II que explica por que o trabalho dos artistas “chamou a atenção”.
- Analisar a Pista: Vamos dissecar essa frase para entender a causa direta da provocação.
- Conectar com as Evidências: Vamos ver como a pista textual (Texto II) e a pista visual (Texto I, o bezerro) se complementam.
- Realizar a Autópsia: Vamos analisar cada alternativa para ver qual delas corresponde à causa mais direta e explícita do debate.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para este caso, a melhor ferramenta é uma Tabela de Análise Causa-Efeito, focada estritamente no que o texto aponta como o gatilho da polêmica.
| Elemento da Análise | Pista Extraída do Texto II | Análise do Detetive |
| A Causa Explícita da Atenção | “O trabalho desses artistas chamou a atenção […] por utilizar materiais incomuns…” | O texto é direto. A causa da notoriedade é o uso de materiais não convencionais. |
| Exemplos de “Materiais Incomuns” | “…como esterco de elefantes, sangue e legumes.” | A lista de “ingredientes” é chocante e quebra com a tradição da arte (mármore, tinta a óleo, etc.). |
| Exemplos de “Formas” | “…e carcaças desmembradas.” | A maneira como os materiais são apresentados (a “forma”) também é agressiva e provocadora. |
| Conexão com a Imagem (Texto I) | A obra “Mother and Child” é um “bezerro dividido em duas partes” em uma “solução de formaldeído”. | A imagem é um exemplo perfeito: o material é uma “carcaça” e a forma é “desmembrada” (dividida), confirmando a análise do Texto II. |
Conclusão Forense: A tabela mostra que a causa primária da provocação, apontada explicitamente pelo texto e exemplificada pela imagem, é a escolha radical de materiais e a forma chocante como são apresentados. Juntos, eles formam o “arsenal” do artista para gerar debate.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Nossa tabela já isolou a pista principal. O Texto II funciona como um relatório pericial que nos diz exatamente onde olhar.
A frase-chave é: “O trabalho desses artistas chamou a atenção […] por utilizar materiais incomuns…”
O texto poderia ter dito que eles chamaram a atenção por suas ideias políticas, por sua crítica à recessão, ou por sua genialidade técnica. Mas o autor escolhe destacar, como ponto de partida da polêmica, a materialidade da obra. É o choque do material (sangue, esterco, um bezerro real) que força o público a se perguntar: “Isso é arte?”. E é essa pergunta que inicia o debate. As outras ideias (niilismo, etc.) são a interpretação que se segue a esse choque inicial.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais sedutora é a alternativa (A), “recusa a crenças, convicções, valores…”. O erro é pular direto para a interpretação filosófica (o “porquê”) e ignorar a causa mais imediata e concreta da provocação (o “como”). O texto de fato menciona que as obras expressam “niilismo”, que é uma recusa de valores. No entanto, a pergunta é sobre o que gera o debate em torno da obra. O debate começa com o confronto físico: “Olhe o que ele usou! Um bezerro!”. A discussão sobre o niilismo vem depois. A alternativa (B) descreve o gatilho, enquanto a (A) descreve a bala.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A investigação mostra que o texto aponta explicitamente o uso de materiais e formas não convencionais como a razão pela qual as obras dos YBAs geraram atenção e debate.
- Expectativa: A alternativa correta deve focar nesses elementos constitutivos da obra — seus materiais e sua forma.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
Vamos agora interrogar cada um dos suspeitos com base no nosso novo foco de investigação.
- A) recusa a crenças, convicções, valores morais, estéticos e políticos na história moderna.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato foca na palavra “niilismo” e a traduz corretamente, caindo na “Armadilha Clássica”.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Mensagem com Gatilho. Esta alternativa descreve a mensagem ou a interpretação filosófica da obra, mas não a causa direta da provocação, que, segundo o texto, é o uso de materiais e formas chocantes.
- Conclusão: 🟡 Alternativa incorreta.
- B) frutífero arsenal de materiais e formas que se relacionam com os objetos construídos.
- Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. Ela foca exatamente no que o texto aponta como a causa da atenção: o “arsenal” (a variedade) de “materiais” (esterco, sangue, carcaças) e “formas” (desmembradas, divididas) que os artistas usam para construir suas obras (“objetos construídos”).
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
- C) economia e problemas financeiros gerados pela recessão que tiveram grande impacto no mercado.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato eleva um detalhe contextual à causa principal.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Contexto com Causa. O texto menciona a recessão como o período em que o grupo chamou a atenção, mas não diz que a provocação era sobre a economia.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- D) influência desse grupo junto aos estilos pós-modernos que surgiram nos anos 1990.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato foca na consequência histórica do movimento.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Efeito com Causa. A influência do grupo é um resultado de sua atuação, não a causa da provocação gerada por suas obras.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- E) interesse em produtos indesejáveis que revela uma consciência sustentável no mercado.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato aplica um conceito moderno (sustentabilidade) de forma anacrônica.
- O “Diagnóstico do Erro”: Anacronismo e Falsa Motivação. O uso de “detritos da vida” não tinha uma intenção ecológica, mas sim filosófica e estética: expressar o niilismo e a decadência, como o próprio texto afirma.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa B é a correta. Este caso nos ensina que, na análise da arte contemporânea, é crucial identificar o ponto exato de ruptura com a tradição; no caso dos YBAs, a primeira e mais visceral quebra foi na própria materialidade da arte.
Resumo-flash (A Imagem Mental): Antes de discutir a alma da obra, a arte dos YBAs nos força a encarar o seu corpo chocante.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de usar um “arsenal de materiais e formas” chocante para gerar debate é central na Arquitetura Desconstrutivista. Arquitetos como Frank Gehry ou Zaha Hadid criam edifícios com formas fragmentadas, inclinadas e não lineares, usando materiais de maneiras inesperadas. A provocação de um prédio como o Museu Guggenheim de Bilbao não está (apenas) na sua função, mas na sua forma radical, que quebra com a nossa expectativa de um edifício com ângulos retos e paredes planas. Assim como os YBAs, esses arquitetos geram debate ao desafiar as convenções sobre como um “objeto construído” deve parece