Questão 123, caderno azul do ENEM PPL 2021

O biodiesel é um combustível alternativo ao diesel de petróleo que tem sido produzido em grande escala no Brasil a partir da transesterificação do óleo de soja em meio alcalino. Visando reduzir a competição com a indústria alimentícia, os óleos de fritura estão entre as matérias-primas alternativas que têm sido consideradas. Porém, o seu uso no processo tradicional é dificultado por causa da acidez de Brönsted, desenvolvida durante o processo de degradação do óleo, conforme mostra o esquema genérico em que R representa um grupamento alquila qualquer.

Questão 123 – ENEM PPL 2021 -

A dificuldade mencionada é gerada pela presença de grupamentos:

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Química Orgânica: Funções orgânicas e Acidez de compostos orgânicos.
  • Reações Químicas: Hidrólise de ésteres e Transesterificação (Produção de Biodiesel).
  • Química Geral: Conceito de Ácidos de Brönsted-Lowry.

Tema/Objetivo Geral:
Identificar o grupamento funcional responsável pelo aumento da acidez em óleos de fritura degradados, relacionando a estrutura molecular com a capacidade de doar prótons (H+).

Nível da Questão
Médio. O desafio está em interpretar o esquema de degradação fornecido e aplicar a definição teórica de Brönsted (doador de prótons) para selecionar a função química correta entre as representações estruturais.

Gabarito
Alternativa A (R-COOH). A degradação do óleo (triglicerídeo) libera ácidos graxos livres, que possuem o grupamento carboxila. Esse grupamento é um ácido de Brönsted clássico, pois doa o íon H+ da hidroxila, interferindo no meio alcalino da produção de biodiesel.


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A missão é olhar para a “morte” química do óleo de cozinha e identificar qual dos “destroços” (produtos da degradação) é o culpado por tornar o meio ácido.

Simplificação Radical: Pense no óleo como uma construção de madeira (triglicerídeo). Quando ele apodrece ou quebra (rancidez), ele solta “farpas” (ácidos graxos). O desafio é identificar qual dessas figuras representa a “farpa” que espeta e reage com a base do processo de biodiesel.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  1. Definir o termo-chave: O que é acidez de Brönsted?
  2. Interpretar o esquema: Quais moléculas aparecem no final das setas de “Rancidez”?
  3. Cruzamento de dados: Qual dessas moléculas tem o poder de doar um próton (H+)?

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para esta investigação, utilizaremos o Dossiê de Acidez Orgânica:

  • Definição de Brönsted-Lowry: Ácido é toda espécie química capaz de doar um próton (H+).
  • O Grupamento Carboxila (R-COOH): É o “campeão” de acidez entre as funções oxigenadas comuns. O oxigênio atrai os elétrons e deixa o Hidrogênio “solto” para sair como H+.
  • Rancidez Hidrolítica: A água (H2O) quebra o óleo e libera Ácidos Carboxílicos.
  • Rancidez Oxidativa: O oxigênio (O2) quebra as ligações duplas e também acaba gerando Ácidos Carboxílicos.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar o desenho fornecido como se fosse uma prova pericial:

  1. Localizando as Vítimas: No centro, temos o óleo (triglicerídeo).
  2. Rastreador de Setas:
    • A seta da Rancidez Hidrolítica aponta para uma molécula isolada no topo: R-COOH.
    • A seta da Rancidez Oxidativa também aponta, entre outros produtos, para a mesma estrutura: R-COOH.
  3. O Conflito: A produção de biodiesel exige um “meio alcalino” (presença de base). Se o óleo está cheio de R-COOH (ácido), ele vai reagir com a base e formar sabão (saponificação) em vez de biodiesel. Isso é o que “dificulta” o processo mencionado no texto.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é se perder na estrutura complexa do item E. Ela representa um pedaço do óleo que ainda não quebrou totalmente (um diglicerídeo). O “culpado” pela acidez não é o óleo que restou, mas sim a parte que se soltou e virou um ácido livre. Não marque a molécula maior só porque ela parece “importante”; foque na função química que define a acidez!

A Bússola (O Perfil do Culpado)

  • Síntese do raciocínio: Brönsted = doador de H+. O grupamento Carboxila (R-COOH) é o único que aparece no esquema com essa propriedade ácida clara.
  • Expectativa: Procuramos a figura do Ácido Carboxílico.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) R-COOH (Ácido Carboxílico)

  • Análise: Perfeito. É o grupamento que define a acidez dos óleos degradados. O hidrogênio ligado ao oxigênio pode ser doado como H+.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

B) R-CO-R (Cetona)

  • Narrativa do Erro: O aluno vê a carbonila (C=O) e acha que ela é ácida.
  • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema. Cetonas não possuem hidrogênio ligado ao oxigênio e não têm caráter ácido de Brönsted significativo.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

C) R-CHO (Aldeído)

  • Narrativa do Erro: O aluno confunde o H do aldeído com um H ionizável.
  • Diagnóstico do Erro: Erro Conceitual. O hidrogênio do aldeído está ligado diretamente ao carbono, sendo muito difícil de ser doado.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

D) R-CH2-… (Hidrocarboneto)

  • Narrativa do Erro: O aluno foca na “cauda” longa da gordura.
  • Diagnóstico do Erro: Contradição Química. Cadeias de carbono e hidrogênio puras são neutras e apolares.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

E) Estrutura de Glicerina Parcial

  • Narrativa do Erro: O aluno se impressiona com o tamanho da molécula no esquema.
  • Diagnóstico do Erro: Reducionismo (Descreve o meio, não o fim). Essa é uma molécula intermediária, mas a “acidez” de Brönsted mencionada vem especificamente dos ácidos graxos livres (carboxilas).
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

A resposta final é a Alternativa A. Essa questão explica por que você não deve jogar óleo de fritura usado na pia: além de entupir, ele sofre hidrólise e oxidação, tornando-se ácido e poluente.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
“Óleo quebrado libera Carboxila; o H sai voando e a base vacila!”

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este mesmo princípio é usado na Indústria de Cosméticos. Para saber se um creme ou sabonete é de boa qualidade, os químicos medem o “Índice de Acidez”. Se o índice estiver alto, significa que o óleo usado na fabricação estava “estragado” (degradado em R-COOH), o que pode causar irritação na pele do consumidor. É a química orgânica garantindo a qualidade do que você usa no dia a dia.

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