
O cartaz de Ziraldo faz parte de uma campanha contra o uso de drogas. Essa abordagem, que se diferencia das de outras campanhas, pode ser identificada
A) pela seleção do público alvo da campanha, representado, no cartaz, pelo casal de jovens.
B) pela escolha temática do cartaz, cujo texto configura uma ordem aos usuários e não usuários: diga não as drogas.
C) pela ausência intencional do acento grave, que constrói a ideia de que não é a droga que faz a cabeça do jovem.
D) pelo uso da ironia, na oposição imposta entre a seriedade do tema e a ambiência amena que envolve a cena.
E) pela criação de um texto de sátira à postura dos jovens, que não possuem autonomia para seguir seus caminhos.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Linguagens (Análise de Gêneros Textuais – Cartaz de Campanha), Semântica, Sintaxe (Crase), Discurso e Argumentação, Interpretação de Texto, Comunicação Visual.
Tema/Objetivo Geral:
Análise da estratégia de comunicação e da linguagem em uma campanha antidrogas, identificando como a construção textual e visual se diferencia por enfatizar a autonomia do indivíduo.
Nível da Questão
Difícil. Esta questão é de nível difícil porque exige uma análise aprofundada da linguagem utilizada no cartaz, incluindo a sutil, porém intencional, ausência da crase, para inferir a estratégia comunicativa que a distingue de outras campanhas. Não se trata apenas de interpretar o óbvio, mas de captar uma nuance gramatical que constrói um significado mais profundo e persuasivo.
Gabarito
A alternativa correta é a C. Ela está correta porque a ausência intencional da crase na frase “NÃO A DROGA!”, combinada com a mensagem “QUEM ESCOLHE SEU CAMINHO É VOCÊ”, enfatiza a ideia de que a droga não é o elemento que deve controlar a vida e as decisões do jovem, mas sim a sua própria capacidade de escolha e autonomia.
Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
Transcrição Essencial
“O cartaz de Ziraldo faz parte de uma campanha contra o uso de drogas. Essa abordagem, que se diferencia das outras campanhas, pode ser identificada”
O que está sendo pedido?
O comando nos pede para identificar o que torna a abordagem do cartaz de Ziraldo diferente das outras campanhas antidrogas, a partir dos elementos do próprio cartaz.
Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é analisar a mensagem verbal e visual do cartaz, prestando atenção à escolha das palavras e à sua construção gramatical, para inferir a estratégia de persuasão que o distingue, especialmente no que tange à autonomia do jovem.
Pergunta de Atenção
Você já reparou como pequenos detalhes na escrita, como uma vírgula ou um acento (ou a falta deles!), podem mudar completamente o sentido de uma frase? O que a ausência da crase em “NÃO A DROGA!” pode significar?
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
Para resolver a questão, vamos revisar os conceitos relevantes:
| Conceito | Explicação Simples e Fácil | Exemplo do Cotidiano |
| Cartaz de Campanha | Gênero textual que combina imagem e texto curto para transmitir uma mensagem persuasiva sobre um tema específico, buscando influenciar o público. | Cartaz de vacinação, cartaz de conscientização ambiental. |
| Abordagem/Estratégia de Campanha | É a forma como a mensagem é planejada e apresentada para atingir seu objetivo. Inclui a escolha do público, da linguagem, das imagens, do tom. | Uma campanha pode usar o medo para alertar (ex: “se beber, não dirija”), ou a valorização da vida para motivar. |
| Autonomia | Capacidade de tomar decisões por si mesmo, de ser independente e responsável pelas próprias escolhas. | Um jovem que decide qual curso universitário seguir, sem pressão dos pais. |
| Crase | É a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” (ou com pronomes como “aquela”, “aquilo”). É marcada pelo acento grave (à). | “Vou à praia” (vou a + a praia). |
| Ausência Intencional do Acento Grave (Crase) | Em um cartaz, a ausência de um acento que seria gramaticalmente esperado pode ser uma escolha deliberada para criar um efeito de sentido diferente. | “Não a drogas” (sem crase) em vez de “Não às drogas”. |
| Linguagem Persuasiva | Uso da linguagem para convencer, motivar ou influenciar o comportamento do receptor. | Frases de efeito, apelos emocionais, uso do imperativo. |
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
Contextualização Simplificada
O cartaz de Ziraldo, que é para uma campanha contra as drogas, mostra um casal de jovens andando em um caminho e tem duas frases: “QUEM ESCOLHE SEU CAMINHO É VOCÊ” e “NÃO A DROGA!”. A questão quer que a gente descubra o que faz essa campanha ser diferente das outras. Geralmente, campanhas antidrogas podem ser bem diretas, como “Não use drogas!”. Mas aqui tem um detalhe na frase “NÃO A DROGA!” (a falta da crase) que, junto com a outra frase, muda um pouco o jogo. Qual é a sacada especial dessa campanha, que a faz ter uma abordagem diferente?
Estratégia Geral
Vamos analisar a combinação do texto e da imagem. A imagem do casal caminhando em um caminho/encruzilhada, a frase sobre a escolha do caminho e a peculiaridade gramatical em “NÃO A DROGA!” são as chaves. A ausência da crase não é um erro, mas uma escolha de sentido para enfatizar a autonomia e o controle da própria vida, em vez de apenas uma proibição.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
Vamos analisar os elementos do cartaz e a forma como se combinam:
- Passo a Passo Detalhado
- Imagem Visual: O cartaz mostra um casal de jovens (público-alvo) caminhando em um caminho que se estende ao fundo, o que visualmente já sugere escolhas e trajetórias de vida. Essa imagem é potente na ideia de futuro e decisões.
- Mensagem Principal (Primeira Frase): “QUEM ESCOLHE SEU CAMINHO É VOCÊ”. Esta frase é um forte apelo à autonomia e responsabilidade individual do jovem. Ela coloca o poder de decisão nas mãos do próprio indivíduo, reforçando sua capacidade de escolha.
- Mensagem Complementar (Segunda Frase): “NÃO A DROGA!”. Aqui está o ponto crucial para a diferenciação da campanha.
- Se a frase fosse “NÃO À DROGA!”, com crase, ela seria uma proibição direta e enfática (“diga não à droga”). Seria uma campanha mais tradicional, no imperativo puro da negação.
- No entanto, a ausência intencional da crase em “NÃO A DROGA!” abre espaço para uma interpretação mais sutil e poderosa. O “a” sem crase pode ser lido como um artigo definido (“a droga”), e a frase pode sugerir algo como “Não [é] a droga [que comanda/escolhe]”, ou “Não, [não é] a droga [que decide]”. Isso faz com que a frase reforce a ideia da primeira: você escolhe seu caminho, não a droga (não a deixe escolher por você).
- Abordagem Diferenciada: Essa construção evita a mera proibição e, em vez disso, capacita o jovem, lembrando-o de seu poder de escolha e de que a droga não deve ter esse controle sobre sua vida. A campanha não apenas diz “não faça”, mas “você tem o poder de não fazer, porque você é quem decide”.
- Verificação Intermediária
A combinação da imagem do caminho com as frases que enfatizam a escolha pessoal e a interpretação da frase “NÃO A DROGA!” sem crase sugere que o cartaz vai além de uma simples interdição. Ele busca reforçar a autonomia do jovem como a principal ferramenta para resistir às drogas.
- Possível armadilha
A armadilha seria considerar a ausência da crase como um erro gramatical ou ignorar sua implicação semântica. Em campanhas de Ziraldo, que é um artista gráfico e textual muito inteligente, cada elemento é intencional. Outra armadilha seria focar apenas na proibição (como em outras campanhas) e não na mensagem subjacente de empoderamento e autonomia do jovem.
- Fechamento e expectativa
O raciocínio indica que a campanha se diferencia por enfatizar a capacidade de escolha do jovem e a não submissão à droga, utilizando a linguagem para reforçar essa mensagem. Esperamos que a alternativa correta destaque essa autonomia.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
- (🔴) Alternativa A: “pela seleção do público alvo da campanha, representado, no cartaz, pelo casal de jovens.” Incorreta. A seleção de jovens como público-alvo é comum em campanhas antidrogas e não é o que diferencia a abordagem desta campanha em particular.
- (🔴) Alternativa B: “pela escolha temática do cartaz, cujo texto configura uma ordem aos usuários e não usuários: diga não as drogas.” Incorreta. A campanha vai além de uma simples “ordem”. O tema de “diga não às drogas” é tradicional. O que diferencia é como essa negação é construída. Além disso, a concordância “diga não as drogas” está incorreta (seria “às drogas” ou “a drogas”).
- (🟢) Alternativa C: “pela ausência intencional do acento grave, que constrói a ideia de que não é a droga que faz a cabeça do jovem.” Correta. A ausência da crase em “NÃO A DROGA!” é intencional. Em vez de uma simples proibição (“Não à droga”), a construção “NÃO A DROGA!” pode ser interpretada como “Não, [não é] a droga [quem decide/controla]”, alinhando-se perfeitamente com a frase “QUEM ESCOLHE SEU CAMINHO É VOCÊ”. Isso enfatiza a autonomia do jovem e que ele tem o controle sobre suas escolhas, não a droga.
- (🔴) Alternativa D: “pelo uso da ironia, na oposição imposta entre a seriedade do tema e a ambiência amena que envolve a cena.” Incorreta. Não há um uso claro de ironia no cartaz que crie um contraste entre seriedade e “ambiência amena”. A cena, com os jovens em um caminho, é mais simbólica de escolha do que “amena” em um contexto de drogas.
- (🔴) Alternativa E: “pela criação de um texto de sátira à postura dos jovens, que não possuem autonomia para seguir seus caminhos.” Incorreta. O cartaz não satiriza os jovens; pelo contrário, ele os empodera ao afirmar que “QUEM ESCOLHE SEU CAMINHO É VOCÊ”. A campanha busca reafirmar a autonomia deles, não sugerir que não a possuem.
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
Resumo do Raciocínio
O cartaz de Ziraldo se destaca de outras campanhas antidrogas por sua abordagem que enfatiza a autonomia do jovem. A frase “QUEM ESCOLHE SEU CAMINHO É VOCÊ”, aliada à sutil e intencional ausência da crase em “NÃO A DROGA!”, transmite a mensagem de que o poder de decisão reside no próprio indivíduo, e não na substância.
Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é a C, pois a abordagem do cartaz pode ser identificada pela ausência intencional do acento grave, que constrói a ideia de que não é a droga que faz a cabeça do jovem.
Resumo Final para Revisão 🔍
Em campanhas inteligentes, cada detalhe (até a falta de um acento!) pode ter um propósito para reforçar a mensagem principal, especialmente quando se trata de empoderar o público e não apenas proibir!