“É para abrir mesmo e quem quiser que eu não abra eu prendo e arrebento.”
Frase pronunciada pelo presidente João Baptista Figueiredo. Apud RIBEIRO, D. Aos trancos e barrancos e o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
A frase do último presidente do regime militar indicava a ambiguidade da transição política no país. Neste contexto, houve resistências internas ao processo de distensão planejado pela alta cúpula militar, que se manifestaram com
A) as campanhas no rádio, TV e jornais em favor da lei de anistia.
B) as posições de prefeitos e governadores em apoio à instalação de eleições diretas.
C) as articulações no Congresso pela convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.
D) os atos criminosos, como a explosão de bombas, de militares inconformados com o fim da ditadura.
E) as articulações dos parlamentares do PDS, PMDB e PT em prol da candidatura de Tancredo Neves à presidência.

Resolução em texto
📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- História do Brasil (Ditadura Militar, Abertura Política, Redemocratização)
- Ciência Política (Transição de Regimes, Conflitos Intra-elite)
- Interpretação de Texto
🎯 Tema/Objetivo Geral: Os conflitos internos dentro do regime militar durante o processo de Abertura Política.
🎯 Nível da Questão: Médio.
- Detalhe: A questão é de nível médio porque não testa apenas o conhecimento geral sobre a Ditadura, mas a compreensão de uma nuance importante: a Abertura não foi um processo unânime dentro das Forças Armadas. Exige a capacidade de interpretar a frase do presidente não como uma ameaça à oposição, mas como uma advertência a setores radicais do próprio regime.
✅ Gabarito: D
- A alternativa está correta porque a resistência interna à Abertura veio da chamada “linha-dura” do regime, setores militares que não aceitavam a redemocratização e tentaram sabotar o processo por meio de atos terroristas, como a explosão de bombas, para criar instabilidade.
📖 Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
1.1 Transcrição Essencial 📌
“Neste contexto, houve resistências internas ao processo de distensão planejado pela alta cúpula militar, que se manifestaram com”
1.2 O que está sendo pedido? 📌
A questão pede para identificarmos qual foi a forma de ação dos grupos de dentro do próprio regime militar que eram contra o processo de Abertura política.
1.3 Objetivo Cristalino 📌
Nossa missão é entender a quem a frase de Figueiredo era dirigida e, a partir daí, encontrar nas alternativas a prática que corresponde a essa resistência “interna”.
1.4 Pergunta de Atenção ✔
Quando um general que é presidente diz que vai “prender e arrebentar” quem for contra seus planos, ele está falando apenas com a oposição civil ou poderia estar falando com outros militares, mais radicais que ele? Entender essa briga interna é a chave!
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
2.1 Definições e Fórmulas / explicação de termos 📌
Para entender a questão, precisamos de alguns conceitos-chave daquele período:
- 1. Abertura Política (“distensão”):
- Foi o processo de transição controlada da Ditadura para a Democracia, iniciado no governo do General Geisel e continuado por João Baptista Figueiredo (o autor da frase).
- A ideia da cúpula militar era conduzir uma abertura “lenta, gradual e segura”, ou seja, sem rupturas e garantindo que os militares mantivessem o controle do processo.
- 2. A “Linha-Dura”:
- Era uma facção radical dentro das Forças Armadas e dos órgãos de repressão (como o SNI e o DOI-CODI).
- Esse grupo era totalmente contra a Abertura. Eles acreditavam que a redemocratização era uma “entrega do país aos comunistas” e viam os presidentes Geisel e Figueiredo como traidores.
- 3. A Tática da “Linha-Dura”:
- Como não tinham poder para reverter a Abertura politicamente, a estratégia da linha-dura era criar o caos. Eles promoviam atos terroristas (atentados a bomba, sequestros, etc.) e tentavam culpar a esquerda.
- O objetivo era criar um clima de instabilidade tão grande que a sociedade e os militares moderados se assustassem e concordassem que a “mão de ferro” da ditadura deveria continuar.
- 4. O Atentado do Riocentro (1981):
- É o exemplo mais famoso da ação da linha-dura. Militares radicais planejaram explodir bombas durante um show de comemoração do Dia do Trabalhador no Riocentro, Rio de Janeiro. O plano deu errado quando uma das bombas explodiu no colo dos próprios terroristas, matando um sargento e ferindo um capitão. O episódio expôs a conspiração interna e enfraqueceu a linha-dura.
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
3.1 Contextualização Simplificada 📌
Imagine um general (Figueiredo) que foi encarregado de negociar a paz e devolver o poder aos civis. No entanto, dentro do seu próprio exército, há um grupo de soldados radicais que não quer a paz e começa a atirar para todos os lados para sabotar o acordo. A frase de Figueiredo é como se ele, o general-chefe, gritasse para esses soldados rebeldes: “É para fazer a paz sim, e quem tentar estragar tudo, eu mesmo vou prender!”.
3.2 Estratégia Geral 📌
Nossa estratégia será:
- Interpretar a frase de Figueiredo como uma ameaça direcionada a um inimigo interno do seu projeto de Abertura.
- Identificar quem era esse inimigo interno (a linha-dura).
- Lembrar ou deduzir quais eram as táticas usadas por esse grupo (atos terroristas).
- Encontrar a alternativa que descreve essas táticas.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Análise do Texto
4.1 Passo a Passo Detalhado 📌
- A frase de Figueiredo, “É para abrir mesmo e quem quiser que eu não abra eu prendo e arrebento”, revela a ambiguidade e a tensão do processo.
- “É para abrir mesmo”: Confirmação do projeto de redemocratização.
- “Quem quiser que eu não abra”: Reconhecimento de que havia uma oposição a esse projeto.
- “Eu prendo e arrebento”: Ameaça de usar a força do próprio Estado contra essa oposição.
- A questão é: quem era essa oposição? O comando nos dá a dica: “resistências internas […] cúpula militar”. Logo, a ameaça era para a linha-dura.
- Como essa linha-dura se manifestava? Como vimos, sua principal forma de ação era o terrorismo. Eles promoviam atos criminosos, como a explosão de bombas, para desestabilizar a transição e culpar a esquerda.
4.2 Verificação Intermediária 📌
A alternativa D descreve perfeitamente a ação da linha-dura. Vamos analisar as outras opções para ter certeza, separando o que era ação da oposição democrática do que era ação da resistência interna autoritária.
4.3 Possível armadilha ❓/ ✔
A principal armadilha é confundir a “resistência interna” (dos militares da linha-dura) com a “oposição” (da sociedade civil e dos partidos políticos). As alternativas A, B, C e E descrevem ações da oposição democrática, que lutava pela redemocratização. A questão pergunta sobre a resistência contra a redemocratização, vinda de dentro do regime.
4.4 Fechamento e expectativa
Concluímos que a resistência interna ao processo de Abertura se deu por meio de atos violentos e criminosos. Esperamos encontrar essa descrição em uma das alternativas.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
5.1 Listagem das Alternativas
A) as campanhas no rádio, TV e jornais em favor da lei de anistia.
B) as posições de prefeitos e governadores em apoio à instalação de eleições diretas.
C) as articulações no Congresso pela convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.
D) os atos criminosos, como a explosão de bombas, de militares inconformados com o fim da ditadura.
E) as articulações dos parlamentares do PDS, PMDB e PT em prol da candidatura de Tancredo Neves à presidência.
5.2 Justificativa Individual
- A), B), C), E) (🔴) Incorretas. Todas essas são ações da sociedade civil e da oposição política que pressionavam pela aceleração da democracia. Não eram resistências contra a Abertura vindas de dentro do regime. A campanha pela anistia, as Diretas Já, a luta pela Constituinte e a eleição de Tancredo foram etapas da luta democrática, não do terrorismo da linha-dura.
- D) (🟢) Correta. Descreve com precisão a tática da “linha-dura”: militares radicais que, inconformados com a redemocratização, cometiam atos terroristas, como o Atentado do Riocentro, para tentar sabotar a transição. Essa era a “resistência interna” à qual Figueiredo se referia.
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
6.1 Resumo do Raciocínio 📌
A frase do presidente Figueiredo evidencia o tenso cenário da Abertura Política, na qual o governo militar precisava lidar não apenas com a pressão da sociedade pela democracia, mas também com a sabotagem de setores radicais dentro das próprias Forças Armadas. Essa “resistência interna” da linha-dura se manifestava através de atos terroristas, como atentados a bomba, que visavam desestabilizar o país e justificar a permanência do regime autoritário.
6.2 Gabarito Reafirmado 📌
A resposta correta é a alternativa D.
6.3 Resumo Final para Revisão 🔍
Lembre-se: a transição para a democracia no Brasil não foi um caminho reto. Houve uma “guerra interna” dentro do regime militar entre os que queriam uma saída controlada (a Abertura) e os que queriam a perpetuação da ditadura (a linha-dura). A violência e o terrorismo foram as armas da linha-dura nessa disputa.